Condomínios sustentáveis, seguros e mais distantes: a habitação do século XXI

Casas mais distantes significavam casas maiores também, já que as pessoas começaram a se mudar para bairros mais distantes do centro

Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

14 de julho de 2017

Duzentos anos atrás, a maioria das pessoas não saía de um raio de 50 quilômetros da região de seu nascimento. Antes do carro, era raro que alguém conseguisse cobrir distâncias longas. Como consequência, seu trabalho era obrigatoriamente próximo da sua casa. Distância andável, no máximo.

O carro, o metrô e o ônibus mudaram essa realidade de maneira definitiva. As casas passaram a ser mais distantes do trabalho das pessoas e elas passaram a ter oportunidade de diversificar sua vida no trabalho. Casas mais distantes significavam casas maiores também, já que as pessoas começaram a se mudar para bairros mais distantes do centro (e mais baratos também).

Uma única tecnologia vai mudar isso ainda mais: carros elétricos e autônomos. Um adendo importante é que o preço da energia pode se tornar quase irrelevante com fontes sustentáveis e que sejam produzidas na própria região de consumo. Isso pode fazer com que um condomínio fechado tenha uma grande área de produção de energia através de painéis solares (que carregarão baterias parecidas com as da Tesla), usado para “abastecer” a bateria dos carros elétricos.

A autonomia dos carros permitirá você cruzar distâncias enormes, sem que isso seja um problema para você – você poderá ir dormindo, tomando café da manhã ou até mesmo trabalhando. Pegar estrada não será um desafio, já que quando todos os carros se dirigirem sozinhos, não teremos mais trânsito.

E isso significa que você poderá morar em regiões mais distantes do seu trabalho. Mais condomínios e sustentáveis deverão surgir na beira de estradas perto das grandes cidades – todos os bairros deste tipo deverão ter iniciativas para geração de energia renováveis, tecnologias para cuidar de reuso de água, reciclagem, lojas e centros de lazer.

Por conta da maior distância (e terrenos mais baratos), as casas deverão ser maiores do que a média atual. A criação de subúrbios, que ocorreu nos Estados Unidos, se repetirá também no Brasil – continuando a tendência atual. Com o carro autônomo, serviços de entregas serão mais convenientes para quem quer morar fora da cidade.

A cidade passará a ser um local para socialização e trabalho, além de moradia para quem preferir morar na região central ou não tem condições materiais para adquirir uma casa em um condomínio (que deverá ser mais barato, principalmente conforme a produtividade do setor imobiliário cresce com novas tecnologias de produção, como impressoras 3D).

Quem está pensando nas comunidades do futuro é a Alphaville Urbanismo, empresa responsável pelo primeiro bairro planejado no Brasil. No programa Alpha Inova, a empresa busca startups para se relacionar, realizando um piloto ou prova de conceito dentro da empresa, abordando desafios estratégicos reais da Alphaville. As startups então podem ser contratadas como fornecedores ou parceiros da companhia, para gerar uma maior eficiência operacional e criar valor os clientes.

É importante frisar que a empresa pede por startups que já estão no estágio de MVP, ou seja, já possuem um produto mínimo viável funcionando, desenvolvido e validado – não busca startups que estejam em ideação. A companhia prioriza seis desafios estratégicos: construção (eficiência e sustentabilidade), comunidade e serviços, relacionamento e atendimento a clientes, marketing e vendas e eficiência de processos internos. Você pode se inscrever através deste link, na base do StartSe.

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