Excesso de robôs na linha de montagem está fazendo Tesla entrar em crise

A companhia está sofrendo com as entregas de seus carros, principalmente o Model 3 e já viu ações caírem 30%

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

2 de abril de 2018

Robôs são mais eficientes que humanos para a grande maioria dos trabalhos. Automatizar é uma das grandes esperanças para que tenhamos um futuro ainda mais produtivo do que o presente. Contudo, pode ser que a tecnologia que temos atualmente não seja o ideal para certas automatizações.

E quem está “aprendendo isso na pele” é a Tesla. A companhia está sofrendo com as entregas de seus carros, principalmente o Model 3. E o motivo disso é a automação excessiva da linha de montagem em tarefas que são pouco recomendadas para eles, de acordo com os analistas Max Warburton e Toni Sacconaghi.

Ambos ressaltam que a Tesla tenta automatizar tudo em sua linha de produção, inclusive a finalização do carro, que é 50% automatizada – contra apenas 5% nas montadoras mais eficientes, as japonesas. Fiat e Volkswagen já tentaram automatizar o processo de finalização, e acabaram tendo problemas.

E esse “excesso de automatização” é apontado como causa dos resultados não estarem no nível desejado – além de ser uma coisa custosa para a empresa. A grande inovação da Tesla é ter uma fábrica completamente automatizada, mas isso não tem trazido benefício nenhum para a própria empresa, e faz a companhia perder muito dinheiro, já que a depreciação do maquinário supera a economia que a empresa tem com pessoal.

E isso acontece mesmo em um mercado favorável, com altíssima demanda para os carros da empresa. Todo o resto está funcionando maravilhosamente bem: a marca é uma das mais fortes do mundo atualmente e o produto é super desejado (mesmo sendo “apenas um carro elétrico, algo que carregava grande estigma nas últimas décadas). Mas “o inferno da produção” não consegue ser superado.

Interessante que as montadoras japonesas fizeram o processo inverso do que a Tesla está fazendo: primeiro dominam o processo de construção “na mão” e depois automatizam o que faz sentido. E isso jogou a montadora em uma grande crise. Fortemente endividada, a companhia não pode se dar o luxo de ter resultados abaixo do desejado por muito tempo.

Na verdade, a sua ação vem caindo nos últimos dias – já recuou 30%, deixando a empresa mais “barata” do que Ford e GM, que ela mesmo tinha passado. A sensação de que ela não consegue superar as dificuldades atingiu o mercado e dificulta a utilização de um grande trunfo que a Tesla sempre teve: o uso do mercado de capitais a seu favor.

A missão da Tesla, porém, era mudar a humanidade e isso ela já conseguiu. Carros elétricos se tornaram um produto que a maioria das pessoas quer – graças ao bom desempenho, aparência e poder da Tesla. A mentalidade do Vale do Silício foi lançada para as empresas do setor e elas todas estão interessadas em produzir carros elétricos e autônomos.

Essa mentalidade pode ser transformadora para seu negócio também, ou, principalmente, se você está interessado em empreender em um futuro próximo. Para você aprender o que faz o Vale do Silício tão bom no que faz, preparamos um e-book gratuito – “Conheça o Vale do Silício”, além de promovermos regularmente missões de brasileiros para a região. Dê uma olhada no e-book e baixe aqui.

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