Uber “Hell”: genialidade competitiva ou espionagem?

O Uber usou um esquema complexo para espionar dados de seus competidores, desenvolvendo uma solução de captura de dados incrível e assustadora.

uber hero

É professor de empreendedorismo pelo MIT e fundador do Empreenda Junto

17 de abril de 2017

Resumo: O Uber tinha capacidade de saber onde quantos motoristas de um dos seus principais competidores estavam online e onde eles estavam a qualquer momento.

Vamos começar esse artigo com uma afirmação simples e objetiva: todo negócio precisa de um monopólio.

Simples assim, como Peter Thiel disse: a competição é para idiotas, afinal, todo o tempo gasto se preocupando com competidores e em garantir sua fatia do mercado, é um tempo que deixou de ser usado com foco total em melhorar seu produto e desenvolver.

Dito isso, temos então dois tipos de monopólios. O primeiro deles, muito conhecidos pelo Brasileiros é obtido através do estado, por meio de leis e regulamentações que tornam praticamente impossível um novo competidor, a obtenção de vantagens ilegais, ou simplesmente, uma lei que impede a competição como no caso dos correios.

Já o segundo tipo é o monopólio obtido através da excelência, ou seja, quando uma empresa cria um produto ou serviço tão bom, que simplesmente domina o mercado, como o caso da Google nos buscadores.

Porém, nem sempre as ações realizadas pelas empresas na busca pelo domínio do mercado são diferenciáveis como preto e branco, muitas vezes elas caem em uma zona cinzenta de difícil analise e o Uber acabou de fazer isso novamente.

Um dos principais competidores do Uber nos Estados Unidos é a Lyft, a empresa presta o mesmo tipo de serviço, porém, o seu software tinha uma espécie de vulnerabilidade. Todo motorista tinha acesso ao posicionamento de 8 outros motoristas próximos através do app.

O time de engenharia do Uber então criou diversas contas de motoristas no app do rival e usando softwares de “fake gps”, posicionavam os seus motoristas falsos em pontos chaves da cidade, formando uma espécie de “rede”.

Essa rede então agia como um tipo de radar, indicando virtualmente todos os motoristas da Lyft quase que em tempo real.

O Uber então cruzava essas informações com seus próprios dados a respeito de seus motoristas e bolava estratégias para levar aqueles motoristas que estavam cadastrados nos dois serviços ao mesmo tempo para longe das áreas onde havia demanda pelo Lyft.

O sistema desenvolvido para monitorar o posicionamento dos motoristas da Lyft foi batizado de “Hell” (inferno), e ficava lado a lado com o “God View” ou “Heaven” que monitora as atividades dos motoristas da Uber.

O esquema de “espionagem” usado pela Uber era altamente complexo, como uma pessoa que lida diariamente com inteligência de mercado e desenvolvimento de produtos, foi um feito impressionante, mas ao mesmo tempo preocupante.

Mesmo não tendo usado políticos ou legisladores de modo geral para virar a mesa ao seu favor, o Uber usou uma estratégia que poderia ser qualificada como espionagem industrial e que agora se une a uma série de polêmicas nas quais a empresa tem se envolvido recentemente.

Porém, enquanto acompanhamos o desenrolar dessa história existe ao menos uma lição você deveria levar:  você deve sempre ficar atento aos dados do seu negócio e o quão fácil ou difícil é para que um competidor possa te espionar e usar essas informações para traçar uma estratégia contra você.

Com informações de: The Information

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