Bitcoin vale a pena?

A resposta, curta e seca, é sim, a depender de quanto risco você está disposto a tomar em um investimento

Bitcoin

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

31 de outubro de 2017

Os últimos meses foram de fortes discussões para o Bitcoin, uma moeda digital que existe desde 2009. Ela finalmente entrou no radar das “pessoas comuns”, saindo de seu posto de investimento de pessoas entendidas em tecnologia. Grandes veículos de mídia começaram a falar dela, de outras criptomoedas e da tecnologia que permite a existência delas, o Blockchain. Será que Bitcoin vale a pena?

A resposta, curta e seca, é sim, a depender de quanto risco você está disposto a tomar em um investimento. Se é um risco alto para um resultado alto, ótimo, Bitcoin pode ser uma boa alternativa. Porém, se você espera um ganho elevado com baixo risco, fique longe de criptomoedas.

Vamos falar TUDO sobre Bitcoin, Blockchain e outras criptomoedas (as altcoins) em um evento exclusivo em São Paulo com os maiores especialistas do Brasil no assunto. Trata-se do Bitcoin Conference, que acontece no dia 7 de novembro. O evento é indicado para todos que querem aprender mais sobre a moeda, saber como ganhar dinheiro com isso que pode ser um excelente investimento para os próximos anos.

Dê uma olhada na programação e garanta uma das últimas vagas para o evento.

Nada é garantido

Neste momento, não há dúvidas de que boa parte do mercado entende o Bitcoin como uma moeda inovadora e uma reserva de capital interessante. Há quem diga que o valor deverá disparar para mais de US$ 100.000 ou até US$ 1 milhão. É cedo para dizer que este tipo de valorização é alcançável, mas que, nos cenários mais otimistas, espera-se essa alta em teoria.

Outra parte do mercado, porém, acredita que a disparada de preço constitui uma bolha – já que o Bitcoin não tem valor intrínseco. Entre as pessoas deste lado da moeda está o megainvestidor Warren Buffett, que não sabe como atribuir um valuation para o Bitcoin. Se o Bitcoin pode bater US$ 1 milhão, é capaz de que ele também possa valer US$ 1.

Há um ponto interessante a respeito do mercado: é capaz de ganhar dinheiro tanto se ela subir quanto se ela cair. E mesmo se ela for uma bolha propriamente dita, é possível ganhar dinheiro com ela antes de estourar. Só que nada é garantido. Se você calcular o momento de adesão errado, pode acabar sendo pego no contrapé.

Para quem acredita em alta, O Bitcoin é uma grande oportunidade, mesmo nos preços atuais, principalmente ao perceber que a alta dos últimos anos e meses ainda não deu nenhum sinal de que vai parar ou reverter em breve, nem mesmo quando o governo chinês resolveu endurecer com a moeda. Isso até pode acontecer, mas ainda não há sinal.

Só que é necessário muito cuidado também neste segmento. Por mais que você ou eu acreditemos em altas para a moeda, uma palavra não existe quando conversamos sobre Bitcoin: “garantido”. Embora muitos picaretas (a palavra é essa, desculpa) te prometam retorno de X%, Y% ou Z% garantidos, não há como prometer nada neste mundo.

Como o assunto é quente e não-regulado, muitos golpistas começaram a fazer esquemas de pirâmide financeira com o nome do “Bitcoin”, principalmente atuando em marketing multi-nível. Um investidor alimenta o ganho do próximo e assim vai…. Tem gente fazendo isso até em cidade pequena atualmente. Mas o Bitcoin, em si, não é nem perto do que era o TelexFree. Saber desassociar o que é a moeda e o que é o serviço prestado é essencial para não cair em nenhum golpe envolvendo o Bitcoin.

Eliminando os picaretas, tem muita gente boa e honesta trabalhando com o Bitcoin. Aqui no Brasil, temos duas grandes exchanges que negociam milhões da moeda diariamente: o Mercado Bitcoin e a FoxBit. Para começar, eu recomendaria uma dessas duas exchanges (que você pode conhecer no Bitcoin Conference).

