“O sistema prisional brasileiro é controlado por facções”, admite ministro

O Ministro de Segurança Pública do país e especialistas discutiram em evento o uso de tecnologia na segurança pública

Tainá é repórter da StartSe

9 de agosto de 2018

O Ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, questionou a falta de dados confiáveis na segurança pública nesta terça-feira (7), no Govtech, evento realizado pela Brazil LAB e ITS Rio. Para ele, a geração de bons dados é fundamental na luta para um Brasil mais seguro.

O evento reuniu Ilona Szabó, fundadora do Instituto Igarapé, Tiago Camargo, Secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência e Raul Jungmann em um painel mediado por Joana Monteiro, diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública.

Jungmann, Camargo e Szabó discutiram como a segurança pública pode ser impactada pela tecnologia. “A segurança pública é o reino de escuridão e opacidade. O Estado brasileiro não é capaz de ter uma única estatística confiável sobre segurança pública. Investimos milhões em um sistema de informações que não informa”, afirmou Jungmann.

O mapeamento nacional de dados criminais – principalmente no setor carcerário – foi uma bandeira levantada pelo ministro. “O coração das trevas é que o sistema prisional brasileiro é controlado por facções. Todas elas surgiram dentro do sistema penitenciário brasileiro e todas continuam mandando na cadeia do crime”, afirmou.

O ministro defendeu que a população se sente amedrontada e pede pela prisão, quando na verdade deveria pensar em prevenção social. “Essa política de encarceramento está nos levando a criar um monstro que irá nos destruir. Se o Estado não recuperar a capacidade de ter o controle dentro do próprio aparato prisional, o que vai acontecer?”, questionou.

Na opinião de Jungmann, os dados seriam utilizados para trazer informações e mudar o sistema criminal e penitenciário brasileiro. Segundo o ministro, “é fundamental que tenhamos respostas urgente”. O mesmo ponto de vista foi defendido por Joana Monteiro, do Instituto de Segurança Pública. “A informação e o uso de dados é a central para começarmos a usar novas estratégias”, disse.

A tecnologia impactando na segurança pública

Ilona Szabó, do Instituto Igarapé, trouxe exemplos de como a tecnologia está impactando na segurança pública. A diretora-executiva do Instituto trouxe o exemplo do ISP GEO, uma ferramenta de análise criminal que reúne dados georreferenciados de fontes como Policia Civil, 190, entre outros.

A diretora também citou o Crime Radar, uma plataforma que traz predições de crimes a partir da análise de dados. O Crime Radar reúne dados de crimes passados – como local e horários mais frequentes – para prever a expectativa de crime em uma região.

Em um país onde a violência criminal é uma pauta frequente, o Cop Cast foi criado para trazer mais confiança entre os policiais e cidadãos. “O Cop Cast é uma câmera corporal que grava vídeo, áudio e localização, conseguindo acessar o policial em tempo real”, comentou Szabó.

Já Tiago Camilo, Secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, acredita na criação de um ambiente colaborativo adequado para trazer segurança em ambientes digitais.

Créditos da foto: Govtech / Luis Simione

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