Fundadores formam o pior tipo de CEO para empresas

Pesquisa realizada por professores de Harvard e Duke constatou que empresas lideradas pelos fundadores são 9,4% menos produtivas

Tainá é repórter da StartSe

6 de dezembro de 2017

Uma pesquisa feita por um time de professores das universidades de Duke, Vanderbilt e Harvard traz o veredicto: empresas que são comandadas pelos fundadores são menos produtivas do que as que possuem CEOs que não iniciaram a empresa.

Para chegar a esse resultado, pesquisadores investigaram nos dados coletados pelo World Management Survey, que traz um relatório de mais de 13 mil empresas (de médio a grande porte) em 32 países. Eles constataram que empresas lideradas pelos fundadores são em média 9,4% menos produtivas. Nesses casos, as médias de gestão eram as piores – o que geralmente mudava quando o CEO-fundador era substituído.

“CEOs fundadores são, de longe, o pior tipo de CEO”, disse Victor Bennett, professor assistente de estratégia na Duke Fuqua School of Business e co-autor da pesquisa.

O professor Noam Wasserman, professor na USC Marshall School of Business, analisou 212 startups lançadas dos anos 90 e começo dos anos 2000. Ele descobriu que apenas 50% dos fundadores ainda controlavam suas empresas depois de três anos da fundação. Quatro anos depois, o número baixou para 40%. E apenas 25% dos fundadores eram CEO quando suas empresas fizeram IPO (primeira oferta pública).

Isso acontece porque investidores normalmente não investem em companhias que são muito dependentes de uma pessoa só e geralmente oferecem um CEO “externo” como uma condição para o investimento.

Além disso, as habilidades necessárias para criar um produto são diferentes das requisitadas para expandir um negócio – muitos CEOs são excelentes para demonstrar a visão e conseguir investimento, mas pecam na gestão de cada dia. Para conhecer a forma de pensar dos investidores, participe da InvestClass – um treinamento exclusivo com os maiores investidores-anjo do Brasil. Confira.

Wasserman ainda traz o conceito “rico versus rei” como a motivação do fundador de criar uma empresa para ter a liberdade de tomar as decisões que desejar, incluindo decisões precárias. O termo foi criado na empresa do Vale do Silício Onset Ventures. Se a intenção é ganhar dinheiro, geralmente ele tomará decisões mais pragmáticas, mas se ele apenas quer ter poder de decisão…

“Nós decidimos que alguns diretores optam por menos transparência na gestão – fazendo nepotismo, etc – parcialmente porque é para isso que eles entraram no jogo. Eles podem saber que é um sistema menos eficiente de gestão, mas essa é a razão que eles são CEO”, disse Victor Bennet.

Justamente por isso, 80% dos fundadores que Wasserman analisou tiveram que ser forçados a saírem de seus cargos para o bem da empresa. “A maioria dos fundadores ficam chocados quando os investidores querem que abram mão do controle, e são retirados de seus escritórios de maneiras que não concordam, antes de abdicarem”, Wasserman escreveu na pesquisa.

Para Wasserman, a forma como os fundadores lidam com a primeira mudança de liderança pode consagrar ou quebrar novas empresas.

(Via Quartz At Work)

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