É apenas o início da tecnologia

Em relação à tecnologia, o Blockchain, só é possível ter otimismo. Temos uma postura muito clara a respeito do tema, entendemos que a tecnologia por trás do Bitcoin é altamente revolucionária e vai mudar o mundo em muitos aspectos, que moedas digitais são possíveis e alcançáveis, mas que ainda há muita história para os próximos meses e anos.

Só em 2017 o Bitcoin teve uma alta de mais de 500%, superando os US$ 6.500 – ou mais de R$ 20.000. No total, as 16 milhões de Bitcoins valem US$ 103 bilhões juntas, o suficiente para valer mais do que TODAS as empresas brasileiras, com exceção da Ambev (que vale US$ 107 bilhões, de acordo com o fechamento da Bovespa na última semana).

Ela ultrapassa os grandes bancos Itaú e Bradesco, que valem US$ 87,6 bilhões e US$ 69,6 bilhões, respectivamente, e as empresas de commodities, como Petrobras (valor de mercado de US$ 67,6 bilhões) e Vale (US$ 51,9 bilhões). No momento, o Bitcoin já vale mais que três Bancos do Brasil (US$ 33,8 bilhões) juntos.

Embora o Bitcoin não seja uma empresa, você consegue saber o valor dele ao multiplicar o seu valor pela quantidade de moeda emitida (que é sempre conhecido, ao contrário de reais ou dólares). E aí é a parte divertida da história, já que se no momento ele vale como uma das maiores empresas da bolsa brasileira, se a adoção for generalizada, ele precisa valer muito, mas muito mais.

Ele só será capaz de substituir as moedas que conhecemos e usemos hoje quando a adoção for geral – e as pessoas começarem a usar o Bitcoin no dia a dia. Neste momento, ela precisa se tornar tão valiosa quanto todas as empresas da Bovespa e de todas as outras bolsas do mundo, junto com a quantia em dinheiro vivo e outros investimentos.

Em suma, ela precisa ser a soma de todas as riquezas mundiais. Só assim ela pode substituir o sistema financeiro atual. Ou seja, valer próximo dos US$ 31 trilhões de dinheiro que existe no mundo (sem contar o valor das empresas, pois aí a fortuna do mundo salta para US$ 86,6 trilhões).

Mesmo se ela chegar “só” no valor de dólares que estão em circulação, US$ 1,5 trilhão, ou do ouro, US$ 8,2 trilhões, já é uma alta expressiva. E como o Bitcoin é um dinheiro super útil e uma boa forma de transferir recursos entre nações sem pagar taxas por isso (você transfere tão facilmente o dinheiro para uma pessoa que está no Zimbabwe quanto para uma pessoa na cidade vizinha), acredita-se que existe essa possibilidade de substituir o dinheiro. E explodir de valor por conta disso.

Ou seja, se você acredita que o Bitcoin é capaz de assumir o lugar do dinheiro, a tendência é de MUITA alta. O problema é que isso vem com um risco imenso, já que o Bitcoin também pode perder todo o valor que ele tem atualmente – caso os governos encontrem um jeito de destruir ou uma outra alternativa surja.

Dinheiro institucional pode entrar

Essa forte alta de 2017 pode ser relevante para que a moeda entre em um momento muito importante: o começo da entrada do dinheiro institucional. Isso, aponta o Cointelegraph, pode ser o fator principal para multiplicar o preço da moeda nos próximos anos.

Até pouco tempo atrás, o Bitcoin era uma coisa só dos “entendidos de tecnologia” e vem se popularizando entre as “pessoas comuns”, o que aumenta o mercado potencial da moeda em milhares de vezes.

