Banco Original abre plataforma e quer revolucionar seu conceito de banco

O futuro dos bancos será diferente. Aqui, quem lidera isso é o Banco Original, do grupo J&F, o maior grupo privado do País

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

30 de setembro de 2016

Ao abrir um novo banco, qual o exemplo que você deve seguir? Os brasileiros Itaú e Bradesco? Gigantes americanos como Citi, Bank of America? Nomes tradicionais como Barclays e HSBC? Na nossa era, o mais provável é que um banco, para nascer novo de verdade, tenha que seguir exemplos das empresas de tecnologia.

No Brasil, quem lidera esse movimento é o Banco Original, do grupo J&F, o maior grupo privado do País. Talvez você lembre deles por conta das propagandas com Usain Bolt ou Ana Paula Padrão. Talvez pelo envolvimento do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Fato é que o Banco Original é o primeiro banco 100% digital do Brasil.

Isso é impressionante pois permite que o banco se destaque mesmo no meio de (mais uma) greve dos Bancários. Greve, esta, que fez com que os aplicativos de bancos se tornassem alguns dos apps mais baixados do Brasil. E quem é o banco 100% digital e que não é nem um pouco afetado pela crise? O Original.

Enquanto os bancários trabalham para impedir o progresso (e o estimulam), o Original inova através de uma plataforma de desenvolvedores, essencial para o futuro do banco. “Você percebe que todos os modelos de negócios que funcionam bem atualmente são plataformas, o Google, Microsoft, Facebook, até a Amazon. Uma empresa de e-commerce virou uma plataforma”, explica Guga Stocco, head de inovação do Banco Original.

Ele acredita e demonstra os benefícios claros de ser uma plataforma: seu padrão de comparação é com APIs famosas, que são as integrações que ele oferece. “Você não precisa fazer mapas mais para o seu negócio, basta usar o Google Maps, por exempla”, conta. Basta lembrar todas as vezes que, ao invés de se cadastrar em um site novo, você usou seu login de Facebook. Isso é uma API.

A importância de se ter uma plataforma aberta

Para o Banco, ter aberto as APIs vai permitir um desenvolvimento muito mais rápido. “O business plataforma permite que você cresça muito rápido, você consegue outros desenvolvedores desenvolvam. Ela evita retrabalhos, não precisa ficar inventando a roda o tempo todo”, explica o executivo.

Isso é potencialmente transformador para empreendedores que querem montar novos negócios. “Você é empreendedor e tem uma fintech, desenvolve um produto muito legal. Precisa abrir um banco depois? Se preocupar com retenção de dado de acordo com as normas de reguladores? Não, basta usar a nossa plataforma. Tudo que você faz que não é teu core business, é lento e demorado, melhor usar uma API”, destaca. O próprio Stocco estará presente no Fintech Class, o maior evento sobre novas tecnologias no sistema financeiro, organizado pelo StartSe. Confira os outros participantes e como se inscrever aqui.

Construir a plataforma foi caro, mas está integrada com os planos futuros do banco de Joesley e Wesley Batista. Será o diferencial que permitirá que o Original tenha um crescimento exponencial. “Construímos a plataforma super completa, gastamos quase 600 milhões de reais para fazer a coisa toda. E com ela, o banco pode crescer e se diferenciar”, diz Stocco.

O executivo destaca que isso é como trazer novas funcionalidades para o banco, do mesmo jeito que sistemas operacionais facilitam a criação de aplicativos para computadores e smartphones. “O iOS é legal, mas se você não tiver Apps de terceiros, perde toda a graça. Imagina um iPhone sem Whatsapp, Facebook, Clash Royale?”, questiona.

Novas fintechs poderão surgir

Uma plataforma de APIs bancárias pode facilitar muito o desenvolvimento de novas fintechs, baixando o custo do empreendedorismo e jogando cada vez mais empreendedores no mercado. “Se você é um empreendedor e quer construir a sua empresa, o que acontece se eu te desse a estrutura necessária? A maioria das vezes você não encontra uma API de transação, de checagem de saldo, de investimentos, extrato, por exemplo. Você pode usar a do Original agora”, pergunta Stocco.

Bancos novos, muitos deles os chamados “neobanks” já estão alinhados com este futuro – e o Banco Original é talvez um dos casos mais avançados neste sentido. “Os bancos novos que estão sendo criados, já entendem isso, já começam a criar suas soluções, como o próprio Original”, explica.

