Empresa brasileira tem solução para você nunca mais autenticar documentos

Acesso quer que ninguém precise portar documentos e assumiu como meta eliminar burocracia com papéis

Mariana Rodrigues é colaboradora regular da Let's Talk Payments, focada no mercado de fintechs no Brasil.

11 de agosto de 2017

Depois de dez anos a frente de um negócio bem sucedido, com faturamento de R$ 50 milhões, Diego Martins, CEO da Acesso, resolveu reinventar o seu negócio. Com seus novos produtos, ele pretende desafiar uma das instituições mais antigas e enraizadas nos setores público e privado do Brasil: a burocracia.

A Acesso quer que você não precise apresentar documentos, por exemplo, para fazer uma compra ou para abrir conta no banco.

E se o papel acabar?

A Acesso foi criada em 2007, para digitalizar registros de empresas. Na época, muitas companhias estavam abrindo muitas filiais e todo o trânsito de documentação entre elas e suas matrizes era feito fisicamente.

A partir de 2010 a Acesso cresceu com uma solução de captura de imagem para digitalização desses arquivos, que passaram a transitar virtualmente.

Mas em 2013, uma palestra na Universidade de Stanford acendeu um alerta para a Acesso. Um professor apresentou uma comparação entre o Netflix e a Blockbuster, uma história que ainda estava em andamento e cujo resultado já conhecemos.  A falência de um império, a maior rede de locadoras de filmes do mundo.

Diego Martins conta que o recado do professor foi claro: a maioria das empresas se preocupa muito em melhorar o seu negócio de origem, como a Blockbuster fez, sem perceber que algo pode vir de fora e detonar o seu mercado inteiro.

Diego Martins, CEO da Acesso

“Foi a primeira vez que a gente confrontou a discussão de que sem burocracia em papel acabou o nosso negócio. Se tudo for digital não tem mais que haver uma plataforma de digitalização de documentos. Foi o primeiro momento em que questionamos ‘E se o papel acabar?’”.

Como exemplo, naquele mesmo ano seria lançado o Nubank, cartão de crédito que pode ser solicitado por meio digital. Startups financeiras e de outros setores já desenvolviam produtos apenas para o ambiente virtual, como a Creditas, fundada em 2012.

A discussão sobre o fim do papel só voltou a ser discutida na Acesso em 2015, de acordo com Diego, quando decidiram planejar os próximos 10 anos da empresa. “A gente tomou a decisão de reinventar o negócio. Foi quando eu tomei a decisão de tirar um período para abrir a cabeça. Fiquei dois meses fora, a maior parte deles no Vale do Silício”. Alguns grupos de funcionários o acompanharam parte desse tempo.

Lição do Vale do Silício

“Se a gente quiser ser uma empresa de alto impacto, a gente deve resolver um problema que ninguém nunca resolveu. Essa foi uma das principais lições aprendidas no Vale do Silício, e era uma das coisas que a gente mais ouvia dos fundadores das empresas lá”, contou Diego.

Com o aprendizado adquirido no Vale do Silício, a Acesso percebeu que em seus primeiros 10 anos ajudou as empresas a digitalizar a burocracia, sem eliminar nada dela. “A conclusão que a gente tirou foi de que a gente tornou a burocracia mais ágil, apenas. E aí o que a gente colocou como propósito, mesmo sem saber como fazer, eliminar a burocracia em algum nível. Esse é o grande propósito que temos claro de um ano pra cá”.

Mais de R$ 8 milhões foram investidos nos novos produtos. Todas as ferramentas de coleta a autenticação de dados foram desenvolvidas internamente. Nessa etapa a empresa contou com outro reforço trazido do Vale do Silício: a colaboração de Nelson Mattos, ex-VP de produtos e engenharia do Google, que ajudou no processo de desenvolvimento.

Em recursos humanos, a Acesso visa reduzir a burocracia com um produto chamado AcessoRH. Nele, o candidato selecionado faz “sua própria admissão” enviando seus dados e documentos digitalmente para a contratante por meio de uma plataforma em nuvem.

As outras iniciativas são coleta de biometria e assinatura digital. De acordo com Diego Martins, as empresas correm um grande risco de fraude, por isso solicitam muitos documentos. “A gente começou a convencer empresas que têm alto risco, como bancos, varejistas, fintechs e telecom, a começar a captar biometria. Assim poderemos formar uma base biométrica. Além da biometria a gente tem a captura de documentação do cliente, com a autorização do cliente”.  

A ideia é que, com uma base de perfis consolidada no futuro, as empresas façam apenas a captura da biometria e os dados pessoais do consumidor já estarão disponíveis. Para contratos que exigem assinatura, ela será digital. “No futuro, o que a gente quer é que o cliente não precise apresentar documentação junto às empresas”, explica Diego.  

Além disso, permanece o produto inicial da Acesso, que é a digitalização dos documentos.

Nem todos os clientes da Acesso aderiram à biometria, mas se ela for aplicada a seus clientes como Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander, Magazine Luíza e Netshoes, você leitor já pode imaginar que o seu cadastro em breve fará parte desse banco de dados. Atualmente a empresa tem mais de 13 milhões de perfis com biometria, e o número cresce em média 1 milhão por mês.

Questionado sobre se foi difícil convencer empresas tradicionais a mudarem seus processos, Diego explica que teve ajuda das fintechs. “Sorte que fintechs estão quebrando paradigmas pra gente. As empresas olham e já têm outras que estão fazendo diferente”.

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A MEDICI é uma base de dados que conta hoje com 7.000 empresas de todo o mundo. Ela pertence à Let’s Talk Payments (LTP), empresa global de conteúdo e pesquisas sobre fintechs.

A StartSe Base é a maior base de dados de startups do Brasil, com mais de 5.000 empresas cadastradas.

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Mariana Rodrigues é colaboradora regular da LTP, focada no mercado de fintechs do Brasil. Ela é COO da SGC Conteúdo. Para acompanhar o conteúdo produzido pela LTP no Brasil e no mundo, cadastre-se na newsletter.

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