Primeiros passos da infância é tema de programa de aceleração de startups

Estímulos adequados nos primeiros seis anos de vida geram benefícios como o aumento de aptidão intelectual

Lucas Bicudo é repórter do Portal StartSe.

8 de novembro de 2016

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2006), quase metade das famílias brasileiras com crianças de zero a seis anos possui rendimento mensal de até meio salário mínimo. Os especialistas apontam que, para a redução da desigualdade social, é mais eficaz investir nos primeiros anos de vida da criança, oferecendo condições favoráveis de desenvolvimento infantil, do que depois quando já estão mais estabelecidos.

O suporte para o desenvolvimento cognitivo e da linguagem, habilidades motoras, adaptativas e socioemocionais e uma boa alimentação fazem parte de uma rede de proteção que favorecerá que a criança tenha relações sociais mais sólidas. Estímulos adequados geram benefícios como o aumento de aptidão intelectual – responsável, inclusive, por diminuir os índices de repetência e evasão escolar.

Pioneira na disseminação e fomento de negócios de impacto social no Brasil, a Artemisia idealizou o Artemisia Lab – Primeira Infância, um programa que selecionou e apoiou 26 empreendedores em um processo de pré-aceleração de seis semanas, em São Paulo. Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e a Danone Early Life Nutrition foram correalizadores desta segunda edição do programa, que também contou, em sua fase final, com o apoio adicional do Instituto Alana.

Os participantes foram desafiados a refinar o modelo de negócio e impacto social de suas soluções, com o objetivo de avançarem no desenvolvimento do negócio em aspectos fundamentais como produto/serviço, cliente e equipe – e que estejam mais preparados para os próximos passos e processos de aceleração, pensando no seu crescimento e ganho de escala.

“O empreendedor tem recursos escassos e, em um estágio inicial, tem muitos pontos a serem refinados; grandes desafios a vencer – validar produto/serviço, criar um bom modelo de negócio, realizar vendas, refinar impacto social. Durante o programa, os empreendedores tiveram acesso a uma rede qualificada, a diversos conteúdos e ferramentas ao longo de cinco semanas intensas. Este processo permitiu que direcionassem os esforços para o que é realmente essencial e crítico para o desenvolvimento do negócio no momento”, detalha Paula Sato, gerente de projetos da Artemisia.

Descobrir Brincando, Bloocoach e Adoleta são algumas das startups associadas à temática. As três são as ganhadoras da segunda edição do Artemisia Lab – Primeira Infância; empresas que receberam um seed capital de R$ 10 mil cada.

O Descobrir Brincando atua com a premissa de que, ao construir competências nos adultos, é fortalecida a relação adulto/bebê – que é alicerce para o desenvolvimento integral da criança; saúde, comportamento e capacidade de aprendizagem.

“Atuamos por meio de oficinas voltadas para adultos e bebês, nas quais organizamos um espaço para o brincar; um ambiente seguro, desafiador e nutritivo”, afirma a empreendedora Ana Maria Bastos S. Pinto.

Para as crianças são produzidos materiais que estimulam a criatividade e autonomia; para adultos, a possibilidade de interações de qualidade. O negócio já impactou 400 famílias; capacitou 900 educadores em quatro municípios de São Paulo e beneficiou 13.500 crianças.

Um outro destaque do Lab foi a Bloomcoach, plataforma multimídia de coaching para pais e cuidadores. Criada em 2015 por Adriana Drulla Rossi e Roberta Sotomaior, a empresa tem por foco o desenvolvimento e desafios socioemocionais envolvidos no cuidado de crianças do nascimento aos seis anos. Para isso, conta com conteúdo científico, engajador, prático, objetivo e divertido. De acordo com levantamento das empreendedoras, 72% das mães das classes C e D – de uma pesquisa com 100 respondentes – apontam os desafios socioemocionais como a principal dor que envolve o cuidado com os filhos.

Nas classes A e B, o número não difere muito: 70% responderam exatamente o mesmo. Na classificação dos desafios, disciplina, educação, limites, lidar com emoções, birra, castigo e agressividade. O estudo Jamaican Experiment (1986), aponta resultados positivos de intervenções de coaching com pais: aumento no QI, maior autocontrole, fortalecimento do vínculo e diminuição da agressividade da criança.

“Nós transformamos a ciência em conteúdo prático, engajador e divertido. Criamos um círculo virtuoso: adultos mais conscientes e informados criam crianças emocionalmente saudáveis, que se tornarão adultos mais realizados e engajados com a transformação do mundo à sua volta e com o desenvolvimento dos seus próprios filhos”, afirma Adriana.

A plataforma conta com o SOS (slideshows com respostas para situações de emergência); sessões de coaching (áudios que tratam, com profundidade, assuntos pertinentes); BloomTV (animações para pais e filhos, além de entrevistas com especialistas); atividades (para serem feitas por pais e filhos que desenvolvem, juntos, habilidades como resiliência e empatia); e infográficos de artigos, curiosidades e quadrinhos.

O terceiro premiado é um negócio de impacto social criado por Debora Pláton Hoppe e Larissa Bertagnoni, em 2014. O Adoleta atua em quatro frentes de trabalho, voltadas a equiparar as oportunidades de desenvolvimento das crianças do nascimento aos seis anos: Estações de Brincar Acessíveis; cursos e palestras para profissionais e cuidadores; consultoria em primeira infância e acessibilidade; e ferramenta de capacitação para educadores na temática. O negócio parte da premissa que a construção de competências nos adultos fortalece o desenvolvimento infantil.

“Buscamos o Artemisia Lab para aprimorar o modelo de negócio e potencializar o trabalho em larga escala. Acreditamos que o investimento em primeira infância e acessibilidade podem transformar a sociedade”, afirma Debora, acrescentando que nas cinco semanas de participação no Lab, o negócio sofreu avanços importantes, como a parceria com o negócio de impacto social Creche Segura EAD e parceria com o Instituto Mara Gabrilli. “Acreditamos que quando mudamos o início da história das crianças, podemos mudar o seu desfecho, construindo uma sociedade mais justa e próspera”, afirma a sócia Larissa.

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