A vantagem do Original é já ter toda estrutura e regulação necessária para operar. “O banco é um banco completo. Não é uma fintech que emite um cartão como o Nubank… fomos um pouco mais ousados e construímos um banco inteiro”, conta – lembrando de uma das principais startups do Brasil, que tem, como um dos objetivos, se tornar uma nova experiência bancária.

Um novo tipo de banco, mais ágil e moderno

Com as APIs, você pode fazer grandes novas aplicações em qualquer lugar. “O que você faz com isso? Lançamos, por exemplo, uma maneira de olhar seu saldo via Facebook. Você pode ver saldo, extrato…”, diz, lembrando de um bot do Original que é capaz de olhar teu saldo através das mensagens de Facebook.

Com a simplificação, o banco para de ser um serviço e passa a ser uma experiência agradável ao usuário, como outras startups já fazem. “Uber é Uber não pois reinventou a coisa, foi um design serviço tão bem feito que você aperta um botão e não se preocupa com mais nada. Ele fez uma experiência muito legal“, explica.

A plataforma faz com que o céu seja o limite para a experiência bancária proporcionada pelo Banco Original. “Quando você tem uma plataforma, você cria experiências. Coloca o banco em outros lugares. É a quarta onda dos bancos. A primeira foram as agências, muito importantes em sua época, 300 anos depois veio o internet banking que permitia que a pessoa fizesse suas operações de casa, no escritório. Depois o mobile, em que você podia fazer as operações onde quiser, e agora é que você pode ter o banco em qualquer lugar“, destaca.

As APIs permitem que seu banco comunique diretamente com outros aspectos da sua vida, facilitando a gestão financeira, através da internet das coisas. “Podemos construir uma experiência de banco dentro de uma geladeira ou dentro de um carro, por exemplo, existe uma infinidade de outros projetos e possibilidades, com os mais variados parceiros, com os mais variados intuitos”, explica.

Facilita para o empreendedor

A vida do empreendedor vai ficar mais fácil. “A plataforma foi para dois públicos. O empreendedor e o desenvolvedor. O inovador vai entrar lá e vai ver possibilidades de negócios que ela pode fazer para automatizar a vida das pessoas, com o banco”, conta Stocco.

Se isso é bom para o empreendedor, isso é ótimo para o banco – permite que muitos talentos trabalhem para ele ao trabalharem para si próprios construindo novas aplicações da tecnologia. “Você nunca vai ter todos os talentos dentro de casa. Uma plataforma permite que esses talentos desenvolvam para você“, diz Stocco.

Assim, a utilização da API também traz benefícios de crescimento – uma fintech bacana, por exemplo, pode acabar trazendo novos clientes para o Original justamente por ter integração de API que facilita e traz benefícios para usuários. “O meu ganho é exponencial. A plataforma permite que cresçamos muito rápido, não há limites para o que as pessoas podem fazer com nossa plataforma”, completa Stocco.

Plataforma é preciso

Criar plataformas talvez se torne uma necessidade para grandes corporações no futuro. “Na minha opinião, todas as empresas vão precisar de uma plataforma. Vide empresas de tecnologia, o quanto eles crescem e conseguem escalar por causa de suas plataformas”, comenta o executivo.

Isso significa que os gigantes bancários brasileiros comecem a adotar as práticas do Banco Original em um futuro próximo. “Não podemos subestimar empresas desses tamanhos, como Itaú e Bradesco. Temos que respeitar. Eles possuem as próprias estratégias“, conta, sem medo do que vira.

Para ele, a competição com os gigantes vai ser muito boa para estimular o mercado ainda mais, com a criação de inovações no mercado que poderão ser boas para os clientes de cada instituição bancária. “Quem ganha no fim é o usuário, quem vai ter mais produtos é o cliente”, explica.

Banco ou Empresa de tecnologia?

Com esse salto, fica a pergunta: o Banco Original hoje é um banco ou é uma empresa de tecnologia, que, por acaso, tem um banco? O próprio head de inovação do original responde. “Somos um modelo hibrido, somos um banco que pensa como uma empresa de tecnologia. Somos um banco de cabeça aberta, para entender todas as tecnologias, sem pré-conceitos”, salienta Stocco.

E ele avisa: vem novidade grande por aí com novas tecnologias que estão sendo testadas pelo Original. “Blockchain estamos olhando muito de perto, estamos estudando. Tem uma grande revolução que vai vir com blockchain ainda, talvez seja a quinta onda”, termina o executivo, profetizando uma era de maior segurança que esta tecnologia deverá trazer.

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