Estudo de Caso: GetNinjas, o marketplace que acha o profissional ideal para você

Conheça os bastidores do maior classificado de serviços online do Brasil

Isabela Borrelli é repórter do Portal StartSe

29 de novembro de 2017

O Estudo de Caso: GetNinjas pretende trazer todos os detalhes dos bastidores da startup. Com atualizações frequentes, o conteúdo pretende explorar as áreas mais importantes de cada negócio, assim como os maiores desafios enfrentados por cada uma. Para ficar por dentro das atualizações, assine nossos Estudos de Casos.

Todo mundo já passou pela experiência de precisar contratar um serviço e não saber por onde começar. No caso, pode ser desde um passeador de cachorro, professor particular, designer até encanador, cabeleireiro e por aí vai. Afinal, nem sempre é fácil achar um profissional e, mesmo se isso ocorrer, ainda há a questão de saber se o trabalho é bom ou não.

Ao mesmo tempo, do outro lado da moeda, profissionais autônomos e freelancers também encontram dificuldades ao buscar clientes e serviços. É aqui que entra o GetNinjas, criado com o objetivo de unir ambas necessidades. O marketplace atua tanto encontrando profissionais para o serviço que você deseja, quanto facilitando que você seja encontrado por clientes potenciais.

Com seis anos de vida, a startup já conseguiu o lugar de maior classificado de serviços online do país, com cerca de 250 mil profissionais cadastrados na plataforma. Além disso, no último ano ela teve 2 milhões de serviços solicitados e gerou R$ 300 milhões em transações realizadas.

Parte 1: GetNinjas, o marketplace

A proposta do GetNinjas é tornar mais fácil a contratação de serviços e a plataforma propõe exatamente isso. Eduardo L’Hotellier, fundador e CEO da startup, revela que ela já passou por várias mudanças – que serão abordadas com mais detalhes ao longo da reportagem – até chegar à versão atual. Para entender um pouco mais sobre os dois lados do marketplace, tanto do cliente quanto do profissional, confira como o aplicativo funciona:

Para quem quer contratar

Quem precisa de um serviço terá à sua disposição dois formulários principais. No primeiro, é preciso especificar tudo sobre o serviço. No segundo, o endereço onde o cliente precisará que ele seja realizado. Em seguida, o aplicativo mandará uma mensagem para o celular dele com um código, necessário para confirmar o pedido.

Uma vez confirmado, o aplicativo avisará todos os profissionais que mais se enquadram na descrição levando em consideração distância, velocidade, entre outros fatores. Os três primeiros que responderem ao chamado recebem os dados do cliente e entram em contato com ele para passar o orçamento. Por fim, o cliente escolhe o que for de sua preferência de acordo com orçamento e avaliações que cada profissional tiver.

Getninjas: exemplo de pedido feito por clientes

Para quem presta serviços

O profissional que tem interesse em começar a atender clientes via GetNinjas terá que se cadastrar na plataforma. Primeiro, é necessário informar dados como qual o serviço que oferece, o CEP e número de celular. Em segundo, será preciso dar mais detalhes sobre a atividade e, por fim, criar um anúncio.

No caso, o anúncio é a porta de entrada do serviço, por isso o aplicativo incentiva os profissionais a explicarem o mais detalhadamente possível quais são suas qualidades e diferenciais, por exemplo. Uma vez criado, o próximo passo é preencher com o CPF ou CNPJ, endereço completo e confirmar o cadastro com o código que for enviado via SMS. Por fim, o profissional só precisa esperar o aplicativo sinalizar quando tiver um novo pedido para entrar em contato com o cliente e fazer um orçamento.

O diferencial do aplicativo é o poder de escolha aos profissionais, que recebem os pedidos de acordo com distância, velocidade, entre outros fatores. Além disso, também há a possibilidade de facilitar o processo de pagamento via aplicativo, liberado com o pacote de créditos, que são necessários para que os pedidos possam ser liberados.

estudo de caso getninjas

De fato, o aplicativo inova na solução e na entrega e promete continuar a crescer. Para entender um pouco mais sobre essa startup que começou lá em 2011, com a ideia de um jovem de pouco mais de 20 anos e alguns dólares, eu conversei com as principais cabeças do GetNinjas: Eduardo L’Hotellier, fundador e CEO, Lucas Souza, CTO, Bernardo Srulzon, Business Intelligence, e Pedro Naif, head de Design e UX.

