Crowdfunding se consolida com mais de R$ 180 milhões em doações

O financiamento coletivo tradicional se consolida e a modalidade equity ganha segurança com regulamentação própria

Mariana Rodrigues é colaboradora regular da Let's Talk Payments, focada no mercado de fintechs no Brasil.

18 de julho de 2017

Mais de R$ 180 milhões já foram doados no Brasil por meio de plataformas de crowdfunding tradicional, sendo um terço desse total apenas no ano de 2016. Naquele ano, as três maiores plataformas arrecadaram uma média de quase R$ 18 milhões cada.

Além de causas sociais e projetos culturais, muitos empreendedores que precisam de um primeiro aporte para lançamento de produto ou serviço utilizam o crowdfunding – em troca, oferecem recompensas. Mesmo com grande crescimento no ano passado, as principais atuantes do setor esperam continuar crescendo em 2017, com a consolidação do mercado.

Abaixo, os principais portais de financiamento coletivo no Brasil e seus números:

Catarse Lançamento em janeiro de 2011

Total arrecadado: R$ 64 milhões doados para projetos.

Arrecadação em 2016: R$16.1 milhões

Vakinha Lançamento em janeiro de 2009

Total arrecadado: R$ 58 milhões

Arrecadação em 2016: mais de 19,3 milhões

Kickante Lançamento em outubro de 2013

Total arrecadado: R$ 40 milhões

Recebeu US$ 4 milhões em aportes de investidores-anjo

Arrecadação em 2016: R$ 18.417.144

Benfeitoria Lançamento em abril de 2011

Total arrecadado: 19,4 Milhões

Cresceu 40% de 2015 para 2016

Arrecadado em 2016: 7 milhões

 

O maior crescimento percentual em 2016 foi o do Vakinha: “Temos previsão de rodar R$ 41 milhões este ano. Ano passado, rodamos quase R$ 19,4 milhões, crescendo 135% em relação à 2015.” contou Luiz Felipe Gheller, co-fundador.

Já a maior plataforma em arrecadação, o Catarse, cresceu 40% em 2016 e tem projeção de manter o mesmo ritmo de crescimento em 2017.

Para o Kickante, que arrecadou mais de R$ 18 milhões em 2016, a previsão é de alcançar números 20% maiores este ano, segundo Candice Pascoal, CEO e fundadora. Dessas plataformas, o Kickante é a única que já recebeu aporte de terceiros até hoje, de R$ 4 milhões.

Para se manter e ampliar, as plataformas dependem da comissão. O Catarse atualmente cobra 13% sobre as doações de cada projeto, mas só fica com 9% (4% vão para o parceiro de pagamento) e estuda mudar a cobrança.

“Estamos estudando entrar em uma nova fase de experimentos com a precificação para adequar melhor a plataforma à nossa visão atual e aos diversos usos e segmentos que habitam a comunidade que utiliza o Catarse”, disse o CEO, Rodrigo Machado.

“Vale lembrar que ainda temos desafios operacionais, jurídicos e tributários específicos do Brasil que tornam o modelo ainda mais difícil de ser operado tal qual o que se vê no fora do país. Talvez por isso nenhuma grande plataforma do exterior tenha iniciado operações por aqui”, acrescentou.

Enquanto isso a Vakinha pretende abrir para investidores: “Nós estamos no ar desde 2009 e iniciamos com investimentos na casa dos R$ 500 mil. Por enquanto, foram feitos exclusivamente investimentos próprios dos sócios. Estamos nos estruturando para buscar mais investimentos num futuro próximo.” disse Luiz Felipe Gheller.

Equity crowdfunding regulado tem chances maiores de crescimento

O Equity Crowdfunding, embora ainda com números bem menores do que o tradicional, comemorou essa semana a regulamentação da CVM para a atividade, em 13 de julho. A visão é positiva para as fintechs, principalmente, pois entre os pontos das 51 páginas do marco regulatório está o aumento de limites de captação. 

“A Instrução 588 é uma grande conquista do ecossistema e um imenso marco para o financiamento de organizações inovadoras no Brasil. Esperamos que, com o respaldo legal, esse mercado que cresce de forma dinâmica ganhe ainda maiores proporções”, disse Camila Nasser, responsável pelo marketing da Broota. A plataforma já captou mais de R$ 12,6 milhões em 44 rodadas de investimento.

Para a StartMeUp, fintech que já levantou R$ 2,5 milhões para 5 projetos, o marco regulatório “melhora a visibilidade e reputação da modalidade perante investidores institucionais, aumenta o espaço de crescimento da modalidade com o aumento dos limites de captação e de faturamento das empresas que podem acessar as plataformas de crowdfunding, dentre outras vantagens”, comentou o co-fundador Diego Perez.

Além disso, o processo de equity crowdfunding passa a ser mais simples, de acordo com a EqSeed, que já captou R$ 1,5 milhão para 5 projetos. Pelas novas regras, a CVM passará a aprovar as plataformas para operarem no mercado, utilizando uma série de requisitos, em vez de aprovar cada rodada de investimento individual, assim como determina regras específicas a respeito do processo de captação. “A nova norma aumenta a transparência e reduz a burocracia, o que vai gerar mais velocidade de investimentos e escala do mercado,” disse Greg Kelly, um dos fundadores da EqSeed.

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A MEDICI é uma base de dados que conta hoje com 7.000 empresas de todo o mundo. Ela pertence à Let’s Talk Payments (LTP), empresa global de conteúdo e pesquisas sobre fintechs.

A StartSe Base é a maior base de dados de startups do Brasil, com mais de 5.000 empresas cadastradas.

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Mariana Rodrigues é colaboradora regular da LTP, focada no mercado de fintechs do Brasil. Ela é COO da SGC Conteúdo. Para acompanhar o conteúdo produzido pela LTP no Brasil e no mundo, cadastre-se na newsletter.

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