Startup de pesquisas paga cerca de R$300 por semana ao usuário

Com sistema preciso e inovador, a Lean Survey foi criada por ex-alunos da USP que largaram o mercado financeiro para empreender

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Paula Zogbi é repórter do portal InfoMoney

11 de novembro de 2015

Questionários na prancheta nunca mais: com cerca de um ano de idade, a startup Lean Survey, criada pelos engenheiros Fernando Salaroli e Alessandro Andrade, tem a pretensão de revolucionar com tecnologia a forma como são feitas as pesquisas de opinião.

Idealizado em julho do ano passado, o aplicativo permite que qualquer pessoa ofereça seus serviços para entrevistar pessoas em pesquisas temáticas encomendadas por empresas. Com menos de um ano de funcionamento formal – a empresa passou a fazer pesquisas pagas em abril deste ano – a plataforma já conta com 3.000 usuários em todo o país.

“Três mil pode parecer pouca coisa, mas com essa base de usuários, hoje já conseguimos realizar pesquisas confiáveis a nível nacional com precisão”, garante Fernando, que cursou faculdade de engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Entre os clientes estão empresas como a Ambev, Telefônica, USP e o Portal Terra.

A ideia do aplicativo veio depois de uma tentativa, de criar um aplicativo social. Os parceiros, que se conheceram na faculdade, trabalhavam no mercado financeiro e perceberam que não estavam satisfeitos na área. “Éramos traders. Eu trabalhava no Morgan Stanley e o Alessandro no Itaú BBA. Primeiro tentamos empreender com a ideia de unir pessoas com o mesmo interesse que estivessem próximas, já usando como base o uso de dados de usuários”. Depois da primeira frustração, eles perceberam que essa base de dados era valiosa, e tiveram a ideia das pesquisas de opinião, que começaram a colocar em prática dentro da universidade.

As primeiras pesquisas foram realizadas dentro da USP, e publicadas no site http://censouniversitario.com/. Com as eleições, os dados acabaram sendo divulgados e o trabalho dos dois já começou a tomar forma e ganhar certo reconhecimento. Nessa época, os colegas participaram de uma competição de startups, tendo apenas a ideia do aplicativo na cabeça, sem estratégia de marketing ou equipe, e conseguiram a primeira rodada de investimento, de R$300 mil, em fevereiro. Eles mesmos tiraram dos próprios bolsos cerca de R$5 mil cada um.

Os primeiros clientes pagantes vieram em seguida. “Dos grandes, o primeiro foi o Portal Terra, que encomendou uma pesquisa sobre o perfil dos participantes da segunda manifestação [contra o governo, em abril]”, conta Fernando.

Valores

Segundo o empreendedor, os usuários que realizam pesquisas faturam entre R$200 e R$300 em média por trabalho, “mas já tivemos casos de usuários que receberam R$1.600 em uma semana. Dá para ganhar um dinheiro bom, se você quiser”. O tempo médio que dura cada trabalho é de uma semana, e os usuários recebem e-mails com as oportunidades de trabalhos e, caso se inscrevam como pesquisadores, as instruções detalhadas para cada uma das pesquisas, que são feitas através do próprio app.

Os valores pagos variam, basicamente, de acordo com o tamanho das pesquisas. “Pensamos assim: ‘quanto precisamos te pagar para você sair de casa e fazer esse trabalho?’ Se a pesquisa for de um minuto, o valor vai ser menor do que uma de oito minutos, por exemplo. Queremos o que vale mais a pena para o nosso usuário”.

Para a empresa, a discrepância de valores é maior, ficando mais difícil de estimar. “Já fizemos projetos desde R$5 mil até centenas de milhares de reais no mercado de pesquisa”, pondera Fernando. “Varia muito dependendo da encomenda”.

Confiabilidade

Eles garantem que a pesquisa saia da maneira mais confiável possível: “temos ferramentas para saber que a pesquisa seja feita direito, como o tempo que durou cada pesquisa e a gravação de parte dos áudios para garantir que o usuário está mesmo entrevistando pessoas. Também comparamos os resultados com as demais amostragens da região onde eles foram coletados e, se preciso, ligamos para o número cadastrado das pessoas entrevistadas”, comenta Fernando. Se um usuário é pego fraudando resultados, ele não recebe o pagamento. “Mas 90% das pessoas faz a pesquisa direito”, garante o empreendedor.

Os responsáveis pela companhia também prometem não deixar os usuários na mão: “nosso contato é feito principalmente por Whatsapp. Se percebemos que algum usuário não está seguindo as instruções da pesquisa, falamos com ele na hora para ajudar. Temos um contato muito próximo com a nossa base”, diz.

Expansão nacional e internacional

A base de usuários atual é formada principalmente por universitários em busca de renda extra, mas a intenção é atrair um escopo mais generalizado. O esquema de divulgação dos trabalhos também deve ser aprimorado: as oportunidades de pesquisa, que hoje são enviadas por e-mail a usuários cadastrados, poderão ser consultadas pela plataforma por todos os interessados.

“Por enquanto nosso foco maior foi em criar um aplicativo com usabilidade boa e atrativo ao usuário, mas ainda não temos uma plataforma para a empresa, que precisa nos contatar diretamente se quiser nossos serviços. É o próximo passo”, afirma Fernando. Depois, a busca é pelo lançamento do app internacionalmente. “Até o meio do ano que vem, lançaremos a versão 2.0 do Lean Survey, para Android, iOS e Windows Phone. Depois disso pretendemos chegar a outros países: primeiro Estados Unidos e depois Europa, principalmente lugares onde o custo da mão de obra é elevado e que possamos diminuir esses gastos”, diz.

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