Conheça a Casetext, uma espécie de Google do Direito

Fundada em 2013, a Casetext utiliza a inteligência artificial para trazer resultados de pesquisas jurídicas em pouco tempo

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

15 de maio de 2018

No passado, cada advogado cobrava seu serviço por hora. De acordo com Anand Upadhye, Vice-presidente da Casetext, as pessoas não prestavam muito atenção na eficiência do honorário do advogado, principalmente antes da grande recessão americana. “Havia altas taxas de conversão quando você enviava a cobrança e não tinha outra alternativa de pagamento – era sempre por hora.  A automação, então, não era nem mencionada”, diz. Segundo ele, tudo isso acontecia porque o dinheiro era a abundante e o mercado contava com muitas pessoas dispostas a fazer aquelas tarefas por dinheiro.

Foi só depois da grande recessão que os olhares sobre os honorários começaram a mudar. “Todo mundo começou a focar em eficiência a partir de 2009”, conta. Mas, com a prática de pesquisa daquela época, os advogados não conseguiam ter a produtividade necessária. Para resolver esse problema, surgiu a Casetext – uma empresa que buscava tornar a pesquisa jurídica mais fácil e eficiente. Durante o LawTech Conference, o Vice-presidente da Casetext, Anand Upadhye, contou um pouco mais sobre a história da empresa.

Fundada em 2013, a empresa que nasceu no Vale do Silício, utiliza a inteligência artificial para trazer resultados concretos e em pouco tempo. “Se o advogado não usa inteligência artificial ele encontra o que precisa 10 horas depois ou nem encontra a jurisprudência”, defende. Anand explica que a Casetext utiliza a análise semântica com latência para buscar frases e contextos e entregar o melhor resultado ao advogado. “Basicamente fazemos um jogo com a nossa inteligência artificial, a CARA, o documento que a pessoa imputa e as palavras que ela escolheu. A partir daí a ferramenta encontra seus semelhantes”, diz.

Com a Casetext, uma espécie de Google do Direito, o advogado consegue fazer uma pesquisa rápida e de qualidade, encontrar informações que outros advogados ou juízes não encontram e usar a pesquisa como uma ferramenta competitiva. Mas diferente das outras plataformas, a Casetext não cobra hora ou por click. “Fazemos tudo isso por um honorário físico”.

Quando questionado sobre a polêmica entre a inteligência artificial e a advocacia, Anand enfatiza que a tecnologia não está vindo para roubar o emprego de ninguém. “Ela vem apenas para facilitar o trabalho do advogado. Ninguém fez faculdade de Direito para separar papelada e não foi isso que sonhamos fazer quando cursamos a faculdade. Com a inteligência artificial, os advogados vão conseguir se afastar de dados maçantes e redigir uma petição de forma muito mais criativa”, conta.

Anand também acredita que a inteligência artificial não consegue fazer diversas coisas, como interpretar uma jurisprudência ou redigir uma petição levando em consideração costumes locais e comportamentos – isso porque não há dados sobre isso. “Ela não tem pensamento criativo e não consegue lidar com as emoções complexas. Em qualquer situação que precisa de uma decisão complexa, os seres humanos auxiliados pela inteligência artificial serão a melhor opção”.

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