Parte 2: História

Foi em meados de 2010, quando Eduardo L’Hotellier tinha apenas 25 anos, que o GetNinjas nasceu. Era o auge das compras coletivas, com marketplaces como Mercado Livre e Buscapé explodindo e L’Hotellier queria fazer parte disso. O problema era: como?

Priorizando ideias

Ele começou com três protótipos diferentes: um site de crowdfunding, uma plataforma SaaS para aluguel de sites de compras coletivas e o último, o único que não foi para o ar, era um GetNinjas só para advogados. “Rapidamente eu vi que não daria conta de fazer os três. Para escolher, vi que o GetNinjas tinha um mercado potencial maior. Perdi tempo e um pouco de dinheiro”, revela Eduardo.

Apesar de afirmar que não faria isso de novo, ele estava certo sobre algumas coisas. A primeira, era que ele não daria conta de fazer tudo. Na época, o recém-formado trabalhava no mercado financeiro e dedicava as madrugadas aos projetos. A segunda, era que o mercado do GetNinjas tinha um grande potencial. O mercado de serviços é equivalente a quase 70% do PIB nacional e movimenta cerca de R$ 200 bilhões por ano.

No entanto, antes de ter como uma das opções de negócio o mercado de serviços, Eduardo L’Hotellier sentiu na pele a dificuldade para contratar um profissional.

Pontapé inicial e primeiro investimento

Com trabalho e projetos paralelos nas costas, ele precisou contratar um pintor. “Descobri que era horrível para contratar, porque não tinha avaliação, eu não sabia como encontrar um profissional e qual era a disponibilidade dele”, conta. Ele juntou a sua dor com oportunidade e um mercado promissor.

foto de depoimento de profissionais na sede do GetNinjas

Quadros com depoimentos de profissionais do GetNinjas no escritório

O ponto de virada aconteceu depois de algum tempo de vida, quando o GetNinjas saiu em uma matéria da Pequenas Empresas Grandes Negócios. Investidores da Monashees, fundo de capital de risco, ficaram sabendo da startup pela revista e se interessaram. O contato foi feito via Linkedin e depois de duas semanas o negócio estava fechado.

Na época, Eduardo tinha dois anos de formado, trabalhava no mercado financeiro e tinha começado o GetNinjas com mil reais, dedicando-se a ele nas madrugadas. Foi só quando ele recebeu o investimento que decidiu se focar inteiramente.

Não era uma decisão fácil: ele começou no empreendimento com um salário cinco vezes menor do que estava acostumado. No entanto, Eduardo teve a sorte de contar com o apoio do ex-chefe: “Quando eu pedi demissão, ele falou ‘vai e se der errado você volta para um cargo acima do que estava, porque você vai ter aprendido dessa experiência’”. 

De fato, a situação foi muito mais confortável do que costuma ser para empreendedores que estão começando. Mas a sorte não parou por aí, pois além do apoio, ele também contou que como era muito novo não entendia muito de como os investimentos funcionavam. “Eu confiei e deu certo de serem caras muito bons. Se eu pudesse dar um conselho para o Eduardo daquela época, eu falaria para conversar mais com empreendedores que foram investidos pelo fundo para saber como era antes de fechar negócio”.

Tentativa(s) e erro(s)

L’Hotellier conta que desde o começo ele não tinha uma solução certa para o problema que o GetNinjas se propunha a resolver. No caso, ele descobriu a solução certa no processo que contou com três modelos principais.

No primeiro, o profissional tinha que colocar o preço dele e o cliente comprava e pagava online. A proposta era ser uma plataforma 100% online, ou seja, o profissional deveria dar o orçamento sem uma visita técnica, no caso de uma obra por exemplo. Logo o CEO veria que não era tão fácil…

Na época, a startup precisava de uma sala de reunião e resolveram contratar um pedreiro para fazer a obra. O pedreiro não queria dar de jeito nenhum o orçamento online, mas depois de certa insistência, uma vez que ele estava cadastrado na plataforma e que a proposta era ser 100% online, ele topou e passou o preço. Quando ele visitou o lugar, disse que não poderia fazer a obra por aquele preço, porque o duto de ventilação ia ficar para fora da sala.

