Como uma empresa de scooters arrecadou US$ 400 milhões em 4 meses no Vale?

Investidores explicam por quê escolheram a Bird entre todas as startups de scooters e justificam a avaliação de US$ 2 bilhões da startup

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

2 de julho de 2018

Depois de ouvir falar sobre a Bird por meio de algumas conexões na Uber, empresa a qual o fundador e CEO da Bird ajudou a escalar, o sócio da Tusk Ventures, Jordan Nof, voou para Santa Monica para convencer a startup a aceitar o seu investimento. O investidor se lembra de ter visto um gráfico que mapeou o número de pessoas usando os serviços da startup e o número total de viagens realizadas – eram duas linhas que se curvavam “drasticamente para cima e para a direita”.

Desde que a Bird lançou as primeiras scooters elétricas em Santa Monica, em novembro passado, a empresa aumentou o seu rendimento de forma expressiva. “Gênio é a única forma como eu descreveria”, disse Nof sobre o modelo de negócios de startup. “Eles têm a oportunidade de mudar fundamentalmente a maneira como as pessoas chegam do ponto A ao ponto B”, completou. A Bird permite que as pessoas reservem uma scooter local pelo celular, andem nela por uma pequena taxa e, no final da viagem, deixar a scooter onde ela esteja até ser solicitada pelo próximo piloto.

A empresa implantou veículos em 11 bairros e cidades da Califórnia, Texas e Washington, DC. Porém, o serviço ainda é proibido em São Francisco – o coração do Vale do Silício -, pois a cidade ainda não possui um sistema de autorização para as empresas de scooters.

Atualmente, a empresa de compartilhamento de scooters que levantou US $ 400 milhões em apenas quatro meses. O sucesso foi tão expressivo que, menos de um ano desde que a Bird foi lançada, já havia rumores de que a startup estava buscando uma avaliação de US$ 2 bilhões em sua última rodada de financiamento. Enquanto ocorre essa avalanche de investimentos na Bird, seus rivais e outras pessoas no Vale do Silício estão preocupados com a valorização da startup. “Nenhuma empresa jamais provocou tantas perguntas de amigos, colegas, empresários, ventures capital e jornalistas quanto Bird”, disse Mark Suster, sócio da Upfront Ventures.

O Business Insider perguntou aos investidores da Sequoia Capital, da Tusk Ventures e da Greycroft Ventures por que eles apoiaram a Bird entre todas as startups de scooters – e como eles justificam a avaliação de US$ 2 bilhões.

A Bird inventou a indústria de compartilhamento de scooters elétricos

De acordo com o fundador e CEO da startup, Travis VanderZanden, que já trabalhou na Uber e Lyft, a Bird inventou a indústria de compartilhamento de scooters elétricos. Quando a Bird lançou as primeiras scooters em sua cidade natal, Santa Monica, no ano passado, seus concorrentes – Spin, LimeBike e Ofo – ainda estavam focados no compartilhamento de bicicletas, adicionando as scooters ao inventário apenas em 2018.

Dana Settle, sócia-fundadora da Greycroft, disse que ao avaliar empresas de uma mesma área para um possível investimento, sua empresa sempre considera quem teve a ideia primeiro. O sócio da Sequoia pensa a mesma coisa. Segundo Roelof Botha, que liderou a recém-anunciada rodada de financiamento da startup de US$ 300 milhões, disse que ser o primeiro coloca Bird um passo à frente da concorrência.

“Se você é quem inventou, provavelmente você já pensou sobre o problema em muitas outras esferas”, disse Botha sobre Bird. “As pessoas copiam o que elas vêem hoje. Mas elas não sabem o que você está pensando. Elas não sabem o próximo passo que você pretende porque você já o mapeou vários meses antes e teve insights únicos sobre inovações e nuances de produtos a partir desse mapeamento”, diz.

A startup cresceu sem gastar com anúncios no Facebook

Settle tomou conhecimento de Bird quando ela começou a ver as elegantes scooters elétricas em torno de Los Angeles, onde a executiva dirige o escritório da Greycroft. Em menos de 10 meses, a Bird criou uma marca que os usuários adoram e tem um crescimento explosivo em downloads do aplicativo, sem gastar um dólar em anúncios ou campanhas no Facebook. “Eles construíram uma marca que as pessoas já estão usando como verbo”, disse Settle.

Botha analisou várias empresas de scooters antes de investir na Bird. Mas foi nela que ele enxergou diferencial. Ele disse que Bird tinha mais usuários e a melhor retenção de usuários, o que significava que “uma vez que as pessoas experimentam, elas adoram”. Devido a isso, além de investir, Botha se juntou ao conselho como parte do acordo de investimento.

Na Bird, as pessoas estão fazendo o que fazem de melhor

Vários investidores concordaram que Bird poderia ser o próximo Uber ou Lyft por causa da “magnitude da oportunidade de mercado e da magnitude do problema”. A startupfornece o que é chamado de solução de “última milha” a – ou seja, o cliente pode usar carros ou transporte público trilhar a maior parte do caminho até seu destino final e, em seguida, pegar uma scooter na parte final.

Quanto mais pessoas se mudam para as cidades, mais elas utilizarão a Bird para se locomover de maneira rápida e fácil, reduzir o congestionamento e o uso de carros, e melhorar a mobilidade para todos.

Além disso, muitos investidores afirmaram que uma das grandes razões pela qual eles investiram na Bird é por causa do fundador, o Travis VanderZanden. Além de ser um grande executivo, VanderZanden também tinha o diferencial de ter trabalhado tanto na Uber quanto na Lyft. Na Uber, ele liderou o crescimento internacional da empresa antes de ser encarregado de aumentar o número de motoristas.

Além disso, os investidores parecem estar de olho nos funcionários da Bird. Quase duas dúzias de funcionários que hoje se juntaram ao time da startup também vieram da Uber ou Lyft, de acordo com suas contas no LinkedIn. Os investidores afirmar que essas pessoas já aprenderam com os erros do setor de mobilidade e aplicarão as melhores práticas para tornar a Bird a líder em compartilhamento de scooters.

Mas a Bird realmente vale US$ 2 bilhões?

A maior crítica à Bird é que a startup é supervalorizada. A Bird disse em uma declaração regulatória que estava levantando novos fundos que poderiam valorizar a empresa em US$ 2 bilhões, mas muitos acreditam que esse é um preço elevado para uma empresa que atualmente só opera em cidades litorâneas, onde o clima permite andar de scooters durante todo o ano e os moradores locais usam camisetas e moletons para trabalhar. O grande medo dos especialistas é: quando Bird escalar para novas áreas, homens de terno e mulheres em trajes formais podem não querer usar uma scooter para uma reunião de negócios ou mesmo jantar com amigos.

Mas os investidores da starutp não acreditam nisso. “Vocês se lembram do YouTube, quando todos riram do Google por pagar US$ 1,6 bilhão por ele? ‘Nossa, que bobagem’. Ou quando o eBay pagou US$ 1,5 bilhão pelo PayPal, que agora vale US $ 100 bilhões”, disse Botha. “As pessoas que dizem isso da Bird não têm fatos para comprovar seu argumento”, disse ele.

O setor de mobilidade é tão promissor que gerará empresas gigantescas, como um dia pode ser a Bird! Por ser tão disruptivo, muitas vezes fica difícil acompanhar todas as inovações e tecnologias que surgem na indústria de mobilidade. Mas, para manter as pessoas conectadas com essas e outras disrupções da área, a StartSe lançou o Mobility Day, em São Paulo. Saiba mais informações sobre o evento e garanta sua participação!

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(Via: Business Insider)

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