A lição dourada de Larry Page para qualquer pessoa que tenha algo inovador

Um dos pontos mais importantes do Google no começo não era sua habilidade superior de entregar resultados mais relevantes

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

3 de abril de 2017

Quando era um pré-adolescente de 12 anos, Larry Page leu um livro que viria mudar a sua vida. Era a biografia do inventor Nikola Tesla, que o fez perceber uma coisa: inventar coisas não é o suficiente se você não conseguir ter uma empresa que leve essa invenção para as pessoas.

Anos depois, Larry Page usou essa lição para levar o Google para o público. Não bastava poder ajudar as pessoas a encontrarem o que precisavam na internet. Isso precisava ser economicamente viável, ou o negócio “buscador” nunca teria forças para se tornar algo dominante.

Um dos pontos mais importantes do Google no começo não era sua habilidade superior de entregar resultados mais relevantes. Outros buscadores, como Altavista e Yahoo, também tinham resultados que eram vistos como relevantes na época. Era sua habilidade de se portar como um negócio, de ganhar dinheiro e fortalecer-se. O Altavista chegou a ser o líder no mercado e muito bem avaliado. Não entendeu como ganhar dinheiro e morreu.

Anos depois, Larry Page chegou a discursar sobre o assunto. “Invenção não é o suficiente. Nikola Tesla inventou a energia elétrica que usamos, mas foi difícil levar isso para as pessoas. Você precisa combinar duas coisas: invenção e foco em inovação com uma companhia que comercializa os produtos e o faz chegar às pessoas”, destacou.

Os trágicos últimos anos de Tesla

A história de Nikola Tesla é triste. Possivelmente um dos maiores inventores da história da humanidade, o sérvio passou anos e anos no esquecimento (embora, agora, ele esteja sendo revisto na história) justamente por não ter conseguido criar um legado de negócio tão grande.

Ele chegou a trabalhar na Edison, hoje General Electric, sendo um dos principais nomes da empresa até se desentender com Thomas Edison. Chegou a ganhar um dinheiro significativo com o licenciamento da corrente alternada posteriormente, mas acabou perdendo tudo.

Passou seus últimos anos em uma situação negativa: morando em um quarto de hotel, anunciando grandes inovações em seu aniversário, alimentando pombas que ele tinha interesse amorosos (como homem e mulher) e lamentando que o banqueiro J.P Morgan havia destruído sua vida.

Não ignore o aspecto “negócio” de seu negócio

Tudo isso era um grande alerta para Larry Page. Ele não podia focar somente na inovação e esquecer de ganhar dinheiro. Para ser um grande inovador, ele precisava de ter um negócio que permitisse implantar sua inovação para que as pessoas usassem. E não poderia depender de ninguém, só dele, para que seu negócio fosse sustentável (não podia, portanto, depender da vontade política).

Todo o Alphabet (o novo nome da holding do Google) funciona assim. Suas inovações são todas voltadas para ter viabilidade econômica. Se um projeto não se sustenta no mercado, ele é reimaginado, re-escalado ou morto. É o destino do Google Fiber, por exemplo.

Larry Page sabe que se ignorar o aspecto “negócio” de seu negócio, suas invenções não vão chegar às pessoas. Por isso, desde muito cedo na história do Google eles se preocuparam com uma coisa: ganhar dinheiro.

Ganhar dinheiro permite cumprir a sua missão

Existe uma concepção de que o inventor, normalmente, tem que seguir a missão sem se preocupar com ganhar dinheiro. Não é verdade. Sonhos não alimentam crianças, pagam funcionários ou atraem investidores. Ter boas receitas é a fórmula para tudo isso na verdade.

Ganhar dinheiro é altamente necessário para que você consiga cumprir sua missão. Não é necessariamente se tornar um “mercenário”. É trabalhar a sustentabilidade do seu negócio com frequência. Para isso, é necessário ouvir as demandas do mercado.

Começar pequeno, validar suas ideias, construir um MVP e começar a vender e faturar. Tudo isso são bons passos para que, lá na frente, você consiga construir um negócio que faça sentido.

Se você quer construir um negócio campeão que lhe permita, é bom ter noção do que você precisa no aspecto “negócio” também. Não apenas foco na inovação do produto, que sem a noção adequada pode se tornar ninguém usa ou pagaria para usar.

Ajudamos empreendedores a entender o que precisam para fazerem bons negócios sustentáveis através do curso Startup de A à Z, que passa pelas grandes dores dos empreendedores e os ajudam a construir negócios campeões.

Faça parte do maior conector do ecossistema de startups brasileiro! Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo!

Receba o melhor do nosso conteúdo para te ajudar

Compartilhe:
Classifique: