O mercado financeiro está mudando muito rápido; conheça as últimas tendências

As opções são muitas. Nunca antes na história do planeta estivemos em um momento tão bom para novas tecnologias na área das finanças

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

17 de maio de 2018

Novas tecnologias quando surgem geralmente transformam o setor financeiro. O telégrafo, a televisão, a internet… todas elas transformaram a forma que as pessoas tratam e mexem com suas finanças.

Se em 1851 a empresa que viria a ser a Western Union revolucionou a transferência de dinheiro em longa distância por causa do telégrafo, os grandes bancos conseguiram diminuir a necessidade de pessoal com o caixa eletrônico e com o internet banking. A biometria ajudou a fazer os sistemas mais seguros… e assim vai com tantas e tantas tecnologias que vão surgindo ao longo dos anos.

Todos esses avanços desaguam neste começo de século XXI, quando uma palavra que coloca preocupação nos grandes bancos surgiu: Fintech, a junção de Finanças e Tecnologia. A onda de startups que estão vindo mudar as finanças através das novas tecnologias que surgiram nos últimos anos: smartphones, internet das coisas, nuvem, blockchain…

As opções são muitas. Nunca antes na história do planeta estivemos em um momento tão bom para novas tecnologias na área das finanças. É a tempestade perfeita: existe uma convergência de tecnologias, abertura dos clientes, predisposição dos reguladores nacionais (BC, CVM) para aumentar a competição e MUITO DINHEIRO para investimentos alimentando tudo isso.

Não sem motivo, o setor é um dos principais do mercado de startups atualmente: só no Brasil, são mais de 500 startups do tipo. No mundo, os investimentos em fintech explodiram recentemente: saíram de US$ 1,5 bilhão em 2008 para US$ 2,4 bilhões em 2011, US$ 3,9 bilhões em 2013, US$ 12 bilhões em 2014, US$ 19,1 bilhões em 2015 e US$ 24,7 bilhões em 2016. O ano de 2017 também vai ser recorde, mas os números ainda não são conhecidos.

A importância das fintechs é tão grande que o Goldman Sachs divulgou um relatório afirmando que US$ 4,7 trilhões de receitas dos grandes bancos migrarão para elas nos próximos anos. Você não leu errado. São US$ 4,7 trilhões, sim. TRI. Além disso, 33% das pessoas nascidas na Geração Y não querem usar bancos nos próximos 5 anos. E poucas coisas tem imagem tão negativa quanto bancos para esta geração. É a hora da virada.

Mas o que é uma fintech?

Uma fintech é uma startup que está revolucionando um (entre tantos) segmento de finanças – bancário, seguros, segurança, crédito, câmbio, investimentos e até companhias que transformam a experiência da bolsa de valores. Há uma infinidade de formas dessas empresas, mas todas elas possuem uma coisa em comum: tecnologia para reduzir custos e democratizar assuntos.

Há, por exemplo, os chamados “neobanks”, como são chamados os bancos digitais. A principal startup do Brasil é uma fintech deste tipo – uma das duas startups brasileiras que alcançaram o patamar de “unicórnio”. Trata-se do Nubank, que é uma das 27 fintechs com valuation acima de US$ 1 bilhão do mundo, além de ser a 16ª startup mais inovadora do mundo, de acordo com um ranking da KPMG e H2. Hoje, estima-se que o Nubank tem um valuation de mais de US$ 2 bilhões.

O Nubank começou emitindo um cartão Mastercard internacional totalmente sem nenhum tipo de custo, acompanhado por um aplicativo sensacional de celular que te ajuda a administrar suas finanças com muito mais precisão que antes. Conquistou corações e mentes dos brasileiros antes de começar a operar uma conta digital e um programa de fidelidade especial (que permite o usuário apagar gastos do cotidiano). Agora, ela toma o lugar da XP Investimentos (comprada pelo Itaú) ao atacar o grande inimigo comum das fintechs: o grande banco. Isso está impresso na cultura da empresa.

