Lemann: dinossauro que se percebe como dinossauro não vai morrer

Lemann não precisa estar na linha de frente da inovação: basta se cercar de pessoas sensacionais como ele sempre fez

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

11 de junho de 2018

Jorge Paulo Lemann disse recentemente ser um “dinossauro assustado” em um evento de inovação. É impressionante que um dos maiores empreendedores do Brasil, a ponto de ser o homem mais rico de nosso País, ter essa percepção sobre si mesmo. Mas é interessante notar que ela é uma avaliação injusta.

Assustado ele pode estar (as mudanças são cada vez mais rápidas!) e com 78 anos, certamente muita gente vai falar que ele é um dinossauro (embora, por preconceito). Só que a auto percepção é o melhor caminho para que ele comece a mudar em direção ao que a Nova Economia. E é exatamente isso que ele está fazendo junto com suas empresas: se adaptando para a Nova Economia.

A começar, as empresas de Lemann já estão de olho nas mudanças necessárias. Primeiro, uma mudança de mentalidade. As companhias estão acostumadas a adquirir grandes marcas e dar escala e eficiência para elas, vendendo o máximo possível. Estamos em uma era em que o consumidor exige quase que exclusividade em seus hábitos de consumo.

Marcas artesanais passaram a ser mais bem avaliadas que as marcas tradicionais de escala.  E a AB InBev, principal empresa do grupo de Lemann, passou a não perder tempo, adquirindo as marcas de cervejarias artesanais com muito mais velocidade e permitindo o ganho de escala e eficiência para elas.

Assim, a empresa vai para a guerra. “Compramos 20 empresas de cerveja artesanal [nos EUA], trouxemos alguns caras a bordo e estamos aprendendo muito com eles. Nos mercados internacionais, não nos surpreenderemos mais. Se uma cerveja artesanal aparecer na Argentina ou no Brasil e parecer boa, vamos comprar na hora”, disse ele próprio.

Não é só através de aquisições que a empresa vai para a luta. Também na AB InBev, a empresa vem preparando caminhos para criar formas de ser cada vez mais relevante em um mundo de grandes mudanças. “Na cerveja, montamos um departamento totalmente separado, chama-se ZX, e a missão dele é lidar com essas rupturas e ‘disrupt’ nós mesmos. Contratamos gente nova, de todos os tipos, gente mais jovem, gente mais voltada para o digital, mais voltada para dados e queremos que esse seja um modelo que a gente possa replicar nas nossas outras empresas. Estamos lutando”, destacou.

Na Kraft Heinz, também há inovação. Além de uma linha de orgânicos, criou-se produtos diferentes, como o Just Crack an Egg, um produto que contém pedaços congelados de batata, queijo e embutidos que, misturados com um ovo e levados ao micro-ondas, resultam em uma omelete – mais rápido e mais cômodo. Lá há uma aceleradora para pequenas empresas de alimentos artesanais, a Springboard.

Por parte dele e dos seus sócios na 3G parte a avaliação de que as marcas serão mais relevantes em um mundo digital, contrariando a previsão de muitos especialistas que afirmam que as marcas. Portanto, a estratégia do grupo de ter grandes marcas.

Engana-se quem acredita que na posição em que ele está, Lemann seria responsável pelas inovações e mudanças nos produtos das suas empresas. Não é e não precisa ser: basta se cercar de pessoas que são assim. E isso é uma característica do grupo de Lemann, que sempre ressaltou que seu negócio nunca foi criar cervejas, ketchups ou sanduíches – seu negócio é ter gente sensacional.

E são as pessoas sensacionais que deverão fazer o império de Lemann continuar crescendo nos próximos anos. São elas que deverão ter as ideias e realizar a execução que permitirá que AB InBev, Kraft Heinz e RBI continue encantando os seus clientes. Ou seja, para se adaptar para a Nova Economia, o “dinossauro” só precisa ter as pessoas certas ao seu redor.

E para isso, deverão continuar tendo o direcionamento certeiro de Lemann e seus parceiros Marcel Telles e Beto Sicupira. Igualmente interessados, Telles não muito tempo atrás fez um curso na Singularity University, conhecida universidade do Vale para “atualizar” profissionais com a Nova Economia e com as mudanças recentes e que estão para vir no futuro.

Se existe interesse em entrar de vez na Nova Economia, e isso certamente existe atualmente por parte de Lemann e seus sócios, eles vão entrar cedo ou tarde. E como já começaram a se movimentar para tal, isso será muito em breve.

O problema do mercado é que pessoas como Lemann são exceções. A maior parte das grandes empresas acredita que não precisa mudar e que, por um motivo ou outro, novos entrantes não conseguirão derrota-los. Isso é um absurdo que não tem nenhuma conexão com a realidade. Quantas empresas gigantes já não morreram por falta de inovação? Lemann certamente não quer repetir o destino da Blockbuster, destruída pela Netflix em poucos anos. Mas será que todas as empresas estabelecidas sabem disso?

No varejo, setor onde as empresas de Lemann estão incluídas, surgem novas tecnologias todos os dias capazes de impulsionar vendas, melhorar processos e usar melhor todos os canais digitais possíveis. Muitas novidades estão surgindo para mudar completamente a situação nos próximos anos. Sua empresa pode se beneficiar disso – e para isso estamos promovendo este evento sensacional em São Paulo, não perca. Clique aqui e garanta sua inscrição.

Baixe já o aplicativo da StartSe no iOS ou no Android

Tags
Compartilhe:
Classifique: