Brasil teve 9 startups valendo mais de R$ 1 bilhão na última década

Eu mesmo trabalhei em um unicórnio, a maior empresa de investimentos do Brasil; outros 8 ocorreram

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

11 de maio de 2017

O Brasil tem um histórico bom de vendas de empresas relacionados a tecnologia na última década, com o surgimento de ao menos 9 “unicórnios verdes-amarelos” – empresas de tecnologia que chegaram a ser avaliadas em mais de R$ 1 bilhão. Embora esta classificação, na sua concepção original, envolva empresas avaliadas em mais de um bilhão de dólares.

Na maior parte da década passada, o dólar esteve muito próximo de R$ 2. Por conta disso, vendas que hoje seriam por mais de R$ 1 bilhão, ocorreram por uma quantia inferior. O Buscapé, mantendo o valuation dolarizado de sua venda em 2009 para a Naspers, por exemplo, seria um “unicórnio verde-amarelo” atualmente: os US$ 342 milhões eram R$ 605 milhões na época, mas R$ 1,12 bilhão atualmente.

Mas essa força do real frente ao dólar (pelo menos se o comparamos com a fraqueza do pós-Dilma) não impediu que 9 empresas nacionais tenham tido valuation superior a R$ 1 bilhão na última década em aquisições ou em capitalizações (as chamadas “saídas”): GetNet, Aceco TI, Linx, Qualicorp, Totvs, Submarino, Sascar, XP Investimentos, SemParar, de acordo com relatório da Astella Investimentos.

Algumas delas (como o Submarino, Totvs e SemParar) chegaram a ter valuations superiores a US$ 1 bilhão – o suficiente para serem tidas como “Unicórnios” de verdade. Contudo, já haviam passado do patamar em que são consideradas startups: Submarino e Totvs já tinham capital aberto na bolsa nesta época.

Outras operações ficaram acima de R$ 200 milhões, mas não atingiram o bilhão: as operações da Diveo no Brasil, CTIS, CTR, Catho… entre outras. De todos os “unicórnios verdes-amarelos”, o que eu mais conheço é a XP Investimentos, que era dona do portal InfoMoney, onde trabalhei por cinco anos. E de fato, é uma corretora que reinventou a maneira de fazer investimentos no Brasil através da tecnologia: criando plataformas que juntam todas as opções e dando um leque muito maior para que as pessoas pudessem encontrar investimentos que lhes fossem bons e de acordo com seus perfis.

De fato, sempre foi uma corretora que pensou em ser uma empresa de tecnologia e em usar a tecnologia para ajudar as pessoas. É interessante notar que muitas dessas operações foram realizadas por grandes empresas que compraram startups para poder crescer e inovar, como explicamos neste e-book gratuito.

Conheça os 9 “unicórnios verdes-amarelos”:

GetNet

Comprado pelo Santander por R$ 1,1 bilhão em abril de 2014. A compra foi concluída no dia 31 de julho daquele mesmo ano e fez com que a Santander entrasse no mercado de adquirentes, antes dominado por Cielo e Redecard. Seu fundador fundou uma nova startup que é uma das mais promissoras do Brasil neste momento: a 4all, com o intuito de criar uma super plataforma.

AcecoTI

Comprado pelo fundo KKR por R$ 1,5 bilhão, também em abril de 2014. A empresa, que constrói data centers, foi escolhida entre 100 negócios para serem adquiridos pela companhia. Mas foi mal escolhida: a empresa registrou este mesmo prejuízo.

Linx

A empresa de software, valia R$ 1,2 bilhão no IPO, no dia 8 de fevereiro de 2013. O IPO movimentou R$ 251 milhões, o que o tornou o 5º maior da Bovespa (na época).

Qualicorp

Valia R$ 3,3 bilhões no IPO realizado em 2012. A empresa de planos de saúde continua listada na bolsa de valores nacional.

Totvs

Teve forte alta desde o IPO e tem valor de mercado de R$ 5,2 bilhões. Também companhia de software, ela é uma das principais empresas envolvidas no ecossistema de startups do Brasil.

Submarino

Com a fusão com a Americanas.com, a empresa B2W passou a valer mais de R$ 8 bilhões. Ainda é um dos principais e-commerces do Brasil, embora tenha passado por grandes mudanças internas nos últimos anos. É listada na BM&F Boovespa.

Sascar

Foi comprada pela Michelin por R$ 1,6 bilhão em setembro de 2014. Especializada em gestão de frota de caminhões, mostra que a Michelin estava interessada em diversificar seus negócios através da compra de startups como a Sascar.

XP Investimentos

Quando o fundo de private equity General Atlantic entrou na empresa, o valuation foi de mais de R$ 1 bilhão. Hoje, já está em R$ 12 bilhões, se for confirmada a aquisição pelo Banco Itaú. A empresa usa a tecnologia para juntar investidores aos mais diferentes produtos de investimento do Brasil.

Sem Parar

Comprada pela DBTrans por R$ 4 bilhões em fevereiro de 2016. A companhia continua crescendo, muito presente nas estradas brasileiras. Não há expectativas de IPO.

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