Dá para ficar milionário investindo em Bitcoins?

O Bitcoin é uma oportunidade, mas existem muitos riscos associados com a moeda no momento; estude, se aprofunde e boa sorte

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Felipe Moreno é editor-chefe do StartSe e fundador da startup Middi, era editor no InfoMoney antes

3 de outubro de 2017

O Bitcoin é o assunto do momento. Uma alta gigantesca nos últimos anos que chamou a atenção de todos, com os preços saltando mais de 300% só em 2017. Grandes bancos de investimento estão interessados em oferecer essa moeda para seus clientes no exterior, enquanto a maior corretora brasileira também pensa em introduzir essa opção para os seus.

Não há dúvidas de que boa parte do mercado entende o Bitcoin como uma moeda inovadora e uma reserva de capital interessante. Há quem diga que o valor deverá disparar para mais de US$ 100.000 ou até US$ 1 milhão. É cedo para dizer que este tipo de valorização é alcançável, mas que, nos cenários mais otimistas, espera-se essa alta em teoria.

Antes de responder a pergunta do título, peço que você me PROMETA que você vai continuar lendo esta matéria antes de dizer que “o StartSe disse que o Bitcoin vai te fazer milionário” ou “o Startse disse que a moeda vai subir muito”. O StartSe (nem ninguém representando o StartSe) vai te prometer qualquer coisa a respeito.

Temos uma postura muito clara a respeito do tema: entendemos que a tecnologia por trás do Bitcoin é altamente revolucionária e vai mudar o mundo em muitos aspectos, que moedas digitais são possíveis e alcançáveis, mas que ainda há muita história para os próximos meses e anos antes de fazer qualquer previsão.

Esse é um cenário em mudanças todos os dias e que debateremos a fundo, com todas as oportunidades e riscos, através do Bitcoin Conference – um evento com os maiores especialistas nacionais na moeda. Desculpa o jabá no meio da matéria, mas para você que quer embarcar no mundo do Bitcoin, esse evento é uma para obrigatória. Um conteúdo de primeira para você aprender a usar a moeda na prática e mitigar os riscos inerentes.

Então a resposta para o título desta matéria é um simples: “sim, dá”. O Bitcoin é uma grande oportunidade, mesmo nos preços atuais, e a alta dos últimos anos e meses ainda não deu nenhum sinal de que vai parar ou reverter em breve, nem quando o governo chinês resolveu endurecer com a moeda. Isso até pode acontecer, mas ainda não há sinal.

Só que é necessário muito cuidado também neste segmento. Uma palavra não existe quando conversamos sobre Bitcoin: “garantido”. Embora muitos picaretas (a palavra é essa, desculpa) te prometam retorno de X%, Y% ou Z% garantidos, não há como prometer nada neste mundo.

Como o assunto é quente e não-regulado, muitos golpistas começaram a fazer esquemas de pirâmide financeira com o nome do “Bitcoin”. Um investidor alimenta o ganho do próximo e assim vai…. Tem gente fazendo isso até em cidade pequena atualmente. Mas o Bitcoin, em si, não é nem perto do que era o TelexFree.

Só pode ser garantido a pessoa estiver prometendo investir em Bitcoin e secretamente colocando seu dinheiro em títulos do Tesouro (esses sim, você pode fazer esse tipo). Mas aí é outra história, não é?

Substituir o dinheiro

Eliminando os picaretas, tem muita gente boa e honesta trabalhando com o Bitcoin. Aqui no Brasil, temos duas grandes exchanges que negociam milhões da moeda diariamente: o Mercado Bitcoin e a FoxBit. Para começar, eu recomendaria uma dessas duas exchanges (que você pode conhecer no Bitcoin Conference, by the way).

O motivo do Bitcoin subir tanto é simples: é uma aposta que a moeda pode substituir o dinheiro emitido pelo estados e criar uma moeda completamente global, sem nenhuma restrição. Isso a gente já vê na Venezuela, onde o Bolívar está totalmente descreditado e a população está passando a usar o Bitcoin na economia do dia-a-dia e para importar os milhares de produtos que lá faltam.

