StartSe Base: trabalhar para fora do Brasil fica mais fácil com a Husky

Com o País em crise, muitos brasileiros que podiam trabalhar remotamente passaram a trabalhar para companhias estrangeiras

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

21 de dezembro de 2016

Depois de seis anos de descontrole, o Brasil passa por sua pior crise econômica da história. O desemprego disparou para 13% e muitos negócios que poderiam ser criados nos últimos anos simplesmente não foram criados.

Se o Brasil está mal, muitos brasileiros que podiam trabalhar remotamente passaram a trabalhar para companhias estrangeiras. Assim tem sido a vida de milhares de programadores, desenvolvedores, jornalistas e outras tantas profissões que deram a sorte de poder trabalhar para fora do Brasil, de dentro do país.

Mas uma “armadilha” existe para quem vende sua força de trabalho para companhias fora do Brasil: é extremamente difícil receber dinheiro dos seus empregadores. São inúmeras burocracias para receber seu salário – que acabam ocupando boa parte do todo o tempo do usuário.

Essa foi a vida de Tiago Santos e Maurício Carvalho, fundadores da Husky (startup cadastrada na nossa base). Ambos se conheceram trabalhando para uma companhia no exterior, tinham problemas para receber e resolveram criar uma startup para resolver esse problema – afinal, startup boa é startup que resolve problema das pessoas, não é mesmo?

Eles montaram a empresa 8 meses atrás e a companhia já apresenta sinais de grande sucesso, movimentando mais de R$ 1 milhão por mês e sendo aprovado no Startup Chile. “Começamos em abril, trabalhávamos para empresas de fora e tínhamos muita dificuldade de trazer o dinheiro para o Brasil”, destaca Tiago.

O que a companhia faz é facilitar para que este processo seja realizado da maneira mais correta possível, com um software capaz de realizar boa parte das necessidades automaticamente. “O que a gente faz é simplificar este processo, que é habitualmente muito complicado e difícil. Tem toda a parte do imposto, burocracia, é muito difícil”, salienta.

Adeptos do trabalho remoto, ambos montaram a empresa de fora do país: Tiago estava em São Francisco, no coração do Vale do Silício, enquanto Maurício estava em Malta. Desde então, voltaram para o Brasil. Apenas por coincidência, moram na mesma cidade – Araraquara, no interior do estado de São Paulo.

Agora, continuam trabalhando remotamente – mas com uma pessoa a mais na startup, agora composta de três pessoas: Caroline Florian, que assumiu o cargo de executive account manager. Passarão 7 meses juntos no Chile, sendo acelerados pelo famoso programa Startup Chile, do governo do país, que injetou US$ 35 mil na companhia sem adquirir nenhuma participação acionária.

Mas o que a empresa faz?

Só que facilitar a vida das pessoas não é simples. Primeiro, a Husky definiu como poderia fazê-lo, abrindo contas fora do país (em três bancos americanos e dois bancos europeus) para receber o dinheiro e contas no Brasil para trazer este dinheiro. A partir daí, o processo é feito através de um robô que consegue realizar várias etapas, com a eventual ajuda humana quando é necessário.

Centralizar estas operações na startup é importante e permite que cada usuário salve uma grande quantidade de tempo – afinal, o próprio setor é extremamente confuso em relação ao assunto. “Os bancos possuem processos confusos para fazer isso, muito funcionário que não sabe, pagamento que fica retido, um dia pedem um documento, outro dia pedem outro”, conta Maurício.

Para o usuário, fica apenas a comodidade de receber o dinheiro no Brasil, já regularizado. “Nosso custo é interessante, mas não é nem o nosso principal diferencial. Tem cliente que me diz que pagaria o dobro para o uso de nossas ferramentas”, destaca Tiago.

Ele conta uma história: uma vez, um cliente tentou fazer a patriação sozinho em um mês (maio) e usou os serviços da Husky no mês seguinte (junho). O salário de junho chegou primeiro nas mãos desse cliente do que o salário de maio que, por algum motivo, ficou travado. Essa é a magia das fintechs: elas ajudam as pessoas a lidar melhor com seu dinheiro e ter menos problemas – o que já foi dito por Marcelo Maisonnave, fundador da XP Investimentos, em um hangout exclusivo onde ele explica a dinâmica setorial.

O futuro

A Husky está crescendo, e continuando no ritmo acelerado, poderá ser uma das startups mais interessantes do Brasil. Ir para o Chile facilita na multinacionalização da startup, que, por sua natureza, já opera em mais de um território. “A gente está interessado mais na América Latina como um todo do que só o Chile”, salienta o fundador.

Se novos países é um dos possíveis focos, para 2017, a empresa também tem o interesse de se aproximar de um novo mercado: o de empresas. “Vamos tentar nos aproximar mais de empresas portuárias, de logística e comércio exterior”, diz.

E isso, obviamente, pode trazer mudanças significativas para a própria Husky, que terá que aprender os caminhos em um setor novo. “Isso pode mudar um pouco nosso modelo de negócios, vamos ter que experimentar. Vai ser um ano de muito aprendizado”, termina.

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