Vender a startup? O fundador da Kit disse que nunca o faria, mas mudou de ideia

Perry queria construir uma empresa de capital aberto, porém, decidiu vender a Kit para uma empresa de software de comércio eletrônico, a Shopify

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

6 de julho de 2018

Após atuar quase uma década como empreendedor, Michael Perry nunca imaginou trabalhar para outra pessoa. Sua última empresa, a Kit, desenvolveu um assistente digital muito popular entre proprietários de pequenas empresas que, na maioria das vezes, vendem seus produtos em plataformas como a Etsy e a Amazon. A ferramenta permite que esses empreendedores enviem e-mails para seus clientes, exibam anúncios no Facebook e até mesmo gerem relatórios de marketing.

Em 2016, a Kit tinha mais de 2 mil assinantes no mundo e faturava US$ 30 mil por mês em receita – a qual crescia de 20% a 30% ao mês, segundo a lista “30 Under 30” da Forbes. Além disso, esse mesmo ranking nomeou Perry como um dos melhores e mais jovens líderes da época.

O sonho de Perry era construir uma empresa de capital aberto e, mesmo com o sucesso da startup, ele não queria vende-la tão cedo. Porém, no mesmo ano, a Kit foi vendida para uma empresa de software de comércio eletrônico, a Shopify. Apesar de não ter revelado a quantia envolvida no acordo, Perry decidiu compartilhar algumas razões para ter voltado atrás em seu compromisso de nunca vender a startup:

A cultura do Shopify foi um dos motivos que fizeram Perry vender a Kit

Fundada em 2004, o Shopify faz softwares que ajudam proprietários de pequenas empresas a executarem suas lojas em diversas plataformas. Três anos depois de abrir seu capital, a gigante de tecnologia menos conhecida tem um valor de mercado de cerca de US$ 16 bilhões.

O Shopify foi um dos motivos que fizeram Perry vender sua startup. No geral, o empreendedor sentia uma sensação de alinhamento entre sua missão e os objetivos do Shopify. “Chegamos à conclusão de que estávamos realmente tentando realizar a mesma coisa”, disse Perry, que agora é diretor de tecnologia de produtos e marketing do Shopify e responsável por administrar o Kit. “Nós realmente sentimos que poderíamos fazer mais juntos de uma maneira formal do que como estávamos posicionados”.

No início do processo, Perry sentou-se com o fundador e CEO do Shopify, Tobi Lütke. “Após a conversa, eu meio que saí de lá pensando assim: essa pessoa é significativamente mais inteligente do que eu”, disse Perry. Além de compartilhar os mesmos objetivos de Perry de ajudar os empreendedores a ter sucesso, Lütke também tratava os funcionários excepcionalmente bem, de acordo com Perry. O Shopify, com sede em Ottawa, Ontário, oferece diversos benefícios aos seus funcionários, como almoços, tempo de férias ilimitado e trabalho remoto – além de contar com uma equipe interna de coaching executivo para promover o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores.

Os funcionários do Shopify também recebem um orçamento a cada ano para desenvolver as habilidades que desejam aprimorar. No passado, por exemplo, os trabalhadores tinham aulas de improvisação para melhorar suas habilidades de apresentação, aprendiam um idioma e viajavam para os festivais de arte da Art Basel para encontrar inspiração.

Por essas e outras razões, a decisão de Perry de vender para o Shopify foi óbvia. “Só me dei conta de que, se eu quisesse que minha missão se tornasse realidade, só haveria realmente uma empresa que alguma vez faria sentido juntar as forças”, disse ele.

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(Via: Business Insider)

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