Gigante do Vale, Udemy abre escritório em São Paulo, o 1º fora dos EUA

O Brasil, considerado pela empresa um dos cinco maiores mercados do mundo, foi escolhido como destino para inauguração do seu primeiro escritório internacional

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

15 de junho de 2018

A Udemy, um marketplace global de ensino online com sede no Vale do Silício, inaugurou seu primeiro escritório em solo brasileiro, em São Paulo – o primeiro fora dos Estados Unidos. Isso embora sua origem não seja americana. Kevin H. Johnson, CEO da startup, contou que a empresa nasceu em pequeno vilarejo da Turquia – país onde nasceu seu fundador, Eren Bali – e chegou ao Vale do Silício após Bali perceber que a startup não ganharia escala no Oriente Médio.

Para comemorar a inauguração do novo escritório, a empresa sediou um evento de lançamento em São Paulo. “Estamos muito felizes em anunciar a abertura do nosso escritório em São Paulo, que reflete nosso compromisso contínuo com o crescimento e a expansão no Brasil”, disse Kevin H. Johnson. “Ter uma equipe no Brasil nos permitirá posicionar nosso produto e expandir nosso catálogo de cursos para atender às necessidades exclusivas do mercado brasileiro. Estamos entusiasmados por estar mais perto de nossos alunos e instrutores nesta região tão importante e dar mais um passo em direção ao cumprimento da nossa missão: melhorar vidas através da aprendizagem.”

A edtech, que acumula mais de US$ 170 milhões em investimentos ao longo de oito anos de existência, busca conectar o estudante que quer aprender pela internet a professores ao redor do mundo. Segundo o CEO, a Udemy se destaca no mercado devido a sua variedade de temas, instrutores, idiomas e estilos de aula. “Nosso diferencial é a variedade de cursos e professores, e a atualização das aulas na plataforma. No mundo, cerca de 3 mil cursos são adicionados por mês e, só no Brasil, são 250”.

O crescimento da Udemy no mercado mundial é impressionante – chegando a cerca de 120% ao ano. De acordo com Johnson, a expectativa é que, com a expansão para o Brasil, esse crescimento seja ainda maior. O Brasil, considerado pela empresa um dos cinco maiores mercados do mundo, possui uma realidade parecida com a do fundador – como na Turquia, o acesso a uma educação de qualidade ainda é difícil no Brasil, assim como a situação das salas de aula.

As peculiaridades encontradas no Brasil

Porém, quando comparado com o mercado norte-americano, o Brasil possui algumas características que fizeram a empresa repensar alguns modelos da plataforma. “No Brasil, nosso primeiro pilar foi pensar na acessibilidade. Por isso, pensamos em fazer cursos pelo preço de um almoço e, mesmo sendo barato, mudar a vida das pessoas. Não adianta vendermos cursos caros se isso não tem a ver com a origem da Udemy – queremos que as classes C e D, por exemplo, tenham acesso a uma educação de qualidade”, diz Sergio Agudo, Country Manager da startup.

Além disso, a empresa precisou pensar na dificuldade de acesso à internet móvel que o brasileiro possui. “No Brasil, a internet móvel é cara, então tivemos que pensar em um solução que possibilite o estudante baixar o curso quando estiver conectado ao Wi-Fi. Assim, ele pode assistir quando quiser, mesmo sem internet”.

Mesmo com as peculiaridades de mercado, a Udemy viu no Brasil uma possibilidade de crescimento enorme. “Não podemos pensar no futuro do Brasil sem pensar em educação”, diz Agudo. Segundo ele, o modelo tradicional de educação não acompanha a exponencialidade do mercado e, por isso, a Udemy se apresenta como a solução para uma educação alternativa na realidade brasileira.