Tanto o Bitcoin quanto outras criptomoedas, estão entrando no radar dos grandes investidores – o Goldman Sachs, por exemplo, destacou que “já não é possível ignorar as criptomoedas” e, rumores apontam, estaria preparando uma plataforma de negociação de moedas.

Isso colocaria as moedas, muitas que já subiram 500% este ano, na mira de investidores – podendo crescer ainda mais. O Cointelegraph aposta em um valor total para elas de US$ 1 trilhão em 2018 – contra US$ 180 bilhões de atualmente. Parece MUITO, mas é só repetir o excelente desempenho deste ano.

De fato, são criados mais de 30.000 carteiras de Bitcoin todos os dias – indicando que tem muita gente interessada para começar a mexer com a moeda. Além disso, grandes bancos podem começar a operar ETFs (Exchange tradeable funds) nas bolsas americanas, o que vai aumentar (e muito) a demanda pelo Bitcoin.

Retornos ainda estão muito altos

Potencialmente mais lucrativos que o Bitcoin, porém, estão os ICOs, os lançamentos de novas moedas. ICO significa Initial Coin Offering, um instrumento para lançamento de novas moedas, muitas delas atreladas aos novos projetos de empreendedorismo que surgem a cada dia – tornou-se, portanto, uma forma de levantar dinheiro. Cada moeda e empresa tem sua dinâmica (o que permite que surjam dezenas de ICOs anti-éticos, com certeza).

Um investimento cego em todos os 204 ICOs já lançados e finalizados teria dado, em média, 1.320% de valorização – isso já contabilizando TODOS os ICOs que deram errado. Esse é um estudo de Michael Jackson, ex-COO do Skype e que hoje é um dos sócios da Mangrove.

Isso mostra o motivo de muitos dos investidores institucionais estão se interessando cada vez mais por ICOs. Contudo, esses investimentos estão caracterizados por alta volatilidade e em um “campo especulativo”, de acordo com o UBS. Mesmo assim, hedge funds começam a querer participar desta “festa”.

O problema é que o mercado é usualmente muito pequeno para grandes fundos. Isso poderá ser resolvido, se o Goldman Sachs fizer o que ameaça fazer: criar ele mesmo um painel de para negociação de grandes quantidades de criptomoedas – o que seria um grande “marco” para o setor.

A tendência é que essa grande injeção de demanda resulte em uma alta ainda mais forte, antes de uma “estabilização” do mercado – com retornos cada vez mais baixos em um determinado período de tempo.

Usabilidade da moeda é fundamental

O caso da Venezuela é cada vez mais interessante como campo de testes para o Bitcoin: o governo do país tomou todas as decisões erradas no campo econômico, causando uma hiperinflação e falta endêmica de produtos de necessidade básica. Por conta disso, milhares de negócios já pararam de aceitar o bolívar, a moeda do governo, e estão aceitando outras formas de pagamento.

Só que o país também está privado de dólares (graças ao controle cambial de longa data), então a principal alternativa à moeda oficial se tornou o Bitcoin. Governos morrem de medo de moedas digitais privadas pelo fato de que elas tiram um poder gigantesco delas. Moedas funcionam, basicamente, com confiança.

Como instituições privadas, historicamente, não foram confiáveis (com muita história de moeda adulterada), os governos assumiram a função. O problema é que os governos também não são, historicamente, confiáveis (quantos casos de hiperinflação você conhece?). Se você pudesse trocar o sistema de confiança por um sistema impossível de ser ludibriado, você não o faria?

Então ao surgir uma moeda aberta, transparente e com um número conhecido de unidades em circulação, uma revolução começou! Uma revolução que foi prevista pelo economista austríaco Friedrich Hayek na obra “Desestatização do dinheiro”, onde ele apostava em um mundo com vários emissores de moeda e que a mais estável seria a mais aceita pela população.

