A busca por inovação e o crescimento dos coworkings

Vitor Perez, sócio da Kyvo, aborda em seu artigo o crescimento dos coworkings no Brasil e a mudança de seu conceito no mercado

#1 - Maior ecossistema de startups do país

13 de dezembro de 2017

*Texto por Vitor Perez, sócio da Kyvo

Um espaço para pequenos empreendedores ou trabalhadores autônomos que buscam a estrutura de um escritório bem equipado ao mesmo tempo em que reduzem seus custos estruturais. Esta seria uma boa definição para explicar o conceito de coworking até um ano e pouco atrás. Não mais. Hoje, nesses espaços é cada vez mais comum a presença de equipes de grandes empresas trabalhando em conjunto com pequenos times de startups.

A explicação dessa mudança passa pela necessidade de as empresas estarem mais perto das startups, atualmente uma importante fonte de inovação para o mercado. E também por ela incentivar dinâmicas mais criativas em departamentos corporativos não tão habituados a este tipo de abordagem em seus processos, geralmente os mais tradicionais. Nos coworkings, o fracasso de uma ideia é bem aceito, até cultuado, como acontece no Vale do Silício. Com isso, a aposta de uma empresa em um possível bom negócio ainda em estágio inicial, ou o desenvolvimento de um serviço/solução que ela acredita não ter o tamanho necessário para incorporar à sua estrutura, tornam-se mais leves para os gestores da empresa. Resumindo, a experimentação é bem-vinda.

Há ainda uma questão geracional. Em um mundo em que a eficácia do ambiente de trabalho é bastante questionada, os coworkings surgem como alternativa. Em geral, quem trabalha neles exalta a diversidade do ambiente, com pessoas de diferentes áreas e empresas dividindo o mesmo espaço. Não é à toa, nos coworkings tudo é pensado para proporcionar o compartilhamento de ideias e relacionamento das empresas. Muito negócio é feito nos corredores, muita troca de cartões. Regras de compartilhamento, que valem para as salas de reunião e também para o café e mesas de refeição divididos entre todos, também corroboram para um comportamento mais solidário entre as pessoas.

Muitas empresas no Brasil já entenderam o recado. Listo algumas só para dimensionar o tema: Visa, EDP Brasil, Bradesco, Itaú, Telefônica, Porto Seguro…

Na outra ponta, a movimentação na estruturação de novos coworkings é intensa. Sobretudo em São Paulo, o grande centro corporativo da América Latina, e que naturalmente concentra a maior parte dos espaços em funcionamento no país. Em março deste ano, a startup de coworking We Work, fundada em 2010 nos Estados Unidos e hoje avaliada em US$ 20 bilhões, anunciou o início de suas operações no Brasil. Já conta com quatro unidades em São Paulo e três no Rio de Janeiro. O CUBO, espaço de coworking do Itaú e do fundo de venture capital Redpoint eventures na capital paulista, anunciou em agosto seu plano de expansão. Vai quadruplicar sua capacidade, mudando-se para um prédio de 12 andares e com espaço para abrigar até 210 equipes de trabalho. Seu principal concorrente, o Bradesco, vai na mesma linha, com a inauguração do Habitat. Um espaço com 22 mil metros quadrados que se propõe a fomentar a co-inovação. O Plug, também de São Paulo, já abriu uma unidade em Boston, nos Estados Unidos, em busca de empresas e pequenos empreendedores interessados em negócios no Brasil.

Para quem tem mais de 40 anos, o conceito do coworking nem sempre é tão claro. Mas imagine para um millenial que tem, naturalmente, uma concepção mais alternativa ao modelo de trabalho e que já nasceu com uma autonomia tecnológica maior que as demais gerações. Para ele, o escritório tradicional não faz diferença, o drive de resultados que ele busca independe da mesa envidraçada do chefe. E as empresas que não entenderem isso vão sofrer. Pois, no fim, elas precisam estar com seus times e produtos atualizados para este perfil de cliente.

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