Uma habilidade muito necessária: saber conviver com pessoas rabugentas

Como o mundo não é perfeito, uma dessas pessoas pode ser seu chefe, ou um cliente importante ou um fornecedor indispensável ao seu negócio

Fundador da Nasajon Sistemas e membro do grupo de investidores-anjo “Harvard Angels do Brasil“

16 de setembro de 2015

Pessoas com baixa inteligência emocional, também conhecidas como “rabugentas”, são mal-humoradas, negativas e instáveis, mas elas existem. E o pior: como o mundo não é perfeito, uma dessas pessoas pode ser seu chefe, ou um cliente importante ou um fornecedor indispensável ao seu negócio. Então, aprender a lidar com elas é fundamental.

Quando fundei a Nasajon Sistemas eu tive que lidar pessoalmente com clientes que tinham todos os tipos de personalidades que você possa imaginar. Engoli muito sapo, mas desenvolvi uma habilidade que me permitiu chegar até os dias de hoje – a de entender como o outro se sente.

Desde a publicação do livro “Inteligência Emocional”, 25 anos atrás, estudos vêm demonstrando a importância de lidar com as próprias emoções e com as dos outros para ter sucesso na vida pessoal e profissional. Só que é muito mais fácil falar do que fazer.

Em artigo publicado recentemente pela Harvard Business Review, o professor de Psicologia Corporativa da Unversity College de Londres, Tomaz Chamorro, resumiu algumas dicas práticas que podem ser úteis no dia a dia para lidar com pessoas de baixo Quociente Emocional (QE):

Seja gentil

O fato de a outra pessoa ser rabugenta não significa que você tenha que ser também. Alguns anos atrás, fui a uma pizzaria em Buenos Aires e pedi um prato chamado Fainá, que no Uruguai, onde o conheci, se come quente. Quando a iguaria chegou fria, eu que já estava de mau humor por questões que agora não são relevantes, estourei com o pobre garçom: “mas isto está frio!” disse em tom de poucos amigos.

Eu no lugar dele provavelmente teria jogado o prato na minha cabeça enquanto gritava algum desaforo, mas o garçom apenas disse: “Ah, o cavalheiro deseja quente? pois não”, respondeu ele com uma gentileza muitos níveis acima da minha. Fiquei meio sem jeito com o tapa de pelica e nunca mais esqueci o incidente. Moral: procure ser gentil, mesmo quando confrontado com indelicadezas. É a forma mais eficaz de fazer o outro se sentir culpado.

Seja explícito

Pessoas com baixa inteligência emocional têm dificuldades para entender as entrelinhas. Usar indiretas ou sarcasmos é receita certa para ser mal interpretado. O Professor Simon-Baron Cohen, do Centro de Estudos em Autismo da Universidade Cambridge, no Reino Unido, desenvolveu uma teoria que relaciona as habilidades técnicas e sociais com o quociente emocional.

Segundo ele, quanto maior a habilidade técnica, menor a habilidade social. Ele compara as pessoas com baixa inteligência emocional a autistas, que podem ser excepcionais operando máquinas, mas são incapazes de se relacionar com pessoas.

Do outro lado do espectro estão as pessoas que socializam com a maior facilidade, mas não sabem nem fritar um ovo sozinhas. Se quiser fazer um teste rápido para identificar em que parte da escala você se encaixa, clique neste link: claudionasajon.com.br/qa-teste

Seja racional

Às vezes, as pessoas se comportam de maneira irracional – assim é a humanidade – e o melhor antídoto contra a emoção é a razão. Os indivíduos de baixo QE são mais propensos a serem vítimas de suas próprias emoções do que a maioria das pessoas. Por isso, ao invés de tentar lidar com eles emocionalmente, você pode conquistar a sua confiança por ser “a voz da razão”.

Associe-se a pessoas com habilidades complementares

Em praticamente todos os empreendimentos que já realizei, procurei me associar a outras pessoas que, de alguma forma, têm perfis complementares ao meu no aspecto de inteligência emocional. Todos nós temos alguma deficiência e entender qual é, permite compensar o “problema” buscando pessoas que preencham esse buraco. Fica a dica.

Até a Próxima!

Claudio Nasajon

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