“Então, éramos três engenheiros, criadores da plataforma, e não conseguimos fazer o projeto de uma sala de reunião, porque a gente estava querendo que começasse e terminasse no online. A gente descobriu que isso não dava para acontecer, só após uma visita técnica”, lembra.

Foi quando a plataforma sofreu a primeira grande mudança. 

foto de depoimento de profissionais na sede do GetNinjas

Depoimento de profissionais na sede do GetNinjas

Na segunda versão, o cliente escolhia o profissional baseado em avaliações profissionais e outros fatores. No entanto, mais problemas surgiram: muitas vezes o cliente escolhia o profissional, mas ele não estava disponível, ou perdia muito tempo escolhendo entre dois profissionais.

Além disso, a comunicação era toda via e-mail. Como resultado, o profissional sabia do serviço dois ou três dias depois. Então, o cliente tinha um profissional, mas às vezes ele já tinha fechado com o porteiro do prédio. A solução, então, passou pela segunda mudança.

Hoje, o profissional recebe tudo via aplicativo, o que resulta em uma resposta muito mais rápida para o cliente, o filtro também melhorou. “O cliente diz o que ele quer e onde ele quer, a gente divulga em um alto falante e avisa os profissionais. Até três profissionais escolhem atender esse cliente e aí sim o cliente escolhe um daqueles três”, explica L’Hotellier.

Dessa forma, o sistema conta com escolha humana e pré filtragem do algoritmo em duas etapas principais:

  1. O sistema escolhe os profissionais de acordo com o algoritmo que pré-seleciona de acordo com distância, disponibilidade, entre outros 
  2. Os profissionais se disponibilizam e entram em contato com o cliente

“A maior diferença entre a gente e os nossos concorrentes é que em três minutos um profissional vai entrar em contato com você”, defende Eduardo. Ele tem razão: ao fazer um teste rápido do aplicativo, solicitei um serviço e deixei o celular de lado. Não completou nem dez minutos e vários profissionais começaram a entrar em contato.

A solução foi um sucesso, de fato. Mas como ela realmente funciona e como foram pensadas essas mudanças? Você descobre na Parte 3, onde iremos falar mais sobre a programação e a experiência do usuário!

Parte 3: Por trás do aplicativo

O GetNinjas teve como primeiro formato um protótipo de site feito na Índia, encomendado por Eduardo L’Hotellier pela internet. Em termos de produto mínimo viável (MVP) era uma boa opção: com apenas duas semanas de trabalho ele estava no ar. No entanto, conforme o projeto cresceu, foi preciso dar mais robustez à sua estrutura.

Estrutura

Hoje, quem comanda a área de TI é Lucas de Souza. Com quase cinco anos de GetNinjas, Lucas deixa claro que a startup é adepta do open source. Em outras palavras, dificilmente você verá o GetNinjas utilizando tecnologia paga em algum dos seus canais. Essa opção, segundo Lucas, é uma forma de apoiar a comunidade de desenvolvedores, mas também tem suas vantagens, como a redução de custos.profissional getninjas

Outro diferencial em relação à programação é que toda a sua estrutura está hospedada na Amazon. Isso permite dá escalabilidade automática para o negócio, ou seja, faz com que a plataforma seja capaz de crescer rapidamente ou suportar um pico de acessos sem sair do ar.

Dito isso, é hora de saber mais um pouco sobre as tecnologias usadas em cada parte do GetNinjas:

Back-end

“Toda a nossa esfera tecnológica tem muito código nosso, claro, mas a base utiliza muito framework pronto”, conta Souza. No caso, o framework utilizado no back end é o Rail e a linguagem, Ruby.

A escolha da tecnologia se deu por alguns motivos. Entre eles, o CTO afirma que além de Ruby ser uma linguagem mais fácil de aprender, a comunidade em torno dela é muito forte. Como resultado, é mais garantido conseguir um bom desenvolvedor de Ruby do que Python, por exemplo.