O Blockchain elimina o principal risco de uma moeda privada, que é o emissor criar dinheiro falso e inundar o mercado – dando mais credibilidade à moeda do que dinheiro emitido por governos corruptos e incompetentes (alô, Venezuela). Só podem existir 21 milhões de Bitcoins e isso é provado matematicamente na rede, impossibilitando de que algum emissor emita mais. Na verdade, não existe um “emissor central” de Bitcoin. É completamente descentralizado.

Atualmente, todos os Bitcoins emitidos valem cerca de US$ 70 bilhões. É um “market cap” muito baixo para uma moeda de pretensões globais (imagine, o Bill Gates poderia comprar todos os Bitcoins se quisesse). Se ela começar a ser usada para valer por pessoas de todo o mundo, ela precisa valer um valor próximo do que ela está substituindo. Ou seja, valer próximo dos US$ 31 trilhões de dinheiro que existe no mundo (sem contar o valor das empresas, pois aí a fortuna do mundo salta para US$ 86,6 trilhões).

Mesmo se ela chegar “só” no valor de dólares que estão em circulação, US$ 1,5 trilhão, ou do ouro, US$ 8,2 trilhões, já é uma alta expressiva. E como o Bitcoin é um dinheiro super útil e uma boa forma de transferir recursos entre nações sem pagar taxas por isso (você transfere tão facilmente o dinheiro para uma pessoa que está no Zimbabwe quanto para uma pessoa na cidade vizinha), acredita-se que existe essa possibilidade de substituir o dinheiro. E explodir de valor por conta disso.

Mas isso é uma corrida de longuíssimo prazo – são necessárias décadas até que o mundo troque o dinheiro governamental por criptosmoedas. MUITA coisa precisa mudar. Qual seria uma estimativa para os próximos anos, então? “Isso é difícil prever. Porém, acredito que cerca de US$ 500 bilhões seja bem factível num espaço de cinco anos ou menos. Isso significaria aproximadamente 6% do market do ouro”, afirma Fernando Ulrich, maior especialistas brasileiro em Bitcoin, e que estará no evento conosco.

É bolha?

Contudo, existem pessoas que acreditam que o Bitcoin é uma bolha (e isso é uma possibilidade real). A valorização dos últimos anos impressiona e, usualmente, quando um investimento sobe tanto assim, geralmente está calçado em mentiras, gerando uma queda tão ou mais impressionante ainda.

O Bitcoin por si não tem fundamentos, ele é uma abstração. Não é uma abstração maior do que dizer que um pedaço de papel com um número tenha valor, ou que um pedaço de metal amarelo que brilha tenha valor, mas é uma abstração. Seu valor é convencionado entre as pessoas. E é só isso que garante valor a ela.

Ou seja, a valorização do Bitcoin depende de quantas pessoas começam a aceitar isso na economia do dia-a-dia. Se isso acabar por algum motivo (seja por conta de uma brutal repressão governamental ou pelo surgimento de uma outra alternativa), o Bitcoin perderá valor drasticamente.

Além disso, como toda moeda, o Bitcoin é uma corrida de 0 a 1, onde o 0 é o momento em que ela não existe e o 1 é onde ela é o monopólio dos pagamentos – que é quando ela tem o valor máximo. Hoje existem diversas outras moedas disputando espaço, e uma delas chega a valer até metade do valor do Bitcoin. Se alguma moeda ultrapassar o Bitcoin em termos de adoção, ele perderá valor drasticamente.

Hoje, a moeda é uma boa oportunidade, mas que existem riscos. A depender de quanto você investe, dá para ficar milionário nos próximos anos. Mas para que isso não seja um pulo no escuro, recomendamos que você estude o cenário o mais profundamente possível. E boa sorte.

Conheça os maiores especialistas em Bitcoin no Bitcoin Conference

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