“As pessoas não precisam de um carro para comprar pão na padaria”

Segundo Carolline Volpato, a mobilidade terá que atender cada vez mais exigências vindas de consumidores preocupados com o meio ambiente

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

5 de julho de 2018

O setor de mobilidade raramente experimentou tanta disrupções simultâneas como agora. No futuro, segundo um relatório do McKinsey, os carros elétricos, autônomos e conectados, junto com os serviços de compartilhamento, modificarão ainda mais uma indústria que já está em constante transformação. Com isso, do lado do cliente, novas preferências e atitudes em relação aos carros surgirão como, por exemplo, uma diminuição no  número de consumidores que consideram um veículo como símbolo de status.

De acordo com Carolline Volpato, uma das sócias da EasyCarros e fundadora da EasyMuv, além da necessidade básica de se deslocar de um lugar a outro, os conceitos modernos de mobilidade terão que atender a uma quantidade cada vez maior de exigências, vindas de um consumidor preocupado, dessa vez, com sustentabilidade. “Essas novas tecnologias vão preparar as pessoas para entender como diferentes modais podem fazer a diferença no trânsito. A partir do momento que elas entenderem que não é só carro que precisa estar na rua, e que é possível usar um veículos elétrico alternativo, eu começo a implementar essa consciência nas pessoas sobre o multimodal”, explica.

De acordo com Volpato, a primeira coisa que mudará a forma como as pessoas enxergam a mobilidade são os veículos elétricos. “Apesar de não ser algo novo, a volta dos carros elétricos vai começar a despertar um senso de sustentabilidade nas pessoas. Elas vão entender que não é viável para o planeta colocar 1 bilhão de veículos na rua que poluem o tanto que poluem”, diz.

Apesar de simples, segundo ela, o conceito sobre multimodal ainda não foi implementado na cabeça dos brasileiros hoje. “A gente sempre conversa na EasyMuv sobre os diferentes tipos de veículos que uma pessoa pode ter. As pessoas não precisam de um carro para comprar pão na padaria e, pouco a pouco, elas vão perceber isso”. De acordo com ela, para isso acontecer, só é preciso que as pessoas entendam qual tipo de veículo é adequado para determinado deslocamento.

No Brasil, apesar do país não apresentar grandes diferenças tecnológicas quando comparado a outros, um problema pode atrapalhar a mudança no mindset das pessoas e a criação de novas tecnologias: a burocracia. “Vemos que hoje é muito mais fácil implementar uma tecnologia nova lá fora e testá-la do que fazer isso aqui no Brasil”, conta.  Além dos impedimentos do governo, segundo ela, a cultura das pessoas também podem atrapalhar a inovação no setor de mobilidade. “A gente normalmente aprende que um jeito de fazer as coisas é o jeito certo e temos muita dificuldade para aceitar algo muito diferente. Isso acaba travando a inovação no dia a dia”.

Apesar das dificuldades, Volpato é otimista em relação ao futuro do setor de mobilidade. Por isso, pensando em preparar as pessoas para o que virá posteriormente, a especialista decidiu fundar o EasyMuv – um ecossistema de mobilidade criado para conectar os principais players do setor que estão envolvidos com o futuro da mobilidade.  “A gente pensou nisso porque quando começamos a estudar sobre o assunto, não conseguimos encontrar materiais ricos brasileiros focados no assunto. Foi aí que a gente percebeu que nao tinha ninguem falando ou orientando as pessoas sobre isso no Brasil, então resolvemos disseminar esse conhecimento nós mesmos”.

Com muitas empresas buscando agressivamente oportunidades automotivas e formando parcerias focadas em inovação, os players que se movem mais devagar podem ser deixados para trás. Por isso, a StartSe criou o Mobility Day em parceria com a própria EasyMuv. Entre os palestrantes, estará a Carolinne Volpato, uma das sócias da EasyCarros e fundadora da EasyMuv. Não perca! 

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