“Depois de morar e trabalhar no Vale do Silício durante anos, este é o momento perfeito para voltar ao Brasil e continuar a aumentar o impacto da Udemy no meu país de origem. A Udemy está comprometida em garantir que os brasileiros, em todos os lugares, tenham acesso às habilidades necessárias para construir suas carreiras e vidas”, disse ele.  “A abertura do escritório da Udemy no Brasil é um momento emocionante para mim, pessoal e profissionalmente”.

Apesar de ter iniciado a experiência brasileira em 2015, com um site inteiramente em português, conteúdo focado nas habilidades exigidas no país e formas de pagamentos específicas da região, a Udemy só se lançou oficialmente para o mercado brasileiro esse mês, com a contratação do time local e abertura do seu novo escritório. Atualmente, a edtech conta com mais de 3500 cursos em português – fato que configura o catálogo de cursos da startup o maior do país. De acordo com Sergio, no Brasil, os cursos mais procurados são os relacionados a aplicativos, design, Excel, música e fotografia.

Udemy B2B

Além de focar em pessoas físicas, a Udemy está apostando em um novo mercado: o B2B. “Nós nem tínhamos pensado nisso, mas após alguns pedidos decidimos ficar na parte corporativa”, explica Johnson. De acordo com ele, muitas empresas enxergaram valor nos cursos oferecidos na plataforma da empresa e decidiram oferece-los como um benefício aos seus funcionários. Entre as empresas que já adotam o serviço da Udemy estão grandes nomes do mercado mundial, como Apple, Pinterest e PayPal.

Segundo o CEO, até alguns governos já estão fazendo parcerias com a edtech. “O Governo de Singapura, por exemplo, utilizou nossa plataforma para manter a educação continuada e melhorar a educação da população”, conta.

“Crescer, crescer e crescer”

A Udemy entende o estudante baseado em dados do perfil do usuário e os utilizam para oferecer o curso que mais combina com ele. No futuro, a startup pretende focar cada vez mais na personalização dos cursos. Além disso, com a entrada no mercado brasileiro, a empresa busca crescer 3x mais seu negócio e duplicar o número de cursos disponíveis na plataforma.

De acordo com Sergio, a Udemy também apostar no desenvolvimento de novos canais de marketing no Brasil. Apesar de investir milhões em marketing pago, o Johnson afirma que o principal canal de venda da Udemy é a indicação e o boca a boca dos alunos – e a startup pretender focar nesse setor.

Para educadores, a Udemy é mais do que um marketplace

Além disso, durante a inauguração, a Udemy fez um painel com três instrutores e a Gerente de Marketing da empresa, Gabriela Ermini. Jamilton Damasceno, analista de sistemas, João Paulo de Lima, empreendedor, e Jana Ramos, Growth Hacker, além de serem educadores na plataforma da Udemy, possuem uma coisa em comum: todos começaram sua relação com a empresa como alunos.

A história é simples: Jamilton decidiu investir na profissão porque não encontrou uma versão em português dos cursos que procurava, João queria ajudar os amigos de faculdade a mexer no Excel e Jana decidiu transformar suas palestras em cursos após alguém da própria Udemy falar com ela sobre o assunto.

Para se tornar um educadora na plataforma é só enviar um vídeo teste para a empresa. A partir dele, a Udemy indica qual ao instrutor a qualidade do seu conteúdo e passa um feedback para a pessoa em relação a parte técnica do vídeo. Após aprovado, o professor precisa gravar o curso, que ainda vai passar por mais um avaliação da Udemy antes de ser publicado.

Os cursos, que também podem ser gratuitos, varam de R$ 21,99 a R$ 579,99. Quando acontece a venda orgânica por meio da plataforma da Udemy, o educador fica com apenas 50% do valor arrecado. No alcance orgânico, se posicionam os cursos com melhores avaliações dos alunos. “Ou seja, cursos não tão bons não tem muita visibilidade”, diz Sergio. Porém, a porcentagem sobe para 97% se a compra for realizada com o link divulgado pelo próprio educador.

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