Quem investe em fintech no Brasil: conheça os principais players

Venture capital, private equity, aceleração… Veja quem está aproveitando para crescer junto com as fintechs do país

Celular com tela escrito "pay" e moedas entrando no celular

Mariana Rodrigues é colaboradora regular da Let's Talk Payments, focada no mercado de fintechs no Brasil.

19 de maio de 2017

O Brasil está entre os locais mais atrativos para investir em fintech e já chamou a atenção de diversos fundos de venture capital e private equity globais.

Somente nas três fintechs que mais receberam aportes foram mais de R$ 700 milhões nos últimos anos.

Mas o mercado continua em crescimento, com potencial de faturamento de R$ 75 bilhões nos próximos dez anos, considerando as fintechs que já estão atuando.

Saiba quem são os principais investidores interessados nesse mercado.

Quem investiu no Nubank, Creditas e GuiaBolso

As empresas brasileiras que receberam mais dinheiro têm vários investidores em comum. Saiba quem aportou em cada uma delas.

            1.Nubank – total: R$ 600 milhões

A fintech do setor de cartões já é conhecida pelo público brasileiro, com estimados mais de 800 mil clientes. Recebeu aproximadamente R$ 600 milhões, divididos em 5 rodadas de investimentos.

Além dos fundos mencionados abaixo, o bilionário empreendedor Nicolas Berggruen também fez um aporte no Nubank. O Sequoia Capital pode ter sido um dos investidores chave, com investimento seed de cerca de US$ 1 milhão em 2013.

DST Global – A DST Global é um braço de investimento do grupo russo Mail.ru., especializado em private equity e investimentos de capital de risco em empreendimentos em estágios mais avançados.

RedPoint e.Ventures – Fundo de risco em empresas em estágio inicial, formado em 2012 para investimento em fintechs brasileiras.

Ribbit Capital – Venture capital de Palo Alto, na Califórnia. Investe globalmente em empresas que fornecem soluções financeiras.

Founders Fund – Empresa de capital de risco conhecida por grandes investimentos no Vale do Silício. O investimento no Nubank foi o primeiro divulgado na América do Sul.

Sequoia Capital – Também original da Califórnia. Fez o seu primeiro investimento no país para a fintech de seu ex-funcionário, David Vélez.

Tiger Global Management – A firma de Nova York gerencia fundos de hedge e de private equity. Investe em empresas de diversos segmentos globalmente.

Kaszek Ventures – A argentina Kaszek é especializada em capital de crescimento e fase inicial.

QED Investors – Private equity e venture capital especializada em investimentos de capital de crescimento. Tem sede na Virgínia, Estados Unidos.

    2. Creditas (ex BankFacil) – Total: R$ 90 milhões

A plataforma digital de crédito Creditas é focada em empréstimos com garantia. Tem mais de 3,5 milhões de clientes no país e recebeu aproximadamente R$ 90 milhões em aportes dos últimos dois anos. Além disso, teve investimento inicial de R$ 3 milhões em 2013, realizado pelo fundo brasileiro Napkn Ventures, pela Rockaway Capital (fundo de risco da República Checa) e por investidores-anjo. Veja quem investiu na Creditas:

International Finance Corporation (IFC) – Membro do Banco Mundial para private equity e capital de risco.

Naspers Fintech – Braço de investimentos em fintech da Naspers Ltd’s, empresa global de entretenimento e internet presente em 130 países.

RedPoint e.Ventures

Kaszek Ventures

Quona Capital – empresa de capital de risco para crescimento inicial, focada em investir em tecnologia financeira em mercados emergentes.

QED Investors

       3. GuiaBolso – Total: R$ 90 milhões

O GuiaBolso recebeu aproximadamente R$ 90 milhões em quatro rodadas de investimento. Na primeira rodada, além de e.Bricks Early Stage e do Valor Capital, participaram da rodada de investimento 6 investidores individuais. Veja quem investiu no GuiaBolso:

International Finance Corporation (IFC)

Kaszek Ventures

Ribbit Capital

QED Investors

Omidyar Network – Uma empresa de private equity e venture capital especializada em investimento em fases iniciais e de crescimento, com foco em mudança social através de avanços nos setores como a economia. Com sede na Califórnia, ela investe em companhias com e sem fins lucrativos ao redor do mundo.

e.Bricks – plataforma Brasileira de venture capital fundada em 2013 pelas famílias Sirotsky e Szajman, dos grupos RBS e Grupo VR. Investe em diversos setores e em fintech também tem a Contabilizei em seu portfólio.

Valor Capital – Empresa de capital de risco presente no Brasil e Estados Unidos. Conta com três fintechs investidas, sendo duas brasileiras.

