Um fator que pode fazer a sua empresa valer milhões

Primeiro quero começar desmistificando a importância dos “segredos do negócio” e mostrar que ao compartilhá-los você pode se tornar uma autoridade

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

19 de janeiro de 2016

Existe um fator que, sozinho, pode fazer a sua empresa valer milhões, abrir novas oportunidades e ajudar a tornar o negócio vendável – algo que outros possam (e queiram) comprar. Eu gravei um vídeo sobre isto que você pode ver no link goo.gl/rXxcPZ e explico neste artigo.

Primeiro quero começar desmistificando a importância dos “segredos do negócio” e mostrar que ao compartilhá-los você pode se tornar uma autoridade, conquistar mais clientes e principalmente, viabilizar a construção de uma empresa vendável.

Um ponto crítico no processo de construir uma empresa vendável é que ela não pode depender de você para funcionar, já falei disso nos artigos anteriores.

Por outro lado, para que a empresa não dependa de você para funcionar no dia a dia, é preciso ensinar os outros a fazer as coisas do seu jeito, dar a sua “receita do bolo”, compartilhar o que muitos chamam de “segredos do negócio” – e isso deixa alguns meio nervosos.

Então vou contar uma história pessoal para você entender o conceito na prática.

Quando a PUC-Rio lançou a disciplina de planejamento de negócios no curso de Empreendedorismo, o Professor Cesar Salim, que então era o Coordenador do curso e responsável pela disciplina, me chamou para dar uma aula-palestra, compartilhar com os seus alunos a minha experiência como empreendedor e fundador da Nasajon Sistemas.

Eu nunca gostei muito de seguir modelos, então decidi inovar e levei a minha apresentação no formato de um jogo de perguntas e respostas.

Eu dividi a turma em cinco grupos e estruturei a minha apresentação em dez itens. Para cada item eu apresentava uma situação e dava três alternativas. quem acertasse, ganhava um ponto e no final, o grupo vencedor ganhou uma caixa de bombons.

As perguntas eram ligadas à história da minha empresa, mas apresentavam situações que qualquer empreendedor enfrenta, mais cedo ou mais tarde.

Eu lançava a pergunta, a galera respondia e eu dava a minha explicação do que fiz ou não fiz (e por que achava aquilo adequado). Esse método, na minha opinião, era muito melhor do que apenas falar durante uma hora e meia.

Parece que eu estava certo porque, no final, os alunos quiseram mais e o que era para ser uma aula acabou sendo uma série de cinco aulas ao longo do semestre. Mais tarde eu virei Professor da disciplina pelos treze anos seguintes, mas isso é outro capítulo.

Voltemos ao Salim. Um par de anos mais tarde, ele me propôs que escrevéssemos um livro juntos e compartilhássemos a nossa “receita do bolo” para dar aulas de planejamento de negócios.

À primeira vista parece um contrasenso querer compartilhar publicamente justamente aquilo que te dá uma vantagem competitiva, né? Digo… se o nosso curso é melhor do que os outros justamente porque as nossas aulas são participativas, qual é o sentido de ensinar os outros a fazer isso e, presumidamente, perder essa “vantagem”?

Eu respondo: porque o fator crítico do sucesso de um negócio não é o segredo – nunca foi. O que faz a diferença é a execução e de qualquer forma, por mais bem guardado que seja um segredo, na hora em que você lança o produto ele pode ser visto e copiado.

Então o melhor é ser você quem controla a bola e levar a fama pelos gols.

Bom, fazendo a história curta, o livro foi publicado pela editora Campus com o título “Administração Empreendedora – Teoria e prática usando estudo de casos” e no semestre seguinte foi adotado por dezenas de universidades no Brasil inteiro.

Salim e eu éramos chamados para fazer palestras, dar entrevistas na mídia e até ministrar cursos para Professores sobre como usar o método no ensino de empreendedorismo. Nos tornamos uma espécie de “celebridade” nesse campo e isso nos abriu portas para várias oportunidades às quais não teríamos tido acesso se guardássemos para nós o tal “segredo do negócio”.

Ao contrário do que a maioria pensa, guardar segredo não é um bom negócio.

Empresas como McDonald’s e Avon, por exemplo têm modelos mais do que conhecidos (e estudados) e é isso que faz delas referências em seus respectivos setores.

Então melhor estratégia do que guardar segredo é difundir o seu modelo de negócios, a sua receita de bolo, para se tornar uma referência em seu setor.

Uma forma prática de fazer isso é escrever as suas “tábuas da lei”.

Faça uma lista de cinco a dez “mandamentos” que traduzam a sua cultura organizacional e sirvam de referência não só para mostrar aos outros como a sua empresa age, mas para servir de referência aos outros.

Por exemplo: um dos mandamentos que temos na Nasajon é “não faça nada que você não gostaria de ver publicado no jornal do dia seguinte”.

Então quando surge um assunto polêmico numa reunião, por exemplo, nós nos perguntamos: “se isso vazasse e fosse publicado no jornal, ficaríamos envergonhados”? Quando a resposta é sim, a discussão acaba por aí. O melhor de tudo é que eu não preciso estar presente nessas reuniões para que esse mandamento seja aplicado porque isso já faz parte do DNA da empresa.

Se você tiver um modelo de negócios conhecido e bem sucedido, é mais provável que tenha gente querendo comprar a sua empresa ou licenciar o seu modelo do que se você guardar o seu “segredo” a sete chaves.

Divulgue a receita, conquiste autoridade, torne-se referencia e você estará dando um passo importante para tornar a sua empresa vendável.

Se você gostou destas dicas e quiser saber mais sobre como construir uma empres vendável, inscreva-se no site www.empresavendavel.com.br para receber os vídeos da série “Empresa Vendável” e ter acesso a outros materiais para mostrar como você pode construir uma empresa que outros possam (e queiram) comprar.  

Em breve eu vou liberar mais conteúdo exclusivo – e gratuito – sobre este assunto e quem estiver inscrito vai recebê-los em primeira mão.

Ah! e não deixe de colocar o seu comentário sobre este artigo. Eu dependo dos seus elogios, críticas e sugestões para saber se estou indo no caminho certo.

Até a próxima!

Claudio Nasajon

www.claudionasajon.com.br
PS: Escrevi este artigo desde Lisboa, durante uma temporada de 30 dias em Portugal – uma das vantagens de se ter uma empresa vendável – e tem alguns videos-bônus que gravei com cenários locais para os que se inscreveram. O video #3 aqui: goo.gl/rXxcPZ

Compartilhe:
Classifique: