Conheça o Womenwill, um programa da Google que empodera e capacita mulheres

O Womenwill chegou no Brasil, quinto país a receber o programa, que já passou pelo Japão, Índia, Indonésia e México

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

4 de maio de 2018

A população brasileira é, majoritariamente, composta por mulheres. De acordo com Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio 2013, realizada pelo IBGE, essa fração da população vive mais tempo, conta com uma educação formal mais sólida e ocupam 44% das vagas de emprego registradas no país. Em contrapartida, o número de mulheres desempregadas é 29% maior do que o de homens – e as mesmas representam apenas 2,8% dos cargos de liderança.

Frente a esse cenário, a Google criou o Womenwill – um programa global que tem como objetivo criar oportunidades econômicas para promover o desenvolvimento e o sucesso das mulheres ao redor do mundo. “A iniciativa é começou no Japão, onde o principal desafio era a desigualdade de gênero. Lá, quando as mulheres ficavam grávidas, nunca mais voltavam a trabalhar. Mas a Google, em parceria com empresas locais, conseguiu fazer com que essas mulheres se realocassem no mercado de trabalho, mesmo depois de ter filhos”, conta Susana Ayarza, Diretora de Marketing do Google.

A Índia também foi palco do Womenwill. Segundo Susana, as mulheres indianas tinham um pouco ou nenhum acesso à internet e dispositivos móveis. “Fizemos uma parceria com uma empresa local para treinar mulheres da comunidade”, conta. O projeto distribuiu celulares e ofereceu conhecimento técnico para capacitar as mulheres da região. “Com isso, elas até poderiam ensinar outras mulheres da comunidade para aumentar a porcentagem do país”.

É a vez do Brasil

O Brasil é o quinto país a receber o programa, que já passou pelo Japão, Índia, Indonésia e México. Mas no Brasil, de acordo com Ayarza, o foco é um pouco diferente. Com a crise enfrentada pelo país nos últimos anos, o número de pessoas desempregadas cresceu – principalmente entre as mulheres que não tem acesso à educação formal.

Diante do contexto político e econômico do Brasil, o Womenwill fornece as ferramentas necessárias para que as mulheres possam usufruir ao máximo do mundo digital. “Aqui, nós buscamos empoderar essas mulheres oferecendo ferramentas para que elas possam encontrar novas oportunidades de trabalho, mudar de carreira ou até abrir seu próprio negócio”, diz.

Para testar as reais necessidades das mulheres brasileiras, a Google organizou, em dezembro de 2017, um piloto com 100 moradoras de Paraisópolis e Brasilândia, em São Paulo. De acordo com Ayarza, a capacitação técnica foi essencial para o sucesso da iniciativa. “Após ações em Paraisópolis e Brasilândia, aprendemos que não adianta nada só entregar a ferramenta digital sem capacitá-las antes. É importante, antes de qualquer coisa, deixa-las seguras com a liderança e com a própria comunicação”.

O Womenwill oferece um treinamento de Marketing Digital – no qual as mulheres aprendem conceitos básicos da área, incluindo temas com estratégia, websites, links patrocinados e mídias sociais. Além disso, o treinamento propõe a inclusão das mulheres no mercado profissional ao ensiná-las sobre desenvolvimento pessoal e profissional, liderança feminina, técnicas de negociação e finanças pessoais.

Próxima parada: Nordeste

Depois do sucesso do programa em São Paulo – que agora se tornou mensal –, a Google levou a iniciativa até o Nordeste do país. A região, segundo Suzana Ayarza, possui um baixo índice de empregabilidade de mulheres e o acesso ao mundo online é ainda mais difícil do que em outras regiões do país.

Em um piloto no último ano, foram treinadas mais de 5 mil pessoas em Salvador e Recife. Mas agora, com a expansão, espera-se treinar presencialmente 20 mil pessoas de abril a julho em seis diferentes capitais do país. A primeira edição da nova etapa do projeto aconteceu em Teresina/PI, nos dias 25 e 26 de abril.

O futuro do Womenwill

Contudo, mesmo a comunidade de mulheres não é homogênea – dentro dela, há uma infinidade de grupos com suas particularidades. “Na prática, nos deparamos com grupos de mulheres transexuais, mulheres que sofreram violência doméstica, mulheres que foram abusadas. Há diversos grupos dentro da própria comunidade de mulheres”, afirma Suzana Ayarza.

Por esse motivo, no futuro é possível que o programa também ofereça treinamentos específicos. “Dependendo da parceria que fecharmos nos próximos meses, é possível trazer parceiros para expandir disciplinas e formular treinamentos com tópicos mais específicos”, revela. Por enquanto, a solução para atender essas minorias é dar prioridade a elas no momento da inscrição – que pode ser feita online pelo site do programa.

Além disso, a expectativa é que o Womenwill seja expandido para outros municípios no próximo trimestre – como Brasília, Natal, João Pessoa e Fortaleza. “Queremos impactar 10 mil mulheres em 2018 e buscamos chegar a número ainda maiores nos anos seguintes”. Mas a iniciativa não acabará por aí. Segundo Ayarza, a Womenwill está em busca de parceiros para multiplicar o programa em toda a América Latina.

Receba as novidades mais quentes da Tecnologia no mundo em seu e-mail.

Compartilhe:
Classifique: