“Falta investimento em tecnologia no Brasil”, diz diretor da AB2L

Está se tornando cada vez mais necessária a criação e o fomento de novas iniciativas capazes de debater com responsabilidade os rumos do setor

Lucas Bicudo é repórter do Portal StartSe.

12 de setembro de 2017

Com o evidente crescimento das lawtechs no cenário nacional, está se tornando cada vez mais necessário a criação e o fomento de novas iniciativas capazes de debater com responsabilidade os rumos do setor.

Para isso, foi criada a Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs (AB2L), que agrupa empresas com soluções de big data, inteligência artificial, jurimetria, automatização de contratos, marketplaces jurídicos, robôs e plataformas de gestão para escritórios. A demanda não ocorre só por parte de startups precisando de apoio, mas também do que o mercado precisa em relação a serviços jurídicos.

É nessa onda também que o StartSe está promovendo o LawTech Conference, a maior conferência de lawtechs do Brasil.

Conversamos com Fred Ferraz, Diretor de Marketing da AB2L e associado através da Kurier, startup que traz maior produtividade à escritórios e departamentos jurídicos. Dos 15 maiores escritórios do Brasil, 12 são clientes da Kurier. As soluções da lawtech incluem desde o cadastro de um processo, até o acompanhamento da vida dele, passando por distribuição, publicação e encerramento, contando também com soluções de sistema de gestão e de geração de documentos.

Questionamos sobre a oportunidade que a feira trará ao ecossistema. “É a chance de o mercado conhecer de verdade essas empresas, independente do seu porte. Todo o mercado jurídico deve estar lá. São startups que possuem soluções maravilhosas, mas que ainda não têm muito corpo comercial e de marketing. São soluções que os escritórios precisam, sonham e não sabem onde encontrar. A feira vai ajudar nisso. Vai mostrar ao Brasil onde está a inovação do setor jurídico”, enfatiza.

Talvez a característica mais marcante no modelo de negócios das startups seja a tecnologia à serviço da produtividade e inovação. No ano passado, foi lançado o primeiro robô-advogado do mundo suportado por inteligência artificial. Ele consulta 200 milhões de páginas em segundos. O banco J.P. Morgan economizou 360 mil horas dos seus advogados usando robôs para revisar acordos de empréstimo. A revolução chegou à advocacia.

A aposta de Fred? “Eu vejo a Inteligência Artificial e automação de processos como carros chefe da inovação no setor. Esse tipo de tecnologia não vai tomar o papel do advogado. Ela dará subsídios com mais velocidade e com muito mais qualidade para a tomada de decisões”, acredita.

Ele exemplifica. “Antigamente o pessoal recebia uma publicação de um processo do diário oficial. Era um papel, que eles digitavam dentro do sistema de gestão. Hoje, isso já cai de forma automática na pasta de um advogado como uma pendência para ele. E já está cobrindo a geração de agenda, controle. Existiam pessoas encarregadas apenas de pauta de audiência. Não precisa mais. O mesmo para o controle de encerramento de processo. Os processos de massa vão ser automatizados e aumentar a inteligência do advogado. Lançamento de prazo, lançamento de jurisprudência. O advogado vai olhar o que a máquina fez e vai entender o que está correto e o que está errado”, completa.

Sobre o mercado nacional de lawtechs, o Diretor de Marketing faz um paralelo com o norte-americano e diz que o que nos falta é investimento puro em tecnologia.

“Tive oportunidade de ir à uma série de eventos lá fora. Todas as lawtechs que converso faço a seguinte pergunta: ‘Aonde você coloca seu dinheiro para tracionar um novo cliente?’. A resposta é o investimento em tecnologia – cerca de 70%, 80%. O resto é em pessoal. Qual a diferença do escritório brasileiro? Ele investe quase que 100% em pessoal. Os caras não investem em nova tecnologia. O mercado brasileiro é reativo à tecnologia. A AB2L veio para bater nessa tecla, começar a implementar esses processos. É um mercado ainda muito negativo às mudanças. Existem soluções que vão dar uma produtividade e assertividade gigante, mas que as pessoas não adotam por tradicionalismo. ‘Eu já faço isso há 50 anos, por que vou fazer diferente?’. Creio que a grande diferença entre nosso mercado e o norte-americano seja o investimento e a relação com a tecnologia. Ela é uma aliada, que vai te gerar uma qualidade melhor de serviço, produtividade e consequentemente uma margem melhor para trabalhar. Muitos processos de um departamento jurídico não são feitos para advogados fazerem. E quando digo isso, não digo no sentido de tirar o emprego das pessoas. Estou falando de automatizar serviços que não são do advogado. Pesquisar uma jurisprudência não é papel do advogado. Ele tem que identificar qual é a jurisprudência correta. O mecanismo da ação tem que ser automático. A inteligência da ação onde está o valor do advogado”.

Startups desenvolvem e compilam novas tecnologias com o objetivo de aprimorar e acelerar a análise de cenários jurídicos, otimizar procedimentos e diminuir os erros de interpretação. Além de poupar horas e horas de trabalho de advogados com causas de menor complexidade. Por fim, as projeções para o futuro.

“O futuro é gigante. Primeiro que nós temos 1 milhão de advogados. É um mercado grande e que circula muito dinheiro. Os orçamentos de departamentos jurídicos são gigantescos. É um mercado tradicional – lê-se manual. Existe muita oportunidade. E falo da que nem existe ainda. Daquela que precisa criar. O processo eletrônico começou em 2006 e começou a pegar há 2 anos. Todo o ecossistema precisa de tecnologia e é uma área pouco desvendada. Hoje não temos todas as soluções que precisamos. É que nem empregos: daqui 20, 40 anos, terão novas profissões. Assim como há 20 anos não tínhamos um Diretor de Marketing numa associação de empresas jurídicas relacionadas à tecnologia. Mudanças são muitas, oportunidades maiores ainda”, finaliza.

O LawTech Conference busca trazer perspectivas de todo o universo jurídico, que inclui empreendedores de startups em diversos estágios, corporações estabelecidas, fundos de investimentos, advogados, profissionais do judiciário, estudantes e pessoas apaixonadas pelo assunto. Não deixe de participar. Basta clicar aqui para saber mais.

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