Conheça quem mais investe em tecnologia no mundo! Dica: ele é chinês.

De acordo com a Forbes, Neil Shen, da Sequoia Capital China, lidera a lista Midas 2018

Ricardo Geromel é fundador do San Francisco Deltas e sócio da StartSe

10 de julho de 2018

O melhor investidor em tecnologia do mundo é chinês!!! De acordo com a Forbes, Neil Shen, da Sequoia Capital China, lidera a lista Midas 2018 – na mitologia grega, tudo o que o Rei Midas tocava, virava ouro.

Neil Shen nasceu em Shanghai (cidade onde moro) e seu nome original era Shen Nanpeng. Muitos chineses adotam um nome ocidental e na China, o sobrenome vem primeiro. Para ficar claro: eu seria Geromel Ricardo e não Ricardo Geromel. Shen Nanpeng virou Neil Shen e foi estudar nos EUA, na prestigiosa Yale (onde também estudaram George W Bush, Hillary e Bill Clinton, Meryl Streep, Edward Norton) e trabalhou no mercado financeiro em Wall Street antes de empreender.

Ele foi co-fundador e CFO do Ctrip.com, espécie de KAYAK ou Expedia Group aqui da China. O Ctrip é um dos apps essenciais que eu recomendo para todos que vem visitar ou passar uma temporada por aqui. Os chineses usam Ctrip para comprar passagens de trem, avião e muito mais. Anedota interessante do Ctrip é que a empresa cresceu com Shen e seus sócios apostando que as pessoas gostariam de falar com alguém antes de comprar os bilhetes. Então foram na contra-mão da economia digital e empregaram um gigantesco call center – enquanto os competidores não ofereciam esta opção. A estratégia deu certo e a Ctrip hoje vale mais de US$ 23 bilhões.

Depois de ser um empreendedor de muito sucesso, Shen foi convidado para liderar o escritório da Sequoia na China. A Sequoia é o Real Madrid dos fundos de investimento em tecnologia. Eles simplesmente investiram cedo em Apple, Google, Whatsapp, Facebook e outras que fazem parte do cotidiano de bilhões de pessoas ao redor do mundo.

Parte essencial do trabalho do investidor em empresas de tecnologia (os famosos VCs) é identificar os melhores talentos o mais cedo possível. Seria como identificar Messi ou Cristiano Ronaldo quando eles tinham apenas 5 anos. Apostar firme neles, ajudar a bancar seu crescimento, dar conselhos e sugestões nas tomadas de decisões e torcer para o craque-mirim não se lesionar de maneira grave.

Na liderança da Sequoia na China, Shen tornou-se bilionário em dólares. A China só esta atrás dos EUA em números de bilionários. Ele teve papel fundamental em trazer Linkedin e Airbnb para o país e também liderou investimentos na Alibaba, a maior varejista do mundo e que teve o maior IPO (Initial Public Offering ou abertura do capital da empresa na bolsa) da história; na agressiva varejista JD.com, espécie de Amazon da China; na DJI, chinesa que vende 50% dos drones comerciais neste planeta.

Além de investir em empresas que somadas valem mais de US$ 1 trilhão e liderar bilhões de dólares em investimentos, Shen é conhecido por carregar três celulares, ser rigoroso no processo de “due-dilligence” (o estudo aprofundado dos números, contratos e históricos de uma empresa), gostar de golf e empregar mais pessoas na sua equipe do que os fundos americanos estão acostumados.

Na ilha tropical de Hainan, espécie de Hawaii para os chineses, Shen tem uma mansão colada na de Jack Ma, fundador da Alibaba e vigésima pessoa mais rica do mundo na ultima lista da Forbes. O simples fato dele investir em uma empresa automaticamente aprecia o valor de mercado da dita cuja. Ou seja, a empresa não muda em nada, apenas tendo o nome dele como investidor, ela passa a valer mais (o mercado não é racional).

Lembre-se do impacto da China na Nova Economia global! O país já lidera Inteligência Artificial, e-commerce e fintechs. O primeiro unicórnio brasileiro (99 Taxi) só atingiu aquela valuation (valor de mercado) graças a investimentos chineses. Investimentos de capital de risco na América Latina foram de US$ 30 milhões em 2015 para US$ 1 bilhão em 2017. Pouco depois das eleições de 2016 nos EUA, a China “prometeu que o investimento direto estrangeiro alcançará US$ 250 bilhões até 2025”. Eles estão chegando!

Mais sobre a lista Midas da Forbes

A Forbes entrega o prêmio Midas e lança uma lista dos 100 melhores investidores de tecnologia a cada ano. O ano passado participei da cerimônia de entrega do prêmio, na Nasdaq Entrepeneurial Center – prédio vizinho ao escritório da StartSe em São Francisco. Foi uma honra estar na mesma sala que vários membros da realeza do Vale do Silício. No Oscar para a indústria de investimentos em tecnologia, a maioria das pessoas estavam vestidas de jeans e havia pouquíssimas mulheres.

O setor de investimentos em tecnologia é um dos que tem menor participação feminina nos EUA: em 74% dos fundos de investimentos dos EUA não há mulheres em posições de tomar decisão; 53% dos maiores fundos não tem mulher nenhuma. Estes dados são de Alex Konrad, que é um dos editores da Midas e explica a metodologia da Forbes para compilar a lista: leva-se em consideração os retornos em mais de 4 mil “deals” (negócios) de centenas de fundos de capital de risco.

Me incomoda demais a falta de representação das mulheres no mundo dos investimentos e eu gostei de ver que no artigo anunciando a lista deste ano, a Forbes incluiu foto de 36 mulheres se destacando em fundos de capital de risco (apesar de só ter 9 mulheres entre os 100 principais investidores em tech no mundo). Aliás, uma delas foi Emily Melton, que havia investido no San Francisco Deltas, time de futebol que co-fundei.

Tenho duas grandes apostas para a lista Midas do ano que vem:

  • Mais investidores da China!
  • Mais investidores mulheres!

Assim como me incomoda a falta de representação feminina no mundo de investimentos, me incomoda o quão pouco a maioria dos brasileiros sabe sobre a China. Antes de terminar, deixo a provocação: pergunte-se o que você sabe sobre o país que é lar de cerca de 20% da população mundial? Recomendo as missões da StartSe para quem quiser conhecer a nova economia da China.

Zaijian!

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