A novidade do Nubank mostra que a empresa sabe o que pode destruí-la

Só que a empresa sabe que o efeito “cool” pode passar – afinal, cartão de crédito bacana, com aplicativo de gestão e sem anuidade é uma coisa que outras empresas do setor financeiro podem copiar

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

11 de julho de 2017

Uma das maiores causas de mortalidade em empresas é quando essa subestima o efeito de “moda” nos resultados da companhia. É fácil deixar de ser carregado pelo efeito “cool” que existe sob teu produto e esquecer que, eventualmente, ele vai passar. É o caso de uma das startups mais interessantes de hoje: o Nubank.

Só que a empresa sabe que o efeito “cool” pode passar – afinal, cartão de crédito bacana, com aplicativo de gestão e sem anuidade é uma coisa que outras empresas do setor financeiro podem copiar. E essas outras empresas que servem o setor financeiro podem fazer algo que pode ser ainda mais “cool” do que o Nubank. Nenhuma liderança é incontestável.

Nesse cenário de grandes mudanças o que o Nubank precisa fazer? Continuar inovando. E é o que a empresa quer fazer com o Nubank Rewards – seu programa de fidelidade que custará, se mantido o preço dos testes, cerca de R$ 190. Seria muito fácil para a empresa continuar surfando a onda de “você não paga nada” por muito mais tempo. Só que isso dificilmente seria suficiente.

Com o programa de fidelidade, o Nubank quer ir além do “cool”. Ela quer um motivo para as pessoas usarem o cartão por tempo indeterminado em TODAS as transações que fizerem. Para entender o verdadeiro benefício de um programa de fidelidade para uma empresa de cartão de crédito, temos que entender uma coisa muito importante…

Como o Nubank pode ganhar dinheiro

Um dos pontos interessantes para entender tudo isso é entender como o Nubank, que não tem anuidade nenhuma, ganha dinheiro. Existem duas formas: a companhia leva 1,5% de todas as transações que são realizadas com os cartões roxinhos e com os juros de quem atrasa (ou parcela parte) da fatura.

Em outras palavras, quanto mais a pessoa usar o cartão, mais dinheiro a companhia recebe (e existe a possibilidade também da pessoa se encrencar e ter que parcelar a fatura também…). O racional por trás de um programa de fidelidade é bem simples então: quanto mais você gasta, mais você ganha, mais você usa o cartão, maior o ganho automático da empresa, maior a possibilidade de você atrasar a fatura.

No plano do Nubank, cada real gasto equivale a um ponto, eliminando o “efeito cambial” que existe em muitos programas de fidelidade de outros cartões (onde basicamente você faz menos pontos se o dólar subir). Claro que isso não importa se forem necessários 1.000.000 pontos para conseguir uma passagem entre Rio de Janeiro e São Paulo.

Mas é isso que é mais interessante no programa. Embora a relação de pontos/prêmios seja desconhecida, o programa do Nubank permite “apagar” gastos cotidianos (além de comprar passagens e hospedagens) como Uber, Netflix e Spotify. E muitos dos usuários do período de testes afirmam conseguir “apagar vários desses custos”.

Ou seja, o programa serve como um estímulo para que as pessoas. E funciona também como uma forma de reter usuários: impede que eles desistam do cartão sem anuidades e passem a usar outro cartão com um programa de milhagem – que tradicionalmente é uma forma de atrair novos usuários para a base.

Continua sem anuidade

Um dos melhores programas de fidelidade disponível é o dos cartões American Express, com milhas que nunca expiram! Contudo, é muito difícil (para não dizer impossível) ter um cartão Amex e não pagar anuidade. Agora, um cartão Nubank continua sem anuidade e você só paga se aderir ao programa de fidelidade.

A adição de anuidade é um temor recorrente dos usuários do Nubank, inclusive, e com certeza colocar um pagamento obrigatório para receber e usar o seu cartão faria com que a startup perdesse o fator “cool”, com certeza. Contudo, a empresa mostra que nem pensa em colocar uma anuidade: é só para quem aderir ao programa de fidelidade.

A fintech mais madura do Brasil?

Esse avanço se mostra significativo para a startup. Ele mostra que a empresa está determinada a adotar novidades que possam fazê-la se tornar melhor e de uma forma que não é apenas copiar o que já existe. A companhia se mostra mais madura como negócio (e não apenas como produto). Para você entender o campo da empresa, preparamos um ebook sensacional sobre Fintechs que você pode adquirir gratuitamente aqui.

Faça parte do maior conector do ecossistema de startups brasileiro! Não deixe de entrar no grupo de discussão do StartSe no Facebook e de inscrever-se na nossa newsletter para receber o melhor de nosso conteúdo! E se você tem interesse em anunciar aqui no StartSe, baixe nosso mídia kit.

Receba o melhor do nosso conteúdo para te ajudar

Compartilhe:
Classifique: