“A inovação só faz sentido se ela gerar valor para a empresa como um todo”

Conversamos com Lívia Prado, Head de Inovação da Libbs, sobre como as inovações se mostram cada vez mais indispensáveis para corporações

Livia Prado

Isabela Borrelli é repórter do Portal StartSe

9 de março de 2017

Inovar não é só criar coisas novas, mas também facilitar e melhorar o que já existe. O mercado de startups é conhecido exatamente por ser um mundo de inovações que ajuda o cotidiano de pessoas e, cada vez mais, o de corporações. Afinal, uma empresa de grande porte precisa de uma estrutura com o máximo de eficiência possível e, para isso, é preciso constante mudança.

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Com um vasto currículo na área de inovação, Lívia Gandara Prado, Head de Inovação da Libbs, indústria farmacêutica, conversou com o StartSe sobre como inovar em corporações: desde as principais dificuldades até como promover o trabalho em conjunto com startups.

StartSe: Quais foram as maiores dificuldades que você já encontrou trabalhando na gestão de inovação para grandes empresas?

Lívia Prado: A maior dificuldade é a implementação do projeto. As primeiras fases da inovação, que é a parte de geração de ideias até chegar na proposta, é mais fácil. O protótipo começa a ficar mais difícil, porque você precisa tanto de recurso humano quanto financeiro e a empresa pode começar a questionar se tem necessidade para tantos testes, por exemplo. Depois, na fase de implementação, que é quando é necessário mexer no que já está instalado, as barreiras são maiores de uma forma geral.

S.: Qual foi o gatilho para a Libbs dedicar estrutura e tempo para inovação?

L.P.: A indústria farmacêutica por core é inovadora e trabalha com isso, mas mais em pesquisa e desenvolvimento. A Libbs queria ampliar essa visão da inovação aqui dentro para as outras áreas. Então, a inovação está de fato na cultura e em todas as áreas da empresa, desde processos industriais até recursos humanos.

S.: Como vocês lidam com inovação na Libbs? Quais foram as principais medidas que vocês já tomaram ou que pretendem tomar?

L.P.: Como a área começou há pouco tempo, ainda estamos pavimentando a inovação aqui dentro. Os pilares que a gente trabalhou até agora foram: engajamento interno, vivência e aproximação com startups. No engajamento interno, procuramos definir qual é o processo de inovação e fazer com que as pessoas comecem a ter contato com ele, para isso, nós lançamos uma plataforma de geração de ideias chamado Quintal da Inovação. Na vivência, fazemos com que as pessoas consigam experimentar as ferramentas de inovação e colocá-las em prática no dia-a-dia. Já na aproximação com startups, visamos abrir as fronteiras da empresa e olhar o que está acontecendo fora daqui por meio do nosso programa Portas Abertas. Quando nós pensamos nele, nós definimos que não queríamos só startups voltadas para o core business, mas também ideias que resolvessem problemas mais simples como os serviços de entrega, entre outros. Além disso, a gente criou um mecanismo de governança que também ajuda a impulsionar a inovação.

S.: Segundo a sua experiência profissional, você identifica resistência de outras áreas em relação a medidas de inovação? Se sim, como lidar com essa situação para implementar as medidas?

L.P.: Eu acho que as pessoas gostam e sabem da importância de inovar, mas, no momento de mudar, uma ou outra área pode ser um pouco mais resistente. Eu sinto que isso é um pouco do ser humano, porque se alguém pede para mudar o seu caminho, você pode não querer, afinal, ele funciona. Mas depois, com o tempo, as pessoas percebem que é melhor. Para lidar com isso, é preciso envolver as pessoas desde o começo. A inovação tem que prestar um serviço para outras áreas da empresa, então tem que existir uma parceria. Eu sempre digo que a inovação só faz sentido se ela gerar valor para as áreas e para a empresa como um todo.

S.: Quais as vantagens de trabalhar junto com startups para fomentar inovação?

L.P.: Uma delas é que você acelera algumas etapas, por exemplo, a empresa está querendo fazer um programa de carona solidária corporativa. Para fazer isso, a gente teria que pensar no programa, na plataforma, como fazer, etc.. Quando já existe uma empresa que faz isso, o passo é muito mais rápido. Em situações mais complexas também, porque o principal da startup é o foco e a velocidade: ela está focada em fazer e aprimorar aquilo que muitas vezes não é prioridade máxima para a empresa. Provavelmente, nós iríamos pensar e tentar resolver o problema das caronas, por exemplo, mas não dedicaríamos 100% do tempo para melhorar isso. Outra vantagem de trabalhar com startups é a troca, o contato com um novo olhar e, consequentemente, ser incentivado a também pensar fora da caixa.

S.: Como é o relacionamento entre startups e corporações?

L.P: Teoricamente, é muito fácil se relacionar com startups: é só abrir um programa, as startups vem e fazem a mudança. No entanto, no dia-a-dia, a gente encontra dificuldades dos dois lados: às vezes a startup não entende a linguagem da grande empresa, porque ela tem uma velocidade diferente. Isso não acontece necessariamente porque empresa é burocrática, é porque ela tem um risco maior, então tem que dar passos um pouco mais lentos. Precisa existir um alinhamento: a startup tem que ceder um pouco e a empresa também para que o negócio aconteça.

S.: E intraempreendedorismo? Ele é importante para fomentar inovação em grandes empresas?

L.P.: É uma peça fundamental. Cada vez mais, as empresas vão ter que se adaptar ao fato de que algumas pessoas querem fazer coisas desafiadoras e é muito importante que exista um canal que consiga concentrar esse desejo em prol tanto do indivíduo quanto do negócio. Isso se aplica principalmente quando a empresa se abre para startups, afinal, se ela não tiver um mecanismo para capturar, internamente, essas ideias e dar vazão a elas, pode ser uma atitude desconexa. Não faz muito sentido você incentivar startups e empreendedorismo e ignorar uma boa ideia vinda de alguém de dentro da empresa.

S.: Existe alguma área interna das empresas que você identifica uma maior carência de inovação, segundo a sua experiência profissional? Se sim, qual e por quê?

L.P.: A maioria das novidades está ligada a comercial, vendas e tecnologia, mas todas as áreas de suporte, como recursos humanos, jurídico, entre outras, precisam muito se reinventar e necessitam de uma atenção maior. O que eu sinto é que inovar em serviços e produtos ligados às áreas comerciais tem mais “glamour”. As pessoas vão direto nessa direção, porque é a que traz resultado para a empresa e gera valor mais rapidamente, mas normalmente é a área que está mais avançada no tema, então exige saltos maiores. Talvez em áreas de suporte exista uma possibilidade maior de fazer inovações menores, mas que gerem um resultado muito bom. Esse é um desafio para a empresa e a corporação como um todo.

S.: O que vocês fazem para buscar as novidades para a empresa? Vocês têm algum contato ou projeto no Vale do Silício ou outro polo de inovação?

L.P.: Nós buscamos comparecer sempre em congressos, tanto nacionais quanto internacionais, e se aproximar das redes de interesse. Em termos de pesquisa, nós temos uma área que busca oportunidades e tem contato com universidades nacionais e internacionais, agências de inovação, entre outros. No Vale do Silício, especificamente, nós não temos nada ainda estruturado, mas temos contatos. Um desejo que nós temos é começar a ter um mapeamento mais estruturado de tendências para identificar as possibilidades que estão surgindo.

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