O processo de aceleração é o novo MBA

O mundo mudou. A nova geração está mais interessada em empreender que em trabalhar para grandes empresas. As necessidades são outras

Ace Pedro Waengertner

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

17 de março de 2017

Nos países desenvolvidos, existe um grande questionamento a respeito dos MBAs. Depois de décadas em que ter um deles se tornou quase um pré-requisito nos currículos para trabalhar em grandes empresas, as pessoas começam a questionar sua utilidade.

Só que o mundo mudou. A nova geração está mais interessada em empreender que em trabalhar para grandes empresas. As necessidades são outras. E um novo processo de aprendizagem surgiu para, de fato, preparar as pessoas para o mundo e o mercado que elas querem: o processo de aceleração.

E ele justamente um GRANDE trabalho de aprendizado, com gente mais experiente. “A gente trabalha junto com o empreendedor, trazendo mentores, trazendo gente de fora. Abrindo oportunidades para ele. Principalmente para se capacitar e como ir atrás”, destaca Pedro Waengertner, fundador da ACE – uma das principais aceleradoras do Brasil e costumeiramente eleita a melhor da América Latina.

As pessoas entram nos processos de aceleração com uma cabeça e acabam saindo com outra, mais preparados para buscar seus objetivos – no caso, fazer a empresa crescer ainda mais. “O trabalho que a gente faz aqui, é preparar esse empreendedor para enfrentar não só tecnicamente, mas também emocionalmente, esse mundo que ele está entrando de cabeça, que é o mundo do empreendedorismo”, salienta.

Um ponto muito bacana destes processos, sobretudo na ACE, é que eles expandem sua rede de contatos e o tornam mais preparado para encantar o mercado. “A gente tenta dar acesso a networking, muito networking. Com grandes empresas, executivos, outros empreendedores, com nossa própria rede. Temos uma rede das mais ricas, com mais de 100 empresas que passaram pela ACE”, conta.

Há também um choque de mentalidade em programas assim, que tira o empreendedor da zona de conforto e o faz crescer. “Passamos também a sensação de que ele tem que melhorar muito. Que ele tem que subir a barra. Essa é a principal sensação que trazemos para ele. Que ele precisa fazer mais rápido, melhor e trabalhar com nível de classe mundial”, acredita.

É válido destacar, porém, que o processo de aceleração não é um “produto” como é o MBA. Você não paga e entra na instituição. É quase o contrário. Geralmente há uma chamada pública para encontrar startups e você é ESCOLHIDO para o processo, geralmente recebendo recursos para sua startup.

Uma oportunidade aberta no momento é o programa Track, realizado pela Visa do Brasil junto com a GSVLabs, uma das principais aceleradoras do mundo. Nele, por exemplo, a aceleração é de 6 meses (incluindo aí um no Vale do Silício) e o empreendedor recebe R$ 235 mil em benefícios.

Outros programas costumeiramente abrem, como os da própria ACE, que são super concorridos, mas valem a pena para quem os realiza. Acompanhe o portal de conteúdo do StartSe para conferir oportunidades e dê sempre uma olhada no StartSe Base, onde sempre há uma chamada. Há diversas aceleradoras no Brasil e oportunidades estão cada vez maiores!

Conteúdo todo mundo tem

Mas o que torna os processos de aceleração? Não é apenas o conteúdo que é bom, é o contato, a experiência e a vivência e o direcionamento do conteúdo direto para a pessoa que está naquele processo de aceleração. “O que a gente viu é o seguinte, na prática, conteúdo por si só, todo mundo tem acesso, o conteúdo não está mais em Harvard, não está mais isolado fisicamente. Todo mundo tem acesso aos melhores caras do mundo falando de graça, usando YouTube, artigos. E se paga uma merrequinha, o conteúdo é mais premium ainda”, acredita Pedro. Ou seja: não precisa mais pagar o preço de uma casa em um MBA. Há conteúdos muito melhores e muito mais baratos.

Por isso, na ACE, há muita preocupação em transmitir a experiência e a vivência de forma que o empreendedor.  “Conteúdo por si só não diferencia. E a gente começou a entender o que faz diferença. O bom empreendedor vai buscar conteúdo. Então o que faz diferença é a vivência”, salienta.

Mais do que o conteúdo, isso é importante para mudar o mindset do empreendedor que está passando pelo processo de aceleração. “A mudança que a gente faz é na cabeça dele. A gente faz um gap de performance entre como ele está e como ele tem que ser”, explica.

MBA está em descrédito

Por ser muito focado em aspectos financeiros das empresas, o MBA de administração e finanças é apontado como um grande vilão para a inovação corporativa. Tome os Estados Unidos como exemplo: enquanto o número de funcionários com esse tipo de MBA disparou nas empresas desde a década de 80, o gasto com inovação na verdade caiu entre as mais tradicionais.

O que abriu caminho para que muitas delas fossem atacadas e mortas por novas tecnologias que eles mesmos poderiam ter feito. Ou seja, foi ruim para as empresas, não benéfico. “Nos Estados Unidos está tendo uma super revolta para ver o ROI (retorno sobre investimento) do MBA, se o MBA prepara efetivamente as pessoas para o mercado”, salienta.

Isso é um dos sinais de que a educação tradicional precisa mudar. “Sou professor há 16 anos. O mercado da educação não consegue acompanhar esse mercado que a gente vive, de velocidade, de empreendedorismo”, acredita. De fato, está na hora de repensar o mercado de educação e por isso, o StartSe promove o Edtech Class, um evento para tratar da inclusão da tecnologia no mercado de educação com os melhores nomes do segmento.

Essa mudança já começou no mercado tradicional, mas em apenas alguns poucos locais – a maioria ainda está presa no passado. “Está tendo um descasamento da necessidade do mercado com o produto que esses MBAs oferecem. Alguns estão tentando correr e tentando se adaptar”, completa.

Um dos grandes bons programas é o da Universidade de Stanford, que fica no coração do Vale do Silício. “Em nível mundial, poucos MBAs conseguem oferecer o que Stanford entrega. E ela só consegue entrega por causa desse componente forte de empreendedorismo, de estar no meio do Vale do Silício e ter acesso ao que o pessoal está fazendo, o que estão testando”, conta Pedro.

Esse descasamento entre o ambiente acadêmico e o mundo real já fez várias pessoas abrirem suas próprias iniciativas para ajudar possíveis estudantes a não estudar – e sim cursar um caminho empreendedor. “Lá nos Estados Unidos, o Peter Thiel pagava para os alunos não se endividarem com o student loan, o empréstimo estudantil. E com esse dinheiro ele monta a startup dele”, destaca.

Os planos de Peter Thiel talvez não sejam o que as pessoas acham mais ideal. Mas neste mundo de startup, uma coisa é clara: não faça MBA, busque um programa de aceleração. Vai aprender ainda mais. “Não sou tão radical, mas o nível de aprendizado e o nível de intensidade em um programa de aceleração aqui é muito, muito forte, principalmente a forma que ele muda a forma de pensar”, termina.

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