Com as criptomoedas, estamos caminhando para isso: tirando um poder gigantesco do Estado, que em muitos casos é usado de maneira errada e acaba. Por isso os governos mundiais estão malucos para regulamentar ou proibir a moeda. O caso venezuelano, porém, mostra que não tem muito o que fazer contra a moeda quando a população resolve usá-la.

Não existe como fazer controle cambial no Bitcoin, ela é muito fácil de ser negociada para fora de seu país – basta usá-la do mesmo jeito que você a usaria dentro de seu próprio país. “Só que eles não podem fazer nada a respeito. Como você para algo que não pode ser parado?”, diz John McAfee, hoje um grande minerador de Bitcoin.

O motivo do Bitcoin subir tanto é simples: é uma aposta que a moeda pode substituir o dinheiro emitido pelo estados e criar uma moeda completamente global, sem nenhuma restrição. Isso a gente já vê na Venezuela, onde o Bolívar está totalmente descreditado e a população está passando a usar o Bitcoin na economia do dia-a-dia e para importar os milhares de produtos que lá faltam.

O Blockchain elimina o principal risco de uma moeda privada, que é o emissor criar dinheiro falso e inundar o mercado – dando mais credibilidade à moeda do que dinheiro emitido por governos corruptos e incompetentes (alô, Venezuela). Só podem existir 21 milhões de Bitcoins e isso é provado matematicamente na rede, impossibilitando de que algum emissor emita mais. Na verdade, não existe um “emissor central” de Bitcoin. É completamente descentralizado.

Mas isso é uma corrida de longuíssimo prazo – são necessárias décadas até que o mundo troque o dinheiro governamental por criptosmoedas. MUITA coisa precisa mudar. Qual seria uma estimativa para os próximos anos, então? “Isso é difícil prever. Porém, acredito que cerca de US$ 500 bilhões seja bem factível num espaço de cinco anos ou menos. Isso significaria aproximadamente 6% do market do ouro”, afirma Fernando Ulrich, maior especialista brasileiro em Bitcoin, e que estará no evento conosco.

É bolha?

Contudo, existem pessoas que acreditam que o Bitcoin é uma bolha (e isso é uma possibilidade real). A valorização dos últimos anos impressiona e, usualmente, quando um investimento sobe tanto assim, geralmente está calçado em mentiras, gerando uma queda tão ou mais impressionante ainda.

O Bitcoin por si não tem fundamentos, ele é uma abstração. Não é uma abstração maior do que dizer que um pedaço de papel com um número tenha valor, ou que um pedaço de metal amarelo que brilha tenha valor, mas é uma abstração. Seu valor é convencionado entre as pessoas. E é só isso que garante valor a ela.

Ou seja, a valorização do Bitcoin depende de quantas pessoas começam a aceitar isso na economia do dia-a-dia. Se isso acabar por algum motivo (seja por conta de uma brutal repressão governamental ou pelo surgimento de uma outra alternativa), o Bitcoin perderá valor drasticamente.

Além disso, como toda moeda, o Bitcoin é uma corrida de 0 a 1, onde o 0 é o momento em que ela não existe e o 1 é onde ela é o monopólio dos pagamentos – que é quando ela tem o valor máximo. Hoje existem diversas outras moedas disputando espaço.

Se alguma moeda ultrapassar o Bitcoin em termos de adoção, ele perderá valor drasticamente. Ou seja, é sempre bom ficar de olho nas altcoins para ver se tem alguma outra que está valendo mais a pena – seja por ter uma tecnologia ou uma premissa melhor que o Bitcoin.

Hoje, a moeda é uma boa oportunidade, mas que existem riscos. A depender de quanto você investe, dá para ficar milionário nos próximos anos. Mas para que isso não seja um pulo no escuro, recomendamos que você estude o cenário o mais profundamente possível. E boa sorte.

Convidamos todos vocês a participarem do nosso evento no dia 7 de novembro, o Bitcoin Conference. Vai ser uma oportunidade de aprender sobre o assunto com os maiores especialistas brasileiros no assunto.

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