Carros autônomos são uma realidade – sua infraestrutura também?

Depois de milhões de testes em diversos lugares dos Estados Unidos, uma coisa é certa: as rodovias não estão preparadas

Lucas Bicudo é repórter do Portal StartSe.

18 de maio de 2017

Vocês já estão cobertos de saber: os carros autônomos estão chegando. Mas essa não é toda a história.

Montadoras estão focadas em construir carros com hardware semiautônomo, mas elas não estão olhando para infraestrutura. Depois de milhões de testes em diversos lugares dos Estados Unidos, uma coisa é certa: as rodovias não estão preparadas. Imagine no Brasil…

Motoristas pagarão por hardwares que permitirão que seus carros se orientem, acelerem e freiem sozinhos. Mas como cidadãos, eles pagarão taxas maiores para consertar as ruas atuais e construir estradas preparadas para carros autônomos?

Futuristas dizem que o combustível fóssil está com os dias contados. Em algumas décadas, é estimado que 25% de toda a quilometragem no mundo será rodada por veículos elétricos, compartilhados e autônomos.

Engenheiros descrevem a tecnologia em 5 níveis. O 0 significa que o carro não interfere em nada na condução; no 1 o carro pode intervir em questões de segurança; no 2 ele pode controlar e direção e a velocidade por um determinado período antes que necessite da condução de um motorista (como o Model S e X da Tesla); o 3 coloca o carro totalmente em controle, a não ser que o sistema falhe e você precise assumir; o 4 é parecido com o 3, mas se o sistema falhar o carro irá parar, ao invés de necessitar da intervenção humana; e o 5 o carro é completamente autônomo, em qualquer condição – não necessita de controles nem do motorista.

Algumas montadoras já prometeram modelos de nível 4 em 2012. Elon Musk, por exemplo, declarou que até o fim desse ano, a Tesla irá colocar um carro para ir de Los Angeles até Nova York sem nenhum motorista.

É tudo muito lindo. Mas batemos na tecla novamente: e as estradas, que permitirão que a tecnologia funcione sem erros? Um veículo nível 5 necessitará de vias praticamente perfeitas e com marcadores de pista bem definidos, além de mapas precisos (que estejam atualizados instantaneamente) e, por agora, sem a intervenção de gelo ou neve. Essas são algumas razões do porquê os testes terem ocorrido apenas na Califórnia e em Nevada.

A cidade de Atlanta vai batizar um corredor de tráfego inteligente ao longo da Avenida Norte ainda este ano. O projeto irá atualizar a rua com melhor pavimentação e detecção de câmeras. Enquanto ele lida com os custos de apenas uma distância específica de uma avenida, estima que a cobertura da cidade com tecnologia semelhante exigirá 50 mil sensores ambientais, 20 mil sensores de pedestres e mobilidade e 10 mil câmeras.

Custos para refazer uma estrada norte-americana pode atingir US$ 1 milhão por milha (1,6 km), fora o que irá gastar com câmeras e sensores.

O problema? Alguns estados, como o da Georgia, estão atrasados na manutenção de suas vias. O Estado aumentou impostos em 2015, para US$ 900 milhões por ano, para que corresse atrás do prejuízo. E não é correr atrás das rodovias inteligentes. É correr atrás de rodovias minimamente capazes de suportar altos níveis de tráfego. A população de lá concordou com a medida e agora a Georgia está gastando US$ 2,2 bilhões para melhorar 4 mil km de estradas.

Não é um caso isolado. Legisladores da própria Califórnia estimam que dois terços das vias do estado estão em uma “condição medíocre” – e os reparos totalizariam US$ 130 bilhões.

Os esforços do Vale do Silício para isso são grandes. Você conhece a região? Montamos o e-book: “Conheça o Vale do Silício“, para te ajudar a entender como as coisas funcionam em um dos maiores centros de inovação do mundo.

Montadoras dizem que irão cumprir sua parte do acordo e entregar carros de nível 4 em até cinco anos. Mas as ruas não irão acompanhar o ritmo. Sem uma reconstrução massiva de interestaduais e ruas da cidade, a tecnologia não será de fato efetiva.

Cada estado terá de concordar com todos os outros estados em padronizar a infraestrutura para suportar os carros autônomos. Eles terão que concordar sobre como construir estradas autônomas, e quais outros programas públicos para cortar ou quais impostos aumentar.

Toda a noção sobre a tecnologia levanta questões que montadoras sozinhas não conseguirão responder. Décadas de planejamento e centenas de bilhões de dólares estão em jogo. De novo, imagina no Brasil.

(via VentureBeat)

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