Outras duas startups que chamaram a atenção e estão no ranking da KPMG são Viva Real (que ajuda pessoas a venderem e comprarem imóveis) e GuiaBolso (que produz um aplicativo que ajuda as pessoas a controlarem melhor seus gastos, além de ser uma plataforma de empréstimos). Mas na verdade há centenas delas: estima-se que são ao menos 500 fintechs no Brasil. 20% delas possuem ao menos 20 funcionários, tornando-se também grandes empregadoras no Brasil.

Muitas das tecnologias desenvolvidas por elas vão melhorar todo o ecossistema financeiro do Brasil e do mundo. Antes mesmo do fenômeno startups o setor financeiro era um dos que mais gastavam dinheiro em pesquisa e desenvolvimento, para obter melhorias na segurança dos clientes, por exemplo. Contudo, era extremamente concentrado em poucas mãos. “No passado só quem tinha distribuição conseguia colocar seus produtos, então só os grandes bancos de varejo determinavam o que o cliente ia comprar. Como o cliente não tinha conhecimento, o que mandavam ele comprava”, afirma Pedro Englert, CEO da StartSe e grande investidor na área.

O fenômeno de fintechs deu capilaridade para o setor: agora são 1.000 cabeças pensando nas soluções que, anteriormente, apenas um pensava. E a velocidade em que elas chegam ao mercado cresceu muito – um grande banco não mais fica anos e anos para implementar uma novidade: uma startup simplesmente lança em poucas semanas, vê o efeito no público e realiza suas iterações a partir dali. “Essa época do poder da distribuição, da falta de conhecimento, terminou. Hoje consegue-se distribuir os produtos de forma digital, chegar em qualquer cliente e as pessoas tem mais conhecimento e comparam mais”, completa Englert.

Outras tecnologias, como robôs que realizam operações sozinhos na bolsa de valores, já estão no mercado há anos. E agora, graças à redução de custos de produção de startups, essas mesmas tecnologias estão se popularizando – há startups que montaram robôs que analisam o perfil de investimento dos usuários e recomendam os produtos financeiros que cada um deve usar. É o caso do Warren, que tem um robô que conversa com o usuário e destaca o que é bom ou não para ele. Outra empresa que se destaca no segmento de investimentos é o Yubb, uma espécie de concentrador e comparador de produtos de investimentos – o Buscapé dos investimentos.

Isso permitiu que a tecnologia tivesse um efeito positivo de facilitar experiências para os usuários, democratizando o acesso aos melhores produtos financeiros de maneira rápida e fácil. “O que o Spotify fez com a música é o que as plataformas de wealth management vão fazer agora. As estruturas estão muito mais baratas, então o que os clientes que só tem R$ 1 vão ter o mesmo serviço que só os clientes com mais de R$ 500.000 tinham acesso antes”, salienta o investidor em fintechs.

Há também, continuando na série de exemplos, startups que usam um grande número de informações, Big Data, para determinar se o preço de um seguro pago por você está justo ou não – avaliam se seu comportamento é de risco e pode justificar um preço mais elevado para a seguradora. O mercado de startups para seguros é tão grande que tem um nome próprio: insurtech.

Nem toda fintech é voltada para o consumidor final. Muitas delas desenvolvem produtos voltados para o segmento corporativo, como melhorias de sistema, redução de necessidades de pessoal. O próprio grande banco pode ser cliente das startups sem perceber. Há modelos B2C (Business To Consumer), B2B (Business to Business) e até C2C (caso da brasileira Monepp, que junta pessoas interessadas em realizar uma operação de câmbio).

Uma enorme quantidade de novas tecnologias surgiu nos últimos anos e deverão revolucionar como os processos financeiros são realizados, como o Blockchain (para simplificar, um registro geral confiável de operações). A plataforma da R3 no segmento já foi usada para reduzir custo de operações entre países e neste mês conduziu 100% de uma operação de carregamento de soja entre Argentina e Malásia, sem o uso de nenhum papel – podendo mudar completamente uma indústria gigantesca de US$ 9 trilhões.

