RetailTech: Como a transformação digital afeta os grandes varejistas?

De acordo com o CEO da Saraiva, o omnichannel será o caminho para unir as experiências de comprar dos públicos e criará algo único

Isabella Câmara é repórter do StartSe.

6 de dezembro de 2017

A Livraria Saraiva, um dos maiores grupos empresariais do Brasil, nasceu em 1914 com foco em comercializar livros usados. No RetailTech, o CEO da empresa, Jorge Saraiva Neto, contou um pouco sobre a trajetória do grupo, que já está no mercado há 103 anos, e as perspectivas da empresa em relação as novas tecnologias. Durante o evento desenvolvido pela Startse, Rui Cunha, Diretor de Supply Chain no Walmart, também falou sobre as iniciativas da empresa no setor varejista.

Transformação Digital

De acordo com Jorge, a tecnologia é fundamento para o bom funcionamento da empresa. “Começamos a transformação digital na Saraiva ano passado, e com ela a gente busca continuar fidelizando o nosso consumidor, trazer uma experiência de quase folhear um livro online e criar negócios paralelos que levam a Saraiva para outros mercados”, conta.

Para o CEO, o maior desafio da implementação de uma cultura digital é lidar com as pessoas e, para driblá-lo, a melhor alternativa é a comunicação. Usar grandes reuniões, apostar em discursos coerentes e em portais de comunicação online, segundo ele, é uma boa opção para conversar com os funcionários durante a longa jornada de transformação. “A Saraiva está há 1 ano nesse processo, mas ainda falta muito. Isso porque demora cerca de 4 anos para transformar a cultura de uma empresa”, conta.

A Saraiva conseguiu se manter líder no mercado de livros mesmo depois da entrada da Amazon no Brasil. A grande razão para isso, segundo o CEO da empresa, é o foco no cliente. “É muito difícil prever o que fazer para se manter na liderança, mas o segredo é manter sempre o foco na expectativa que o cliente tem […]. Na Saraiva a gente não diferencia o público online e off-line, para nós ele é um só”, conta.

No futuro, de acordo com Jorge, o omnichannel será o caminho para unir as experiências de comprar dos públicos e criará algo único. Além dos eventos, que são fundamentais para atrair o cliente, a Saraiva apostará na união do mundo físico e digital ao trazer para lojas físicas o mobile checkout e até um aplicativo que dá mais informações sobre um produto.

Saraiva para Escolas

Um grande exemplo de inovação da empresa é o aplicativo Saraiva para Escolas. Com ele, os professores das escolas conveniadas ao grupo Saraiva podem selecionar os livros que pretendem utilizar no ano letivo e enviar as listas de livros para aprovação dos coordenadores. O aplicativo, disponível na App Store e Play Store, é uma nova forma de acessar o catálogo da Saraiva de forma rápida e fácil.

Inteligência artificial machine learning e drones 

De acordo com Rui Cunha, Diretor de Supply Chain no Walmart, a empresa está passando por uma profunda transformação digital que busca criar uma experiência de compra única por meio do omnichannel. “Estamos tentando aplicar machine learning e inteligência artificial em nossas vendas para melhorar esse processo”, conta Rui.

Além disso, a empresa apostou na compra de startups para inovar dentro da corporação. No ano passado, por exemplo, o Walmart comprou a varejista online Jet.com por cerca de US$ 3 bilhões para reviver seu e-commerce e competir com a Amazon. Os resultados foram positivos: sua receita aumentou cerca de 50% em relação a 2016, graças aos esforços em escalar sua plataforma de e-commerce.

Para Rui, as lojas físicas não vão deixar de existir, somente serão modificadas. “Elas serão cada vez mais focadas na experiência de compra e interação com o cliente. A lojas físicas serão a nossa prioridade no Walmart […] Mas nós não é abriremos novas lojas, mas sim reinventaremos o formato das nossas lojas físicas no Brasil que já se tornaram obsoletos”, conta.

Em relação a novas tecnologias, Rui Cunha afirma que a inteligência artificial está sendo estudada pela área jurídica da empresa em parceria com a IBM. Além disso, segundo o diretor, que drones já se tornaram realidade em fase de teste e robôs já estão sendo utilizados nos Estados Unidos e México para identificar falhas nas prateleiras.

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