6 lições de um especialista em procurar startups para investir

Marcelo Ferrari Wolowski, investidor e sócio da BZPlan, nos deu seis lições do que ele aprendeu após anos fazendo isso como profissão

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

23 de novembro de 2016

Investir em startups pode ser extremamente lucrativo. Mas é também muito mais arriscado que qualquer outra forma de investimento: dê um passo errado e você corre o risco de perder tudo que você investiu. Por isso, é muito importante que você tenha noção do que está fazendo.

Por isso, Marcelo Ferrari Wolowski, investidor e sócio da BZPlan, nos deu seis lições do que ele aprendeu após anos fazendo isso como profissão. São realmente muito úteis para quem está iniciando nesta trajetória para ter um bom track record, um conteúdo educacional muito bacana.

É para isso, também, que estamos promovendo o Invest Class, evento que reúne os melhores investidores em startups no Brasil para te ensinar. Além disso, também temos este hangout exclusivo com Marco Poli, outro grande investidor nacional, sobre o tema. Aproveite!

Confira as seis dicas de Marcelo: 

1- Sócios são necessários

A carga que existe sobre o empreendedor em uma startup é muito grande e precisa ser dividida. Para o negócio crescer, é necessário que existam pelo menos dois sócios 100% dedicados ao negócio, sendo um deles responsável pela área comercial – uma das mais importantes na fase inicial da startup. Por outro lado, um número excessivo de fundadores e investidores anjo pode atrapalhar o desenvolvimento da empresa se a relação entre eles não for de extremo profissionalismo: a vaidade deve ser administrada e as opiniões divergentes não podem impedir o aperfeiçoamento do modelo de negócio.

2 – B2B tem retorno mais garantido

Investir em empresas B2C, com soluções voltadas ao consumidor, demanda muito dinheiro para ações de marketing que tragam um grande volume de usuários, o que dificulta o retorno financeiro. Por outro lado, em uma startup B2B, que direciona seus negócios para outras empresas, essa mesma quantia pode ser revertida em estruturação de equipe de vendas e participação em feiras e congressos técnicos, por exemplo. A venda para empresas (B2B) é muito mais objetiva, uma vez que elas sempre têm a necessidade de otimizar custos e receitas. Já para vender ao consumidor final, são necessárias estratégias para despertar o desejo pelo produto ou serviço ofertado.

3 – É mais vantajoso investir em empresas com algum faturamento

Nós já tivemos bons retornos ao apostar em empresas com faturamento igual a zero, mas atualmente só investimos em projetos inovadores que já emitam nota fiscal. O esforço para provar um modelo de negócios é imenso e pode demandar de 12 a 18 meses de dedicação e investimento. Tal período é fundamental para amadurecimento da empresa, mas de pouco valor agregado ao investidor. Ao ingressar numa empresa com faturamento e modelo de negócio aceito pelo mercado, o investimento realizado via nossos fundos poderá agregar valor desde o primeiro dia, objetivando a aceleração e ganho de escala nas vendas.

4 – O empreendedor não pode ter medo de mudar

O empreendedor normalmente é alguém que segue seus instintos. Apesar de essa característica ser importante, em alguns momentos é necessário ser sistemático e garantir o profissionalismo. Nas empresas nascentes é comum que a paixão pelo próprio negócio faça com que o empreendedor fique obstinado a provar sua crença e defenda com unhas e dentes o seu projeto inovador. Posso garantir que este não o melhor exemplo de um empreendedor bem sucedido. Alguém que entende o mercado e não tem medo de modificar sua estratégia para adequar-se a ele tem mais chances de obter sucesso e agregar valor à companhia.

5 – Existe o momento certo para entrar no mercado

O empreendedor americano Bill Gross, fundador de diversas startups, apresentou no TED Talks em 2015 os motivos que levam empresas ao sucesso e ao fracasso. Gross analisou fatores como ideia, time, modelo de negócio, investimentos e timing de 100 startups que deram certo e de outras 100 que não sobreviveram ao mercado. Ele percebeu que o fator determinante para o êxito foi o timing, ou seja, o quanto o produto ou serviço se encaixava ao mercado no momento em que foi lançado. Como exemplo, citou AirBnb e Uber, que surgiram num momento de crise, quando as pessoas precisavam de uma fonte extra de renda. Nós também percebemos a importância do timing em nossos investimentos. Um dos cases é a startup Catamoeda, que identificou o problema da falta de troco no varejo e lançou uma máquina onde as pessoas podem depositar moedas em troco de benefícios. A sacada do empreendedor surgiu de tanto ouvir a pergunta “o senhor pode facilitar o troco?” nos estabelecimentos comerciais. O resultado? Em dois anos a startup aumentou seu faturamento em 6.000%, oferecendo o produto certo na hora certa.

6 – Invista junto a uma gestora

Um conselho que dou para quem está começando a investir é não fazer nada sozinho, por impulso – procure um fundo de investimento, que é formado pela união de vários investidores organizados sob a forma de pessoa jurídica. O caminho mais seguro é investir junto a uma gestora de fundos experiente, onde, além de retorno, o investidor dilui risco, protege-se de eventuais passivos e aprende como escolher e gerenciar uma empresa de alto crescimento. Neste ano, em meio a tantos desafios no cenário econômico, a BZPlan, que está no mercado há 12 anos e já avaliou mais de 1.000 oportunidades, teve um retorno de 426% em aproximadamente 42 meses com a operação de exit (saída do fundo investidor) da Axado: a empresa, que é líder nacional em gestão de fretes, foi vendida ao Mercado Livre por R$ 26 milhões. Não há dúvidas de que é necessário know-how para comprar e vender ativos, além de definir o momento de entrada e saída dos investimentos.

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