Além dos fundos citados acima, vale mencionar a brasileira Monashees, especializada em empresas de internet em fase embrionária. Entre as fintechs no seu portfólio estão ContaAzul, Magnetis e Kitado.

No Brasil, impacto das fintechs será maior

De acordo com o relatório da Goldman Sachs, o impacto da disrupção causado pelas fintechs deve ser maior no Brasil do que em muitos outros países, devido ao seu setor bancário altamente concentrado. Outro fator mencionado pelo estudo são as taxas de juros para empréstimos, que estão entre as mais altas do mundo. O mesmo aspecto foi observado em entrevista pelo CEO da Creditas, Sergio Furio.

“O fato é que o crescimento da participação das fintechs no mercado será inevitável”. Essa é a análise do coordenador do MBA em marketing digital da FGV, André Miceli. Segundo ele, é bastante provável, portanto, que bancos, seguradoras e outros agentes financeiros “passem a participar deste novo jogo através de aquisições ou criando células para desenvolver suas próprias startups.”

Bancos investem para se adaptar

Os bancos tradicionais já criaram formas de se aproximar das startups. O Bradesco, por exemplo, patrocina fintechs que produzam soluções adaptáveis para o mercado financeiro por meio do programa inovaBra. O banco mantém também uma corporate venture para investir nas companhias.

O Itaú, em parceria com a Redpoint e.Ventures mantém o espaço de coworking Cubo. Já o Santander tem seu fundo de investimento em fintechs, o Santander InnoVentures.

O Banco do Brasil investiu em um projeto no Vale do Silício, o Laboratório Avançado Banco do Brasil (LABB). Dessa forma, os funcionários do banco conhecem iniciativas inovadoras e testam seus projetos neste laboratório, que fica dentro da Plug and Play.

Investimentos em fase de aceleração

Uma forma de investir em fintechs é por meio de aceleradoras. Elas são pelo menos 29 no país. A Visa, por exemplo, está próxima de fintechs por meio do “ahead Visa”, programa da aceleradora Startup Farm patrocinado pela companhia. Hoje, as sete fintechs do portfólio da Startup Farm estão em aceleração pelo programa.

“Temos todo o time de VPs e diretores apadrinhando nossas startups e o resultado disso é que várias estão desenvolvendo produtos com apoio da Visa e em conjunto com outros parceiros”, disse o CEO da Startup Farm, Alan Leite.

Outras formas de investir em Fintech

Nem sempre o crescimento é impulsionado por uma aceleradora. Uma alternativa pode ser uma comunidade de startups, ou “venture-building”. É o caso do Banco Neon, que faz parte da venture-building Distrito desde o início, quando se chamava Controly e fornecia cartão pré-pago.

O Distrito Ventures, outro braço companhia, liderou a primeira e a segunda rodada de captação do banco. O negócio chamou a atenção de um sócio da empresa de capital de risco, Gustavo Araújo, que faz parte do Conselho da empresa. O Neon atualmente também faz parte do portfólio da DOMO Invest e tem Rodrigo Borges, sócio da DOMO, como investidor.

Para investir por meio de uma empresa de capital de risco pode ser necessário passar por entrevistas. “Para cada oportunidade de investimento buscamos apenas investidores estratégicos, o chamado smart money, que entendam do business e que tenham interesse em colaborar para acelerar o processo de desenvolvimento de produtos e crescimento da startup.”, explica Gustavo Gierun, managing partner da Distrito Ventures.

Para quem quer começar a investir, Alan Leite, da Startup Farm indica que o melhor caminho é a Associação Anjos do Brasil. “Acredito que com pouco dinheiro, cerca de R$ 10 mil, você pode começar a investir conjuntamente com outros investidores mais experientes em startups em estágio inicial”.

Saiba como fazer parte desse ecossistema

Para fazer parte do ecossistema global de fintechs, você pode cadastrar sua startup na MEDICI e na Startse Base.

A MEDICI é uma base de dados que conta hoje com mais de 7.000 fintechs de todo o mundo. Ela pertence à Let’s Talk Payments (LTP), empresa global de conteúdo e pesquisas sobre o setor.

A StartSe Base é a maior base de dados de startups do Brasil, com mais de 5.000 empresas cadastradas.

Registrando a sua fintech nas duas, ela vai ganhar visibilidade junto aos principais investidores nacionais e estrangeiros.

Sobre a Let’s Talk Payments

A Let’s Talk Payments (LTP) é a principal plataforma de conteúdo e pesquisas sobre fintechs no mundo. Mais de 400 instituições financeiras e 90 programas de inovação recorrem à LTP para obter informações sobre as empresas que estão disruptindo o setor financeiro.

Mariana Rodrigues é colaborador regular da LTP, focado no mercado de fintechs do Brasil. 

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