Transformação Digital e Inovação: a nau de Lisboa de volta à vanguarda

É claro que o impacto da navegação de grandes distâncias e do empreendedorismo atual portugueses são incomparáveis. Pelas dimensões e por suas conquistas. Mas quando o assunto é transformação digital, por uma série de fatores, são fortes os sinais de que o ecossistema empreendedor de Lisboa hoje encontra condições de clima e população semelhantes aos de grandes hubs de inovação pelo mundo, devolvendo à capital portuguesa certo protagonismo dentro da Europa. Tal movimento acontece enquanto Londres começa a sentir os efeitos do Brexit, que, além de enrijecer as regras para estrangeiros, torna a escolha da cidade menos atrativa por causa da […]

Empreendedor, sócio da Kyvo Design e Inovação e representante oficial da aceleradora de startups do Vale do Silício GSVlabs no Brasil

9 de janeiro de 2018

É claro que o impacto da navegação de grandes distâncias e do empreendedorismo atual portugueses são incomparáveis. Pelas dimensões e por suas conquistas. Mas quando o assunto é transformação digital, por uma série de fatores, são fortes os sinais de que o ecossistema empreendedor de Lisboa hoje encontra condições de clima e população semelhantes aos de grandes hubs de inovação pelo mundo, devolvendo à capital portuguesa certo protagonismo dentro da Europa.

Tal movimento acontece enquanto Londres começa a sentir os efeitos do Brexit, que, além de enrijecer as regras para estrangeiros, torna a escolha da cidade menos atrativa por causa da menor integração com os demais países da União Europeia. E a capital alemã Berlin, que desde o início dos anos 2000 reuniu artistas, estudantes e empreendedores digitais, já se mostra mais cara para quem pretende começar algo do zero.

Lisboa, por sua vez, tem premissas básicas para se fortalecer como hub de inovação. Infraestrutura adequada (no caso das rodovias, até excessiva), nível educacional elevado e custos de vida muito competitivos. Também recebeu nos últimos anos uma série de iniciativas voltadas a incentivar o empreendedorismo digital. Algumas delas valem ser mencionadas para entender o atual momento lisboeta.

  • Em 2015, a capital portuguesa foi eleita uma das melhores cidades pela União Europeia, segundo a classificação European Entrepreuneurial Region. Entre os pontos de destaque, a comissão julgadora coloca o tempo recorde para abrir uma empresa na região, o programa Startup Lisboa, que integrou uma incubadora ao projeto de revitalização dos bairros que formam a Baixa Lisboeta, a premiação Lisbon Challenge e a política pública de Empreendedorismo Jovem Lisboa.
  • Desde 2016, Lisboa sedia o Websummit, considerado o Fórum Econômico Mundial da inovação e empreendedorismo. No ano passado, figuras como Stephen Hawking, François Hollande, Al Gore, Mark Hurd (presidente da Oracle) e Brad Parscale (estrategista digital da campanha de Donald Trump) foram alguns dos palestrantes dos quatro dias de evento. Cerca de 60.000 pessoas foram ao evento, sendo CEOs mais de 10% destes.
  • Baixo custo de vida (75% menos do que em Londres e 50% menos do que Berlin) e qualidade de vida em comparação com outras capitais europeias. Nessas duas categorias, a capital portuguesa têm nota máxima no indicador European Digital City Index.
  • No fim de 2016, o primeiro-ministro António Costa anunciou um fundo de 200 milhões de euros para investimentos de risco em empresas inovadoras. O governo foi no cerne de uma das principais questões para as startups: investimento para a fase de operação em maior escala do negócio.

São fatores como esses que têm contribuído para a reversão de um cenário que remete ao cântico popular “Fado do Marinheiro”, em que a completa falta de esperanças logo enxerga em Lisboa a solução. No caso atual, vale lembrar que a capital lusitana viu um terço de sua população emigrar nas décadas de 80 e 90. Depois, em 2007, assistiu o desespero sobretudo dos jovens durante a grande crise econômica que assolou o mundo, mas caprichou mais em Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda.

As multinacionais portuguesas, além do governo do país, já perceberam a importância de investir na transformação digital. Neste sentido, um relato pessoal: na empresa que presido, a Kyvo Design-Driven Innovation, tivemos a oportunidade de trabalhar diretamente com a EDP no EDPStarter Brasil e também com consultoria para o grupo Sonae Sierra. Experiências bem sucedidas e que corroboraram para a abertura de uma filial nossa em Lisboa.

Casos pessoais a parte, em um momento de efervescência do turismo português, vale atentar também para o que está acontecendo no ecossistema empreendedor. Terras de Lisboa estão com tudo.

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