É possível contratar estrelas para a sua empresa, mesmo sem fama ou dinheiro

Quando se é muito novo, ou muito pequeno, ninguém te conhece e fica difícil atrair talentos com poucos recursos

Fundador da Nasajon Sistemas e membro do grupo de investidores-anjo “Harvard Angels do Brasil“

27 de janeiro de 2016

Você já passou por situações nas quais queria ter alguns clones a quem pudesse delegar as tarefas? Pois é, ainda não conseguimos fazer isso, mas tem gente no mundo que é tão boa ou melhor do que você – eu as chamo de Estrelas. Muitos empresários acham que não podem contratá-las por falta de recursos, mas eu gravei este vídeo (goo.gl/zGMwU2) para mostrar como formar um time de primeira grandeza, mesmo se a sua empresa não tiver dinheiro e nem for muito conhecida.

A imagem que muitos têm da empresa autogerenciável é a de uma organização com centenas de empregados e dezenas de gerentes de alto nível, que recebem salários enormes. Mas não precisa ser assim. Na verdade uma empresa pode ser autogerenciável com qualquer tamanho. O segredo é ter em mente que as pessoas são movidas por razões diferentes – nem todos querem trabalhar apenas por dinheiro.

Na época em que fundei a Nasajon, não existiam investidores-anjo. Tive que arranjar um empréstimo bancário e pagar juros de dar dor de cabeça a qualquer um para construir a empresa do zero. O pior, contudo, não foi a falta de investidores e sim o anonimato.

Quando se é muito novo, ou muito pequeno, ninguém te conhece e fica difícil atrair talentos com poucos recursos. Então, tive uma sacada que me permitiu atrair bons profissionais por quase nada – e é essa dica que quero compartilhar com você. Eu “fabriquei” as minhas “estrelas”. Criei cursos para capacitar as pessoas e prepará-las para executar algumas das tarefas que eu realizava.

Por exemplo, quando tive que recrutar programadores, mas não tinha dinheiro, eu criei um curso gratuito de programação e divulguei em comunidades. Tem muita gente boa em comunidades menos favorecidas. As aulas duravam seis meses e consistiam numa espécie de estágio, no qual o aluno aprendia fazendo (fazendo meus sistemas).

Foi assim que – a custo próximo de zero – tinha dez programadores selecionados a dedo, trabalhando para mim por seis meses. Claro que não rendiam a mesma coisa que eu, mas eram dez! Se cada um rendesse vinte por cento do que eu rendia, eu duplicava a minha capacidade de programação. Ao final de seis meses, os aprendizes saiam da Nasajon para empregos que pagavam duas, três vezes mais do que ganhavam antes de entrar.

Normalmente esse conceito de oferecer cursos ou treinamento experiencial funciona mais com os níveis de supervisão e gerência, mas conheço empresas que fazem isso com cozinheiros. Existe uma rede que oferece “cursos” nos quais os alunos pagam para trabalhar durante alguns meses nos restaurantes dos hotéis. É um ganha-ganha porque o hotel tem cozinheiros de graça durante o curso e os cozinheiros adquirem uma chancela cinco estrelas para colocar no currículo.

Agora vou dizer como você pode fazer isso na sua empresa. Primeiro: sonhe grande. É mais fácil convencer as pessoas se você tiver uma visão de futuro que seja inspiradora. Faça também uma lista dos tipos de pessoas que você gostaria de ter no seu time ideal – o seu “time dos sonhos”.

Em qualquer atividade há algumas estrelas que podem se interessar em trabalhar com você sem contrapartida financeira ou por um valor que você pode pagar. Por exemplo, ex-executivos que ficaram fora do mercado por um tempo e querem readquirir experiência para retornar; aposentados que estão loucos para sair de casa e fazer algo produtivo durante o dia; estudantes de universidades top de linha que precisam aprender a aplicar os conceitos na prática.

Segundo passo: crie uma cultura de meritocracia para criar indicadores objetivos de desempenho que permitam a você monitorar os resultados desde o começo. Elabore um programa estruturado de capacitação no qual você ensina com uma mão e cobra resultados com a outra. Um roteiro ideal varia de três a seis meses, sendo uma parte inicial para ensinar o ofício e o restante para aplicar os conhecimentos.

O curso serve para ensinar a tarefa, mas também para selecionar os candidatos mais adequados. No meu caso, por exemplo, eu dou conteúdo e cobro resultados semanalmente. Os que não conseguem fazer as entregas são eliminados. No final ficam os melhores.

O terceiro tópico que deve ser levado em consideração é que atitude é mais importante do que conhecimento. Você pode ensinar a técnica, mas mudar a personalidade é muito mais difícil. Na minha empresa, um dos principais valores é trabalhar com “boa gente boa”, ou seja, as pessoas são selecionadas porque são camaradas, agradáveis, fáceis de interagir em equipe. Quem não tiver essas características, não fica.

Na prática, se você conseguir criar um processo para recrutar e capacitar pessoas para assumir algumas das suas tarefas operacionais, estará dando um passo importante para transformar a sua organização em uma empresa vendável – uma empresa que outros possam (e queiram) comprar.

Se quiser saber mais sobre como construir uma empresa vendável, visite a página www.empresavendavel.com.br e inscreva-se gratuitamente. Em breve vou liberar mais conteúdos exclusivos – e gratuitos – sobre este assunto e quem estiver inscrito vai recebê-los em primeira mão.

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