Saiba como o Magazine Luiza está lidando com as mudanças no varejo

O CTO do Magazine Luiza, André Fatala, falou sobre as transformações do setor varejista

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

5 de dezembro de 2017

O CTO do Magazine Luiza, André Fatala, falou um pouco sobre as transformações do setor varejista e revelou como a empresa está lidando com estas mudanças no mercado. A palestra do diretor-chefe de tecnologia do Magazine aconteceu durante o RetailTech Conference, a maior conferência de tecnologia do varejo do Brasil.

A transformação digital na empresa começou em 2012 com uma área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico, chamado LuizaLabs. No ano seguinte, o grupo começou a utilizar o bigdata para armazenar dados dos clientes e encontrar oportunidades de desenvolvimento. De acordo com Fatala, construir uma estratégia baseada em dados é mais barato e simples do que outro tipo de abordagem.

A partir dos resultados obtidos nos anos anteriores, o LuizaLabs assumiu, em 2014, toda a parte tecnológica do e-commerce da empresa. De acordo com André, foi nesse momento que surgiu a necessidade de criar times multidisciplinares e especializados.  “O checkout, por exemplo, é um processo crítico. Então decidimos criar um time exclusivo para cuidar do checkout para que os indicadores daquele grupo aumentem a taxa de conversão”, conta. Em 2015, o LuizaLabs assumiu toda a loja online do Magazine Luiza e, no início de 2017, o grupo se tornou responsável por toda a parte de tecnologia da empresa e desenvolvimento do produto dentro das lojas.

Segundo André, o LuizaLabs cuida do Magazine Luiza da mesma forma como cuidaria de uma startup, buscando um tipo de estrutura que descentraliza o processo de tomada de decisão. Prova disso, de acordo com Fatala, é a utilização da metodologia MVP até os dias de hoje. “Muitas vezes o que a gente coloca no ar é um MVP. Mas a gente pensa nele como um processo mínimo viável, não é só o produto. Porque as vezes a pessoa tira muito do produto para deixar ele viável que não consegue testar e validar a ideia. Além disso, lá a gente tem uma aceitação muito grande ao erro, porque com o MVP os ciclos de erro são mais curtos o que possibilita a rápida identificação do erro e fomenta o aprendizado”, diz.

De acordo com ele, o Magazine Luiza investe em tecnologia para aumentar a oferta de produtos, tornar o processo de compra mais fácil – após remover fricção, tanto no digital quanto no físico –, e entregar os produtos de forma rápida e barata. Todos esses fatores ao serem combinados melhoram a experiência de compra do novo consumidor.

Magalu App

Em 2015, entre as diversas soluções desenvolvidas pela empresa, o Magazine Luiza apostou na criação do Magalu App. O objetivo do aplicativo é fomentar a multicanalidade dentro da loja e, dentro dele, o usuário consegue buscar os melhores preços e produtos, ver promoções, descontos e avaliações de produtos, saber as lojas do Magazine mais próximas de sua localização e, principalmente, comprar os produtos desejados.

Lu Bot

A solução desenvolvida pelo LuizaLabs, uma área de pesquisa e desenvolvimento tecnológico do Magazine Luiza, combina chatbot e inteligência artificial para criar a Lu, assistente virtual da loja. A tecnologia, além de ajudar o cliente ao tornar o atendimento mais rápido e eficiente, auxilia o grupo internamente ao automatizar tarefas repetitivas.

Mobile Vendas

Uma das soluções mais inovadores do Magazine Luiza é o Mobile Vendas, um catálogo de produtos e serviços online. Atualmente, cerca de 10 mil vendedores da loja física são capazes de verificar e fazer a venda de produtos, tanto do marketplace quanto da própria loja física, em somente um aplicativo. “Com ele, os pedidos são feitos em menos de 5 minutos, como na nossa venda da Black Friday. Ou seja, a tecnologia no mundo físico faz com que a eficiência em operações seja muito maior”, afirma o CTO do Magazine Luiza.

Smart-troca

O Magazine Luiza é o primeiro grande varejista a adotar o modelo de recompra no Brasil. O funcionamento dessa solução é simples: um consumidor leva seu aparelho usado até uma loja da empresa e o vendedor, com a ajuda de um sistema, fará a avaliação do produto. A partir da análise, o sistema informará o valor de recompra e, consequentemente, quanto ele vale na troca por um aparelho novo.

Além dessas já citadas, o Magazine Luiza já desenvolveu mais de dez soluções que buscam melhorar a experiência de compra do consumidor e tornar processos internos mais eficientes.  Entre elas, estão o Magazine Você, Quero Casamento, Mobile Pagamentos, Venda Bem, Mobile Estoquista, Promova, Mobile Pedidos, Mobile Montadores e muitas outras.

Segundo André Fatala, para permitir que inovações aconteçam dentro de grandes empresas é necessário quebrar alguns paradigmas e ser ágil na solução de problemas – dada a rápida mudança do perfil consumidor e da economia em geral. “No Magazine Luiza esse movimento começou a se desenvolver em 2012. Nós tratamos a tecnologia apenas como um meio para resolver algum problema. Mas, muitas vezes, as pessoas focam só na tecnologia e esquecem do problema que precisa ser solucionado”, diz.

O novo modelo, que utiliza a tecnologia a favor do varejo, gerou bons resultados: a empresa obteve, em 20167, um lucro 600% maior em relação ao segundo trimestre do ano passado. O e-commerce foi responsável por 55% deste ganho, considerado o maior da sua história.

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