Um método validado de conexão de grandes empresas e startups

Há muitas startups e alternativas de modelos de conexão mas sem saber seus objetivos, provavelmente, desperdiçará muitos recursos

É sócio-fundador da Innoscience, consultoria especializada em gestão da inovação corporativa

9 de novembro de 2017

Algumas das principais startups unicórnios (valuation acima de US$ 1 bilhão) foram financiadas por corporações. Por outro lado, as corporações precisam, cada vez mais, serem ágeis e inovadoras como as startups. No entanto, compreender a diferença entre grandes empresas e startups, o que cada uma tem a oferecer bem como as barreiras e benefícios, é decisivo para desenhar o melhor formato dessa potencial conexão.

Há diferentes formatos de conectar grandes empresas e startups para inovar mais e melhor. O ponto central é: Qual o modelo mais adequado para a sua empresa? Copiar o case do Bradesco, Itaú, Braskem, Porto Seguro, ou Microsoft e replicar na sua empresa seria como aquele paciente que vendo alguém com passa a tomar os mesmos remédios mesmo sem conhecer a sua  própria situação. Esqueça isso. Não faz nenhum sentido e não gera resultados relevantes.

A experiência atendendo as empresas mais inovadoras do Brasil somada a nossa vivência com startups em parques tecnológicos, aceleradoras e incubadoras nos permitiu desenhar um método simples mas brutalmente eficaz. O método Connection consiste num conjunto de 3 passos para configurar estrategicamente a iniciativa de inovação com startups da sua empresa.

Gostou do conteúdo? Não perca: a Nova Economia está revolucionando a cultura de gestão corporativa. A tecnologia tem desafiado modelos de negócios estabelecidos. As boas práticas de gestão e governança são importantes, mas não aceleram mudanças disruptivas. Existe um novo ecossistema de inovação que quer tomar o mercado dos incumbentes. Como juntar forças e se beneficiar dessa conexão, visando tanto a inovação radical, quanto a inovação incremental?  Não perca a oportunidade de conhecer o evento que a StartSe está promovendo sobre inovação corporativa via startups.

O primeiro ponto é saber O QUE você quer fazer. Há muitas startups e alternativas de modelos de conexão mas sem saber seus objetivos, provavelmente, desperdiçará muitos recursos. O segundo passo é, a partir do alinhamento estratégico, identificar COM QUEM fazer. A medida que você tem clareza do que quer, ficará evidente quem pode ajudar. Por fim, e, somente nesse momento, você decidirá o COMO fazer elegendo se optará por um programa de aceleração com equity, a montagem de um challenge como fizeram Buscapé, Bradesco e Hospital Albert Einstein ou contratar startups como fornecedor.

O método parte da premissa de que o tema mais importante é conectar a inovação com a sua estratégia de negócios. Detalhemos cada fase do Connection.

O QUE FAZER

A primeira parte do método consiste em definir O QUE fazer. Utilizamos para tanto um instrumento que é a matriz de horizontes adaptada de uma versão da Mckinsey.  O diagrama apresenta 3 horizontes de desenvolvimento estratégico. O horizonte 1 envolve Reforçar o negócio existente. Não importa se por meio de produto, processo ou novos serviços.

Fonte: Innoscience adaptado de Mckinsey

O horizonte 2 trata da Renovação do negócio atual. Muitas empresas estão sofrendo essa ameaça. Modelos de negócios disruptivos tornando seu modelo obsoleto. Nesse caso o objetivo pode ser ampliar o mix para novas categorias, identificar novos modelos de negócio ou se movimentar na cadeia de valor.

Por fim no horizonte 3 a Criação de novos negócios é o objetivo. Nesse caso não adianta nada você fazer um programa de relacionamento com startups para contratar como fornecedora de uma tecnologia de elearning para melhorar o treinamento dos funcionários de sua filial pois essa não é a sua prioridade estratégica.

Alguns profissionais do meio da inovação tem sustentado que um objetivo para o qual é útil se conectar com grandes empresas é oxigenar a marca da sua empresa. Ora, o consumidor não é bobo. Esse tempo acabou. Ninguém compra nada de sua empresa pois você se relaciona com startups. Não compre gato por lebre. Naturalmente esse tipo de conexão traz como efeito secundário a adoção de novas práticas de gestão e a oxigenação cultura mas saiba com absoluta clareza e formalize junto a alta gestão qual o objetivo estratégico com esse tipo de iniciativa.

COM QUEM FAZER

Sabendo O QUE fazer fica mais fácil definir com quem fazer. Diretamente com as startups? Por meio de aceleradoras e incubadoras? Investindo em Venture Capitals? Ao definir essa segunda parte do método tenha em mente duas questões centrais: a área de atuação da startup e seu estágio de desenvolvimento.

