O2O: o termo essencial para entender o futuro do varejo na China

Como as pessoas irão ao mercado no futuro? Para responder esta pergunta, não precisa ter grande imaginação, basta viajar a China.

varejo na china

Ricardo Geromel é fundador do San Francisco Deltas e sócio da StartSe

6 de julho de 2018

No futuro, será impossível desassociar o mundo online do mundo offline.

Você já ouviu falar na famosa frase “software vai devorar o mundo”? Ela foi cunhada pelo bilionário Marc Andreessen, que investiu no Instagram, Facebook, Oculus VR e outras vanguardistas. Acredita-se que no futuro todas as empresas e todos os setores serão de alta tecnologia. Alguns até acreditam que os próprios seres humanos serão high tech e que incorporaremos tecnologia no nosso corpo para vivermos muito mais ou até evitar a morte.  Parece enredo de ficção cientifica, não é? Na China, esse é um futuro que já começou.

Como as pessoas irão ao mercado no futuro? Para responder esta pergunta, não precisa ter grande imaginação, basta viajar a China. Uma pessoa que está na China há mais de 15 anos me disse: “o Brasil está 10 horas atrás da China em fuso horário e 10 anos no quesito varejo”.

O essencial para entender este futuro é imaginar uma sociedade quase que cashless (sem dinheiro em espécie). Imagine que a suprema maioria das transações comerciais (compras, vendas, empréstimos) se darão sem dinheiro em espécie e sem cartão de crédito. Como são pagas as coisas, então? Online! Especialmente via dispositivos móveis (celulares, relógios inteligentes, tablets). Em várias cidades na China, já é assim. Duvida? Na China foi gasto mais de 70 vezes o que foi gasto nos EUA em pagamentos móveis, o segundo maior mercado do mundo. US$ 9 trilhões na China contra US$ 112 bilhões nos EUA em 2016.

wall street journal

Repare no crescimento de 2011 para 2016; crescimento avassalador, crescimento chinês.

O2O é o termo essencial para entender o novo varejo. O termo significa Online para Offline e foi descrito como uma oportunidade de US$ 1 trilhão. Se refere a usar estratégias online para que as pessoas executem compras no mundo offline. No caminho a barreira invisível entre online e offline vai gradualmente deixando de existir. Um exemplo para explicar este conceito é o Groupon, site de compras coletivas que chegou a ser uma das empresas de maior crescimento da história da humanidade. No Groupon, você paga online para ir comer em um restaurante ou assistir a um filme no cinema ou receber uma massagem, por exemplo.

Antigamente, as empresas do mundo offline abriam um site. Agora, empresas que nasceram sem uma presença “brick and mortar” (com lojas físicas) estão abrindo lojas físicas. A superpoderosa Amazon pagou mais de US$13 bilhões para comprar a Whole Foods, espécie de Pão de Acucar americano. Mas não é a única! Warby Parker, que começou vendendo óculos em 2010 como um website, já tem 64 lojas e planeja chegar em 100 até o final do ano. Outros que nasceram online e estão com presenças físicas são: Casper (camas), Everlane (roupas), Harry’s (produtos para fazer a barba), Untuckit (roupas masculinas) e Allbirds (calçados).

Porque isso? Porque essas marcas online estão abrindo lojas físicas? A vida me ensinou que na maioria das vezes, não importa a pergunta, a resposta é sempre “follow the money” ou “siga o dinheiro”. Veja só estes dados do Wall Street Journal:

Repare que o dinheiro no varejo ainda está largamente no offline. Nos EUA, 91% das vendas no varejo ocorreram no mundo offline. Repare que o e-commerce da China já é muito maior do que o dos EUA, tanto em termos absolutos ($), quanto relativos (%). É lugar-comum dizer que o líder mundial de e-commerce é a China. Logo, o bicho papão do e-commerce da China é também o maior varejista do mundo: o grupo Alibaba, que simplesmente teve o maior IPO da história – e ainda assim não é bem conhecido nem no Brasil nem no Vale.

Eu e outros sócios daqui da StartSe tivemos uma reunião com executivos da Alibaba, na sede da empresa em Hangzhou, que nos contaram alguns dados suculentos sobre a gigante:

  • Vendas internacionais (da China para outros países e vice-versa) via Aliexpress quase dobrou (crescimento de 93%), chegando a US$ 727 milhões.
  • Usuários ativos via dispositivos móveis (MAU): 580 milhões! Mais que a população da América do Norte inteira!
  • Alipay, o braço financeiro, processou 1.5 bilhões de transações de pagamento; mais de 4 milhões por dia em media.
  • Alibaba Cloud, o braço de serviços de nuvem atingiu um novo recorde, processando 325 mil ordens de compra por segundo.
  • Em dezembro de 2017, a empresa anunciou um fundo social de US$ 1.5 bilhões para combater pobreza na China.

Perguntei qual o item mais importado do Brasil e eles nos disseram que eram especiarias locais, como frutas. Também explicaram que a Alibaba vende mais online em um dia do que é vendido no Brasil em e-commerce no ano inteiro! E mais do que os 3 dias de mais vendas online dos EUA somados.  E aí, até quando o vamos continuar ignorando a Alibaba?

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