Os grandes bancos não estão parados

Se existe um grupo que está de olho nas fintechs, este grupo são os que possuem os piores pesadelos com elas: os grandes bancos. Afinal, com a perspectiva de perder trilhões de receitas para as fintechs, eles sabem que o ideal é manter elas por perto, bem por perto.

Aproximar-se e realizar parceria com fintechs é um imperativo para que as instituições financeiras de ontem não sejam atropeladas pelas que estão nascendo hoje. “Os bancos possuem estruturas muito caras, antigas, pesadas, lentas. E as fintechs estão surgindo para oferecer alternativas neste processo. Só que com tecnologias muito de ponta, que faz com que o custo de operação caia drasticamente. Isso gera muita redução de custo”, complementa Englert.

Esse é um movimento muito inteligente por parte dos Bancos: trazendo a fintech para perto e conseguindo trazer essa redução de custo para eles próprios. Isso já fez o Bradesco economizar milhões em custos e reduzir estrutura. Só o último PDV (Plano de Demissão Voluntária) teve 7,4 mil adesões – acima da expectativa do banco. Além disso, o número de agências bancárias cai a cada ano no Brasil justamente pelo desuso delas desde a criação do internet banking.

Tanto Itaú quanto Bradesco (os dois maiores bancos privados) possuem iniciativas muito interessantes para modernizar-se através de parcerias com startups. Os bancos públicos são um pouco mais tímidos, mas também estão olhando para o futuro, sobretudo com iniciativas para melhorar a usabilidade do usuário.

O Itaú tem o Cubo, um espaço em São Paulo destinado para startups. E vem investindo pesado em tecnologia para manter seus negócios “atuais” frente um mundo de grandes mudanças. E até consegue: há quem diga que o aplicativo do Itaucard é uma das melhores formas de administrar o seu dinheiro, muito inspirado na experiência do Nubank.

Além disso, a empresa adquiriu parte da XP Investimentos pagando R$ 5,7 bilhões. A XP até então era a maior corretora independente do Brasil e havia surgido para revolucionar a forma como as pessoas investiam no Brasil através de uma plataforma de investimentos. Para muitas pessoas, a empresa era a maior fintech da história do nosso País.

Já o Bradesco tem um processo de aceleração e traz as novas companhias para perto dele, chamado de inovaBra, além de ter uma área também destinada para startups de diversas áreas, o inovaBra Hub. A companhia também lançou o Next, seu banco completamente digital – desenvolvido em conjunto com a agência RGA. E com isso, ela segue a máxima: “o Bradesco quer se tornar o Nubank antes que o Nubank se torne o Bradesco”.

O Bradesco também desenvolveu, junto com o Banco do Brasil, um cartão de crédito com aplicativo na mesma fórmula que o Nubank (a principal fintech brasileira), chamado Digio. Ele é uma tentativa de conter o avanço de um novo e popular rival. Além de outras tantas iniciativas, como uma ferramenta para pagamento de pedágios, para concorrer com fintechs como SemParar.

O próprio BB não fica atrás e montou um laboratório no Vale do Silício, dentro de uma das maiores aceleradoras da região: a Plug and Play Tech Center – onde foi acelerada a principal fintech da história, o PayPal. A Caixa, por sua vez, tem a Youse – uma seguradora 100% online que eles montaram como uma operação completamente separada.

Grandes bancos tradicionalmente são compradores de startups, adquirindo-as e integrando suas tecnologias. É uma relação de ganha-ganha: os grandes bancos trazem inovação para dentro, enquanto as startups ganham dinheiro (remuneram os fundadores, empregados e investidores) e capilaridade para atingir ainda mais usuários.

Gigantes de fora do mercado financeiro

Os grandes bancos, porém, não são as únicas grandes empresas que estão de olho nas fintechs no momento, muitas empresas de outras áreas estão vendo o mercado financeiro como uma boa oportunidade para crescer. “O mercado financeiro começa a ser atacado não só por agentes do mercado financeiro. E sim também por empresas que estão fora do mercado financeiro”, destaca Englert.

