Escritórios de advocacia usam tecnologia como parte fundamental de processos

Um novo caminho está sendo trilhado na tecnologia: agora, máquinas e advogados trabalham juntos, maximizando resultados

Tainá é repórter da StartSe

15 de maio de 2018

O setor jurídico foi conhecido, por muitos anos, como uma área burocrática. Essa noção pode estar começando a mudar – e o motivo é simples: os processos estão cada vez mais tecnológicos. Os escritórios Gondim Albuquerque Negreiro e Urbano Vitalino, por exemplo, já estão utilizando a inteligência artificial para trazer mais inteligência de dados e agilizar processos.

A questão esteve em pauta na LawTech Conference que acontece nesta terça-feira (15), evento da StartSe sobre as maiores inovações de tecnologia no setor jurídico. Rafael Rodrigues, sócio de tecnologia do escritório Gondim Abuquerque Negreiros Advogados e Bruno Souza, sócio do escritório Urbano Vitalino, discutiram como os escritórios estão unindo a inteligência dos advogados e da tecnologia, potencializando resultados.

“Hoje, a maioria dos processos já estão sendo cadastrados pela Carol, inteligência artificial da IBM. Ela faz a leitura do processo e o cadastra, com as informações mais básicas”, comenta Souza. A startup adotou a tecnologia há algum tempo, enquanto ainda estava sendo inserida no país, e enfrentou algumas dificuldades para implantá-la.

“Muitas vezes a gente treinava a Carol e estávamos ensinando errado, não tínhamos bons resultados. Aprender a ensinar também é muito importante”, complementou o sócio do Urbano Vitalino.

Já o escritório Gondim é especializado em contencioso de alto volume e utiliza a inteligência artificial para trazer mais agilidade. Para Rafael Rodrigues, o custo da tecnologia está caindo, tornando-a cada vez mais acessível. “Aqui fora, a esmagadora maioria de soluções têm integração, tem API. Mesmo que seu escritório não desenvolva a tecnologia, dá para contratar de um terceiro e começar a utilizá-la em um tempo curto”, afirmou Rodrigues.

Na discussão, os escritórios entraram em um consenso: a tecnologia não iria substituir o advogado, mas ajudá-lo nas decisões, que serão realizadas com base na análise de dados. Para o sócio da Gondim, o potencial da tecnologia no direito é enorme, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Eu acredito que as audiências serão digitais, mas não em um futuro próximo. Temos primeiro que romper a barreira de um processo eletrônico, porque o que todos usamos atualmente é um sistema digital, diferente do eletrônico. Nós precisamos que os tribunais evoluam”, comentou.

A tecnologia traz mais segurança?

Daniel Becker é advogado e criador do Portal LEX MACHINÆ, projeto que debate o direito digital e os impactos do desenvolvimento de novas tecnologias na sociedade. O advogado também participou da discussão e comentou sobre a segurança em um mundo cada vez mais digital.

“Há algum tempo, um órgão que lida com processos administrativos foi hackeado e todos os processos foram perdidos para sempre. Essa é uma preocupação constante que deve ser tratada com muita cautela”, comentou. Para Becker, é necessário prestar muita atenção na proteção dos dados tanto nos escritórios de advocacia quanto na vida pessoal.

“É necessário pensar na segurança também nos dispositivos móveis, que contém muitos de nossos dados mais importantes. Atualmente, existem aplicativos que usam a criptografia na proteção de dados – e é interessante conhecê-los”, recomenda o criador do portal LEX MACHINÆ.

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