Healthtech: como sua saúde, em breve, vai estar dentro de um aplicativo

Setor de health é um dos que possuem maior crescimento nos últimos tempos

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

23 de maio de 2017

Health é um dos setores mais promissores para novas entrantes e startups, não há dúvida – o chamado Health Tech. É um setor a espera de uma grande disrupção, mas que tem grandes startups nascendo através de incrementos, que aumentam a qualidade de vida das pessoas envolvidas. Este é um setor que, provavelmente, será um dos próximos queridinhos do mercado em breve.

Aqui no Brasil, o mercado só tem avançado e registrados importantes avanços – coisa que deve se manter nos próximos semestres. “Esperamos que para os próximos semestres os investimentos do ecossistema aumentem em função do crescimento dos investimentos em saúde digital nos países desenvolvidos e do amadurecimento das startups de saúde do Brasil”, afirma Fernando Cembranelli, CEO da Berrini Ventures, uma aceleradora focada exclusivamente no setor de saúde.

Ele explica que este setor está se desenvolvendo bem no Brasil. “As startups brasileiras de saúde têm se desenvolvido bastante. Existem grandes oportunidades, mas as oportunidades que já estão se desenvolvendo, neste momento inicial, são as que exigem menos capital e têm potencial de gerar caixa no curto, médio prazo”, acredita. Também acreditamos nesta tese, tanto que preparamos o Health Tech Conference – o maior evento sobre startups da área da saúde do Brasil.

Embora focada no setor de saúde, algumas das startups da Berrini Ventures não são exatamente para gerenciar a sua saúde e sim aspectos relacionados a sua saúde que podem melhorá-la. Por exemplo, transformando o setor de healthcare em algo mais acessível aos usuários. “Um ótimo exemplo do nosso portfólio é a startup Vitta, um sistema de gestão para clínicas e consultórios, que desenvolveu um meio de pagamento via cartão de crédito muito inovador, que a transformou numa fintech, com altíssimo potencial de crescimento”, destaca.

Outro modelo típico de startups capaz também de que o aplicativo te ajude a ter hábitos mais saudáveis e te estimule a cuidar da sua saúde. “Outro exemplo interessante é a startup Dr. Cuco, que lembra os pacientes de tomarem seus medicamentos através de um aplicativo, de modo gratuito, sendo que a monetização vem através da comercialização de dados”, afirma.

Em termos de investimentos, este setor apresenta grandes avanços nos últimos meses, este ano, principalmente. “Os investimentos em startups de saúde no Brasil em 2016 têm crescido bastante por diversos motivos. Historicamente, estes investimentos eram muito baixos e têm crescido gradativamente”, destaca.

E algumas coisas no setor mostram que o setor pode ir até melhor – se outras condições fossem preenchidas. “Com menos de 6 meses de atividade, o aporte de R$ 5 milhões da Docway foi um marco para o setor e, ao conversar com investidores, é nítido o interesse de investir em saúde, no entanto, o que falta são bons projetos ou bons empreendedores para tocá-los”, afirma.

A tecnologia pode trazer novas inovações que facilitarão o trabalho dos médicos. “Outro fator importante, é que tem muitas áreas inexploradas e de enorme potencial em e-health, como teleconsulta. Enquanto já é possível atendimento virtual em psicologia, o que levou ao surgimento do Psicolink e ZenKlub, mas essa ainda não é uma realidade para consultas médicas”, explica.

Contudo, o setor é visto com um pouco de desconfiança pelo que ocorreu com a Theranos, que vendeu por anos uma solução inovadora que, simplesmente, não funcionava – e a maioria dos investidores não conseguiu entender isso, por serem leigos no setor de healthcare. “O que aconteceu com a Theranos tem a ver com soluções que necessitam de sólida evidência científica por serem diagnósticos ou terapêuticos. Esta validação é cara e leva tempo. A Theranos começou a comercializar a solução de diagnóstico laboratorial sem ter a validação necessária”, explica.

Para isso, o mercado precisa ter conhecimento e validação dos especialistas para que não caia nos mesmos problemas que ocorreram no caso da Masisa. “Quanto mais os aplicativos passarem a gerenciar aspectos fundamentais de nossas vidas, mais seguros e validados eles terão de ser. Para evitar que o mesmo ocorra no Brasil, vai ser preciso que tenhamos a certificação de aplicativos médicos e saúde digital”, termina.

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