Front-end

O Google é a grande porta de entrada do GetNinjas. Por isso, não é de se surpreender que o front-end da startup seja o seu site. Diferente do back-end, o front-end está deixando de se basear no Rails para migrar para o Node.js. “Os desenvolvedores de front-end geralmente têm experiência com Node.js. Mas também é uma tecnologia muito rápida e escala melhor que o Rails”, revela Souza.

É possível que usuário final não sinta tanta diferença, mas com essa mudança as páginas serão renderizadas mais rápido. E, de fato, a importância da rapidez é mais que comprovada. Segundo Lucas, se a página demora mais que 3 segundos para carregar, 80% dos usuários vão embora.

Aplicativo

O aplicativo do GetNinjas também está passando por mudanças. Na versão Android, está mudando de Java para Kotlin. Para Lucas, a diferença é grande: “Kotlin é muito mais amigável e consegue construir coisas de uma forma bem mais rápida também”. Além disso, ele acredita que a próxima geração de desenvolvedores estará concentrada nessa linguagem devido às vantagens.

Em relação ao aplicativo em iOS, não há grandes novidades. A linguagem utilizada é a Swift, criada pela Apple como padrão para aplicativos iOS e Mac.

Mudanças

Lucas presenciou mudanças importantes na plataforma. Uma delas foi a da comunicação com o profissional. Assim que ele entrou na startup, a comunicação com o profissional era toda via e-mail. Na época a taxa de fechamento de serviços era muito ruim. Foi quando eles perceberam que muitos profissionais entravam no computador sábado na lan house.

Eles decidiram, então, testar uma nova forma: começaram a mandar propostas via SMS. Resultado? Sucesso! A taxa triplicou e ajudou a startup a entender um fator essencial dos seus clientes: eles não tinham computador, mas tinham celular.

A solução foi o aplicativo, que surgiu em 2014 com resultados excelentes. Mas não foi só em relação aos números que essa mudança impactou a empresa. “O mais legal dessa mudança foi o mindset. A gente percebeu que as áreas trabalhavam muito separadas. Então, criamos um modelo de squads: mini startups dentro da startup”, conta Lucas.celular com aplicativo getninjas

Esses squads, no caso, são grupos com uma pessoa de cada área da empresa – marketing, TI, Business Intelligence, design, etc. – que tem objetivos e metas próprios.

Teste para mudanças

Mas como essas mudanças de TI são feitas?

Segundo Lucas, toda biblioteca incluída e código escrito no aplicativo, por exemplo, são testados em relação ao consumo de memória e velocidade. Para garantir que todos os públicos sejam alcançados, a equipe testa as mudanças em celulares de última geração e em celulares com menos recursos.

“Um dos celulares que a gente usa para o teste é particularmente um inferno e a gente dá várias voltas para conseguir fazer ficar legal nele também”, revela.

Desafios

Por sinal, um dos principais desafios que a área enfrenta é se adequar ao máximo ao usuário. Uma questão que eles precisam estar atentos é quem é o profissional que usa o GetNinjas. Segundo o CTO, dificilmente eles são pessoas com um celular de última geração. Dessa forma, pouca memória combinada com muitas coisas instaladas pode comprometer o serviço.

A consequência disso é uma reação em cadeia: se o app for pesado, o cliente não consegue se comunicar com o profissional e a experiência de ambos é negativa. “A gente tem uma preocupação muito grande com memória, CPU, etc.. Se o aplicativo for muito pesado, o usuário não vai conseguir usar”, confessa.

Para contornar a situação, como já vimos, eles testam em vários tipos de celulares.

Outra área que está intimamente ligada com essa preocupação de usabilidade do usuário é a de design e UX. Mas essa vai ser explorada melhor somente na Parte 4!

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Na semana que vem, conheça mais sobre o design e a experiência do usuário do GetNinjas, como eles elaboram a melhor usabilidade e mais! Para receber por e-mail um aviso assim que ele sair, assine nossos Estudos de Casos e fique por dentro dos próximos casos e das suas atualizações!

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