Essa poderia ter sido a maior empresa da história, de acordo com Steve Jobs

Pois bem, no mundo de tecnologia, posso dizer que inovação não é nada sem implementação para o mercado

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

20 de abril de 2017

Se eu te falasse que uma empresa criou a internet, mouse, interface gráfica, impressão via computadores e e-mail, você acreditaria? Ela deveria ser gigantesca, não é? Bom, ela existe, fez tudo isso e vale uma fração de startups mais famosas que construíram produtos com seu legado.  Trata-se da Xerox, uma gigante de US$ 7 bilhões, mas que podia valer US$ 500 bilhões. Fácil.

Pois bem, uma propaganda da Pirelli na época da Copa do Mundo de 1998 ensinava uma importante lição para quem dirige: potência não é nada sem controle. Pois bem, no mundo de tecnologia, posso dizer que inovação não é nada sem implementação. A Xerox criou tudo que viria a ser o computador pessoal, através do PARC (Palo Alto Research Center), mas nunca implementou para o mercado.

Pior: passou essas inovações e segredos para a Apple, que hoje vale US$ 743,5 bilhões. Steve Jobs sempre creditou isso como fundamental para o sucesso Apple. E em um documentário da década de 1990, ele mesmo destacou que a Xerox poderia ter sido a maior empresa da história. Se tivesse aproveitado o que ela mesmo criou.

Para entender o que aconteceu e o que podemos aprender com essa lição, vamos voltar ao passado e entender o contexto. Fundada em 1906 na costa Leste Americana, a Xerox já era uma gigante quando criou tudo isso, com mais de 50 anos de idade. A companhia era imensa no segmento de cópias e buscava inovar, criando o PARC (Palo Alto Research Center), no coração do Vale do Silício, em 1970.

Um pequeno adendo: é interessante ver que já naquela época o Vale do Silício era visto como a região para se criar um laboratório de inovação. Isso se dava ao mindset da região, que só foi refinado de lá para cá. Afinal, o local concentra boa parte da inovação dos últimos 80 anos. Explicamos o que a faz tão especial detalhadamente neste e-book, que ainda conta com um mapa de 20 páginas da região.

Voltando à Xerox. O PARC deu frutos em pouquíssimo tempo. Em 1972, a empresa já havia desenvolvido um computador pessoal inteiro. Trata-se do Xerox Alto. Olha o comercial dele aí embaixo.

Ele já tinha, em 72, tudo que veio a se popularizar nas décadas de 80 e 90: ethernet, interface gráfica, mouse (com três botões, igual a maioria dos mouses de hoje!), conexão com impressora e e-mail. No comercial tem uma agenda e uma assistente.

Só que a direção da empresa não entendeu muito qual era o poder do Alto, o primeiro computador pessoal com interface gráfica da história. Ele foi demonstrado para o board executivo da companhia, que decidiu manter a estratégia, focada em impressão.

A companhia nunca nem comercializou o Alto, só o instalou em escritórios da própria companhia e em escritórios do governo americano e do exército. Essa falta de visão foi fundamental para a empresa estagnar nas décadas seguintes e acabar se tornando irrelevante.

As filhas do PARC: a Apple e Microsoft

E ainda mais, em 1979 depois ela licenciou a tecnologia do Alto para a Apple, depois de Steve Jobs ficar encantado com o produto em uma série de visitas ao PARC. O acordo garantia que Jobs poderia usar essa tecnologia e em troca a Xerox poderia comprar até US$ 1 milhão em ações da Apple. Jobs fez questão que essa tecnologia fosse aplicada ao Lisa, computador lançado em 1980.

“Eles não sabem o que possuem”, chegou a afirmar Steve Jobs. Para falar a verdade, alguma parte da Xerox sabia, sim, que aquele produto era revolucionário. Quem trabalhava lá, estava animadíssimo. O board não.

Em 1981, a Xerox até tentou correr atrás do prejuízo, com o lançamento do Xerox Star. Mas cometeu um erro fatal: preço. O computador chegava a custar até US$ 16 mil por unidade. E se levasse o pacote completo, tudo sairia por cerca de US$ 100 mil. Desiludidos com o fracasso em implantar os produtos da PARC, a Apple contratou vários funcionários da Xerox e acabou jogando a pá de cal no projeto.

Uma outra empresa se tornou forte neste segmento, a Microsoft. Ela também construiu seu legado no que a Xerox havia construído anos antes. E também contratou grandes nomes do PARC para avançar sua inovação interna. Tanto Microsoft quanto Apple se tornaram grandes players no segmento de computadores pessoais nas décadas seguintes, mas a Xerox, a inventora de tudo, não.

O que faltou? Implementação, que é a regra de ouro para qualquer inovação que uma empresa pode fazer. Não adianta apenas inovar: você precisa saber levar essa inovação para o mercado de forma. Temos um ebook para corporações que querem implementar tecnologias e inovação para crescer mais, evitando os erros que fizeram a Xerox ser irrelevante no mercado que ela poderia ter criado sozinha.

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