Se você estiver buscando reforçar o negócio atual, em sua área de relacionamento com consumidor, é provável que contatar startups em estágio inicial que desenvolvam um novo e incrível software de RH seja pouco produtivo, tanto pela área quanto pelo tempo que demorará para a solução estar pronta.

Tomemos outro exemplo. Sua empresa é um laboratório farmacêutico e decidiu que o objetivo é criar novos negócios além do seu core business focando as oportunidades da revolução digital nos serviços de saúde. Nesse caso, os alvos deverão ser relacionados ou potencialmente aplicáveis a saúde e poderão estar em estágios mais “early stage” para futura incorporação na empresa. Também precisará encontrar startups que tenham interesse num formato de negócio mais intenso do que simplesmente vender seus serviços para seu laboratório.

O foco é decisivo para ter eficácia na busca de starups. Se você não sabe o que quer, vai ser difícil de reconhecer quando encontrar. Optar por não segmentar a busca é sinônimo de etapas de screening e filtros mais onerosas e menos eficientes.

COMO FAZER

Vamos falar um pouco do que tem sido feito por grandes empresas e startups. De um lado iniciativas de menor demanda de envolvimento e ideias em estágios mais embrionários e de outro mecanismos mais intensos com ideias mais consolidadas.

Fonte: Innoscience

  • Eventos: A Farmacêutica Roche desenvolveu uma iniciativa denominada Portas Abertas na qual identificou ativamente startups alinhadas a um de seus desafios de negócio para que fizessem pitchs para a gestão da empresa no sentido de identificar potenciais oportunidades de contratação de serviços, parcerias ou investimento.
  • Incubadora/coworking: O Google estruturou um Campus em SP, onde oferece espaço de coworking para empreendedores e startups. Lá também ocorre o desenvolvimento de determinados programas de aceleraçãoo do Google.
  • Pré-aceleração: A Danone faz parte de um programa focado em startups em estágio inicial focado em desafios da Primeira Infância com intencionalidade de impactar a população de baixa renda.
  • Aceleração: A Braskem desenvolveu o Braskem Labs em parceria com a Endeavor. Um programa de seleção e aceleração de projetos com impacto social relacionados ao plástico. A Endeavor procura e seleciona junto com a Braskem os alvos e depois ambas fornecem um conjunto de serviços de mentoria e capacitação para as startups desenvolverem suas soluções. A Porto Seguro tem um programa denominado Startup interna na qual acelera ideias de seus próprios funcionários junto de sua aceleradora , a Oxigênio.
  • Contratação de Serviços: A Tecnisa, uma das empresas mais inovadoras do Brasil executa há 5 anos um programa chamado Fast Dating. A cada 21 dias a empresa recebe um grupo de startups que tem 10min para apresentar suas soluções para diferentes áreas de negócio da empresa. As startups que encantarem o time da Tecnisa recebem um encontro sem tempo marcado para conversar. O Bradesco realizou uma chamada de startups para selecionar parte delas para um processo de aceleração com executivos do banco e identificar as que poderiam ser úteis para as diferentes áreas do banco. Ao final um grupo de menos de 10 foram selecionadas para pilotos junto a empresa.
  • Parcerias: A Dell estabeleceu nos EUA parceria com startups para desenvolvimento conjunto de soluções que poderão serem levadas a mercado. Esses JDA’s – joint development agreements possibilitam a empresa estabelecer o escopo do projeto e papel e responsabilidade das partes.
  • Corporte Venture Capital (CVC): A Intel, conhecida por sua linha de produtos Pentium, Celeron e microprocessadores investe em dezenas de empresas mundo afora e no Brasil adquirindo parcela de participação (equity) em empresas que possam fomentar ou renovar seu negócio existente. Em determinados casos a empresa integra essas startups ao seu negócio e noutras as vende mais tarde obtendo resultado financeiro.

Há um menu de alternativas desde modelos menos intensos, baseados em eventos até o mais sofisticado, centrado em investimento de uma grande empresa em equity de startups.

O melhor formato de conexão é aquele que cumpre os seus objetivos estratégicos. Há empresas como Microsoft, Porto Seguro, Bradesco e Embraer que tem apostado em modelos híbridos que cobrem startups em diferentes estágios, por meio de distintos formatos, para cumprir alguns de seus objetivos de negócios.

O método Connection impõe a disciplina e alinhamento estratégico necessários para que sua corporação seja mais ágil e inovadora e enfrente ou colabore com maiores chances de êxito os potenciais unicórnios.

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