Tecnologia criará um socialismo mundial em 50 anos, diz CEO da Campus Party

"A riqueza gerada pelas máquinas deverá ser distribuída igualmente entre todas as pessoas", afirma Paco Ragageles

Paula Zogbi é repórter do portal InfoMoney

27 de janeiro de 2016

A tecnologia criará um modelo socialista mundial em no máximo 50 anos – onde não haverá  mais dinheiro e nem empregos. Ou pelo menos é nisso que acreditam Paco Ragageles, CEO da Campus Party, e todos os demais organizadores do evento, que acontece nesta semana em São Paulo.

“No nosso modelo atual, o trabalho é um direito fundamental para as pessoas, garantido pelo artigo sexto da constituição”. Assim começou a palestra de Ragageles no primeiro dia de Campus Party Brasil, terça-feira, 26. Mas logo percebeu-se que ele não acredita mais tanto assim na necessidade de garantir este direito.

Com o tema Feel The Future, o evento, segundo ele, terá a missão de descobrir como agir quando a maior revolução de todos os tempos acontecer: a revolução que acabará com todos os empregos, todas as formas de monetização e, portanto, com o capitalismo.

“A revolução tecnológica, somada à revolução quântica, mudará absolutamente tudo. Todos os empregos serão extintos”, afirma o espanhol, que foi um dos fundadores do evento de tecnologia 19 anos atrás. Ele enumera: energia solar acabará com o setor que move 24% do PIB mundial; os robôs serão capazes de realizar quaisquer trabalhos manuais; as impressoras 3D poderão imprimir absolutamente tudo; os transportes serão autônomos.

A previsão não é animadora para quem se apega à ideia de trabalhar: “acreditamos que o limite para o mundo que conhecemos é 50 anos, e o que precisamos nos adaptar a isso se não quisermos viver em uma era do caos”, afirma o estudioso, que espera que essa adaptação parta, justamente, da iniciativa da Campus Party.

“Não precisa ser um problema”

“Eu acredito que será uma era de oportunidade”, acalma a plateia Paco. “Se as máquinas trabalham, os humanos exploram, investigam, aprendem, têm tempo para o prazer e diversões”, completa. “Não existirá mais o dinheiro, não precisa existir, e seremos mais humanos”.

O modelo apresentado só funciona em uma sociedade igualitária. “A riqueza gerada pelas máquinas deve ser distribuída igualmente por toda a sociedade. Todos terão acesso, e não só alguns”, afirma Paco, que não acredita que cargos políticos e de pesquisa também serão substituídos – só não serão empregos propriamente ditos, e sim uma forma de educação. “Educaremos nossos filhos não para perseguir o sucesso, mas sim para descobrir o que querem fazer, como ser felizes”.

Trabalho em equipe

A proposta da Campus Party é, portanto, criar uma rede de ideias aberta a qualquer um que queira participar e, a partir das palestras das próximas edições do evento, detectar conjuntamente onde e quando ocorrerão as transformações. “Assim poderemos juntos entender como devemos evoluir. Esse não é um trabalho meu, é nosso”, encerra Paco.

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