“América Latina é a região mais subcapitalizada no mundo para startups”

Há uma grande parte da população que ainda não está no mundo digital – e que pode levar crescimento para as diversas startups

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

7 de fevereiro de 2017

Poucos unicórnios nasceram na América Latina. No Brasil, nenhuma startup chegou a valer mais de US$ 1 bilhão. Com uma população maior que Europa e Estados Unidos, a região é possivelmente a mais ignorada do mundo para investimentos em tecnologia.

Essa é a tese de Julie Ruvolo, diretora da Lavca (Latin American Venture Capital Association). “Eu não acho que a América Latina recebe a atenção que merece, ela deve ser a região mais ignorada do mundo. É a região mais subcapitalizada no mundo para startups”, diz, em conversa realizada no Google Launchpad Accelerator Bootcamp, que está sendo realizado em São Francisco.

Ela destaca que há uma grande parte da população que ainda não está no mundo digital – e que pode levar crescimento para as diversas startups e serviços digitais que estão surgindo nestes anos. “Você tem metade da população online, então os números vão dobrar ainda”, destaca.

Essa população deverá ficar online nos próximos anos e passar a usar serviços em seus celulares. “É um mundo completamente mobile. Não é nem mobile-first, é mobile-only”, afirma. E uma notícia boa para os anfitriões da conversa: “é um mundo dominado por aparelhos android”, completa.

Muito ativos e digitais

Um dos pontos a serem destacados quando se fala de América Latina é que os seus habitantes tendem a ser muitos ativos em mídias digitais – ficando nas primeiras posições de utilização de redes sociais como Facebook e YouTube.

E além de naturalmente digitais, há uma grande chance de crescimento. “Ao falar de Fintechs, por exemplo, lembramos que metade da população é desbancarizada. Só cerca de 15% dos mexicanos possuem cartão de crédito”, explica Julie – o que mostra que este é um dos motivos para a Uber ter criado um cartão de débito que serve para o aplicativo por lá.

Outras regiões subdesenvolvidas também possuem potencial, mas suas startups são mais valorizadas, como Índia e China, que possuem algumas das startups com maior valuation do mundo.  A África também é subcapitalizada, mas ainda é substancialmente mais pobre que a América Latina.

Esses mercados vão crescer. “Eles não vão ser mercados emergentes para sempre. Tem coisas sensacionais acontecendo na América Latina, e mesmo que ela subcapitalizada, alguns dos maiores players de investimento estão começando a se envolver na região”, explica Julie.

Coisas estão melhorando

Isso mostra que as questões estão começando a avançar na região, por conta das incríveis inovações que surgem nos países da região. “Quando eu converso com os grandes fundos que estão chegando, eles não estão necessariamente olhando a região apenas para diversificar seus investimentos”, destaca a diretora da Lavca.

Tudo poderia ter acontecido alguns anos atrás, se o maior país da região – o Brasil – não estivesse vivendo uma crise complexa. “Alguns investidores tiveram seus planos frustrados por causa da moeda nos últimos anos. Em 2010, o real estava muito forte, mas enfraqueceu muito e ficou muito fraco”, afirma.

Argentina larga na frente

Se o Brasil foi um grande problema nos últimos anos, a Argentina deverá ser uma das “estrelas” da região nos próximos anos por causa dos esforços de construir um ecossistema mais favorável para o empreendedor. “Estou de olho na Argentina com o Macri (president argentine). Estão introduzindo novas legislações para empreendedores que são muito boas”, explica.

E isso sem falar que o país é responsável por três das maiores startups que surgiram na região: Mercado Libre (no Brasil, Mercado Livre), OLX e Despegar.com (Decolar.com). Ajuda o fato de que não é um mercado que consegue se satisfazer sozinho, como o Brasil, fazendo que startups argentinas sejam mais agressivas em suas internacionalizações.

Futuro é promissor

Embora seja uma região onde exits de startups são mais raros de acontecer –  que seria importante para gerar novas gerações de investidores em startups – há alguns sinais promissores. Dou como exemplo duas novidades das últimas semanas no ecossistema brasileiros e que podem fortalece-lo: o nascimento da Domo Invest, de ex-sócios do Buscapé, e o programa Track, feito pela Visa junto com a GSVLabs – e que vai acelerar startups no Vale do Silício.

Com isso, aumenta as chances de que novas startups cresçam e criem novas melhorias para a vida das pessoas da região. “Estamos vivendo um momento singular, as companhias vão ter um grande impacto na vida das pessoas”, termina Julie.

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