Dois casos são interessantes de mostrar: na China, as gigantes de tecnologia se tornaram também as gigantes do dinheiro. E aqui no Brasil, o UOL criou uma gigante de US$ 10 bilhões no mercado de pagamentos, o PagSeguro.

Na China, Alipay e WeChat, de Alibaba e Tencent, já substituíram o dinheiro de maneira quase definitiva por lá. O chinês pouco usa dinheiro vivo e quase nada de cartão de crédito ou débito. Pagamento por aplicativos se tornaram muito mais comuns que qualquer outro método de pagamento. Por lá, você só precisa carregar seu celular, escanear um QR Code e pronto. Pago.

O mais preocupante para os bancos é que eles praticamente perderam a custódia do dinheiro na China. O dinheiro não sai do banco para o varejista. Sai da conta do usuário no Alipay e WeChat – praticamente transformando o banco em algo inútil para o usuário do aplicativo. “Todo mundo que é intermediário em algum processo tende a ser eliminado, principalmente se ele não gera valor nesse processo”, completa Englert.

E ambas as empresas se originaram fora do mercado financeiro e usaram seu tamanho para ganhar mercado rapidamente oferecendo serviços financeiros. No caso do WeChat, é como se o WhatsApp tivesse uma opção de pagamento e ele tivesse se tornado tão grande que as pessoas parassem de usar Itaú e Bradesco. Você consegue imaginar este cenário em que um aplicativo de mensagem se tornou o principal inimigo dos grandes bancos?

Por aqui, o destaque fica com o UOL, empresa de mídia que iniciou várias fintechs, como o PagSeguro e Go4Gold e Boacompra (essas últimas duas viradas para o mercado de gamers, no Brasil e no exterior). Só o PagSeguro vale US$ 10 bilhões.

Ela agora é o carro chefe da empresa como fintech ao abrir capital na Nasdaq. Trata-se de uma solução fantástica para quem quer comprar e vender pela internet, pronta para ser usada por qualquer pessoa interessada. Boa parte da internet brasileira usa a loja online do PagSeguro para vender uma infinidade de produtos diferentes, principalmente os pequenos produtores.

E algum tempo depois, a companhia começou a atacar também o mundo físico: através das maquininhas de cartão – segmento outrora dominado por Cielo, Rede, Stone e Getnet. E vem fazendo uma campanha pesada para bombar a “moderninha” (uma máquina comum) e as “minis” (conectadas com seu celular e mais baratas).

Sua chance de seguir essa oportunidade

Se existe uma hora para empreender no mercado financeiro, é agora. Nunca foi tão fácil (e barato) empreender no segmento, criar um produto revolucionário e entregar uma excelente experiência para o usuário. “Qualquer pessoa consegue competir com o Itaú, Bradesco, Banco do Brasil ou Caixa. Claro que não é em todos os produtos, mas em uma linha A ou B, focado em cliente específicos, em nichos”, explica Englert.

E é justamente esse boom empreendedor que estamos passando, o que aumenta a competição e melhora. “Como o custo de empreendedorismo caiu muito, estão surgindo centenas de fintechs para competir ou cooperar com os grandes bancos e mudar esse cenário. E agora o cliente tem cada vez mais poder”, completa.

Isso também obriga as instituições financeiras de ontem – como bancos, corretoras de valores – a se adaptarem para não morrer. “A prática antiga era empurrar o produto para o cliente, agora quem ganha o jogo é quem está entregando uma experiência fenomenal para o usuário”, termina.

Seja para empreender, ou para manter-se vivo em um mercado em rápida transformação, é necessário saber exatamente como pisa e quais as tendências para o segmento nos próximos meses e anos. Preparamos um evento sensacional sobre o assunto no dia 6 de junho, com a participação dos maiores players do Brasil e com as tendências do exterior (sobretudo a China).

Vamos falar de pagamentos, investimentos, regulação, criptomoedas… enfim. Tudo para você entender de vez a nova do mercado financeiro. Para você fazer sua inscrição, ainda com preço promocional, use este link aqui. Nos vemos lá!

Baixe já o aplicativo da StartSe no iOS ou no Android

Tags
Compartilhe:
Classifique: