As máquinas vão tomar seu emprego? Talvez o congresso não permita isso

A discussão é se devemos usar métodos de renda mínima para compensar este enorme desemprego que será criado, estilo bolsa-família

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

15 de maio de 2018

No futuro, provavelmente teremos máquinas tomando boa parte de nossos empregos, conforme a inteligência artificial vá avançando. No futuro carros autônomos vão, por exemplo, substituir os taxistas – isso é dado. É inegável que esse movimento vai ter impactos gigantescos na sociedade. Mas será que essa mudança vai ser boa ou ruim de maneira geral?

Com certeza ela tem a oportunidade de ser boa, pelo enorme ganho de produtividade que teremos. Pense que teremos máquinas trabalhando 24 horas por dia, sete dias por semana – enquanto humanos se limitam a oito horas por dia, cinco dias por semana e perdem o foco muito mais fácil. A máquina funciona melhor e não precisa descansar, permitindo um salto enorme de prosperidade humana – talvez só comparável com a 1ª revolução industrial.

Haverá uma massa de desempregados, porém – há uma estimativa de 800 milhões apenas até o ano de 2030, antes da revolução da inteligência artificial realmente “pegar”. O mercado de trabalho passa por enormes mudanças e isso é completamente inegável.

O governo te protege

 

O desemprego em massa só ocorre máquinas tiverem tomando todos os empregos técnicos e repetíveis que existem (calma, criatividade ainda vai existir), ainda daqui algumas décadas. Mas tem um detalhe importante aqui no Brasil: a possibilidade de, em algum momento em que a tecnologia ainda não estiver 100%, legisladores fazerem alguma cagada para proteger empregos e condenar o Brasil ao obscurantismo da não-tecnologia. Condenando o nosso País ao posto de país menos produtivo do mundo.

E que existe um grande precedente por aqui. Frentistas. Sim, quando você vai para qualquer lugar do mundo existe uma possibilidade imensa de que, quando você parar no posto de gasolina, não exista ninguém para fazer o trabalho por você. Mas aqui, sim. E eles são protegidos por lei.

A Lei nº 9.956 impede o auto-serviço no Brasil. Ela foi feita por Aldo Rebelo, na época deputado federal e sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. Para proteger o emprego de frentistas, que no Brasil somam cerca de 500 mil pessoas. E acaba encarecendo o combustível para todos nós.

Não duvido que o governo, sempre muito “consciente dos problemas vividos pelos brasileiros”, tome a decisão de proteger o emprego das pessoas que está ameaçado pelas máquinas. Ao invés de investir em um sistema educacional que permita que estas mesmas pessoas se recoloquem no mercado em empregos mais bem qualificados e que paguem melhor.

Proteção não pode virar regra

Essas proteções não podem se tornar regra. Parte do sucesso do desenvolvimento econômico é baseado em conseguir mecanizar um serviço e ter menos pessoas desempenhando funções pouco produtivas. Era extremamente comum ter pessoas que acendiam as luzes nas cidades, antes da luz elétrica. Mas ninguém reclama de ter um interruptor hoje em dia, nem dos empregos perdidos.

O mesmo caso dos datilógrafos, que escreviam com agilidade as palavras dos executivos de grandes empresas antes do computador. Não existem mais e não foi uma grande perda. Empregos que não fazem mais sentido morrem. Taxistas vão morrer, cobradores de ônibus vão morrer e vários empregos fabris vão com eles. E pode ser bom para a humanidade.

A tecnologia chegou para mudar a humanidade de forma definitiva e não podemos ter uma visão retrógrada que a impeça de andar para frente. Perder o emprego é uma tragédia, uma que o governo precisa se preparar e ter ferramentas concretas para minimizar o impacto disso. Mas não podemos nunca parar o desenvolvimento humano, só precisamos “acomodá-lo” e gerar algumas formas de compensar os danos causados.

Musk, Gates e outros acreditam em transferência de renda

Para os gênios da tecnologia (como Elon Musk, Larry Bird, Mark Zuckerberg e Bill Gates), a mudança só será positiva se essa prosperidade criada seja distribuída e não fique na mão de alguns poucos – uma massa de desempregados do tamanho da que pode-se criar é uma coisa negativa demais, sobretudo se eles não tiverem como entrar novamente no mercado de trabalho. Pense em uma sociedade com dez vezes menos empregos. Ela se sustenta no longo prazo?

No mundo, a discussão é se devemos usar métodos de renda mínima para compensar este enorme desemprego que será criado, estilo bolsa-família mesmo, já que a humanidade nunca vai estar tão próspera quanto neste momento. Automatização completa do emprego é um grau muito mais elevado de prosperidade e eficiência do que temos hoje.

Não importa sua posição política se é de esquerda ou de direita. Tenho certeza que você concorda comigo que manter empregos pouco produtivos e não qualificar pessoas para empregos melhores é infinitamente pior do que pagar um programa de transferência de renda nas bases propostas pelos gênios da tecnologia – afinal, seremos 10 bilhões, mas só teremos a necessidade de 1 bilhão a realmente trabalhar. Se você acredita em outra solução, deixe seu comentário aí abaixo.

A Nova Economia vem chegando e com ela aparecem enormes questões que precisam ser debatidas a fundo – cuidado para não ficar “atrasado”. Essa é uma oportunidade gigantesca que se desenha nos próximos anos e você precisa estar dentro da discussão! Para entender a dimensão da Nova Economia e como ela pode impactar na vida das pessoas, dê uma olhada neste especial que preparamos para você através deste link.

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